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terça-feira, 14 de setembro de 2021

Louco

Louco!


“Como o louco que lança fogo, flechas e morte, assim é o homem que engana a seu próximo e diz: Fiz isso por brincadeira.” Provérbios 26.18,19


“Por isso quero declarar que minhas palavras, por vezes contundentes, decorreram do calor do momento e dos embates que sempre visaram o bem comum.” Jair Bolsonaro


Recuou! Ainda bem! 


Porém, quem pode aquilatar o custo dessa aventura inconsequente?


Quanta gente migrou atrás de um sujeito que agiu como o louco que lança fogo, flechas e morte?


Quanta ansiedade envolta por maus presságios e desesperadoras memórias assolaram o coração da gente Brasileira?


Quantos laços familiares e de amizades foram quebrados por causa de um tresloucado, que acabou por despertar o que pode haver de pior no ser humano?


A história desse homem tem sido uma “brincadeira de mau gosto” para dizer o mínimo. E a que risco expôs a nação!


Certamente, os que ele entendia por interlocutores, para a consecução de sua loucura, foram os que refluíram, deixando claro que, finalmente, tudo tem limite, a inconsequência, por excelência. 


Quanto tempo nossa nação suportará estar à deriva de tanta irresponsabilidade? A descrição biblica se encaixa perfeitamente ao quadro: “Como o louco que lança fogo, flechas e morte…”!


Quanto mais essa desventura comprometerá o nosso futuro para além do que já o fez?


O Congresso, assim como o judiciário não pode se furtar à sua obrigação constitucional, porque, para gente assim, a lucidez é episódica e efêmera! E ninguém aguenta mais!


domingo, 22 de agosto de 2021

Talibã evangélico?

Talibã evangélico?
Ariovaldo Ramos 

“Sejam bons cidadãos. Todos os governos estão abaixo de Deus. Se há paz e ordem, é ordem de Deus. Então, vivam de modo responsável como cidadãos. Se forem irresponsáveis para com o Estado, estarão sendo irresponsáveis para com Deus, e Deus pedirá contas disso.”Rm.13.1(A Mensagem)

Estamos assistindo a um ato de irresponsabilidade para com o Estado e para com Deus: Um grupo de pastores está convocando o povo evangélico para a insurgir-se contra o Estado Democrático de Direito, pedindo que as Forças Armadas desrespeitem a Constituição e fechem o Congresso Federal e o Supremo Tribunal Federal.

Querem tornar o presidente em ditador e, assim, interromper a democracia e por fim à República Federativa do Brasil.

Diante desse Pecado e Irresponsabilidade cívica, é preciso registrar nosso repúdio a qualquer tipo de ditadura e a nossa reprovação a estes pastores que querem levar a Igreja Evangélica a participar do crime de traição ao Estado Democrático de Direito.

O que estes pastores estão sugerindo é crime, pelo qual devem responder diante da justiça.

A Igreja deve sustentar a democracia, o  Estado Democrático de Direito. 

Encorajo a todas as irmãs e irmãos a resistirem a esses pastores que, a exemplo do Diabo, apregoam a insurreição contra Deus e Estado Democrático de Direito.

As instituições democráticas não devem ser ameaçadas sob hipótese alguma; da independência  dos três poderes, Executivo, Legislativo e Judiciário, pilares da República, funcionando harmoniosamente, dependem a paz e o progresso da nação.

Toda e qualquer divergência na democracia deve ser solucionada por meio democrático sob a soberania da Lei. E o sufrágio universal (eleições) é o único meio legitimo de provocar a alternância do poder.

É inadmissível qualquer tentativa de instalar no país uma espécie de Talibã evangélico!

sexta-feira, 6 de agosto de 2021

Igreja inclusiva

Igreja inclusiva



Há muitos falando em igreja inclusiva. 


É preciso perceber a diferença entre igreja e comunidade, ou, melhor, comunidades. 


No Novo Testamento, mais propriamente nos apóstolos, a igreja começa sendo apresentada como o corpo de Cristo, composta por quem recebe fé e, portanto, habitado pelo Espírito Santo, nasce de novo, tornando-se súdito do reino de Deus. 


Rapidamente, entretanto, os apóstolos começam a compreender que a igreja, corpo de Cristo não pode ser confundida com as diversas comunidades que se entendem cristãs. 


Compreenderam que a religiosidade humana não precisa ter nada a ver com Deus e suas demandas, que a religiosidade pode ser a prática mórbida da auto-redenção, onde o ser humano se autojustifica a partir de supostas práticas, geralmente, de ordem moral ou ética, que o colocam num patamar superior aos demais mortais, fazendo, assim, jus à eleição divina. 


E constaram isso numa época em que se dizer cristão poderia ser muito perigoso.


E essa conclusão foi ratificada por Jesus que, ao escrever às sete igrejas, como registrado no Apocalipse, fez questão de mencionar que se dirigia à quem tivesse ouvidos para ouvir, deixando claro que as comunidades cristãs não são, necessariamente, o corpo de Cristo. 


Estar filiado a comunidade cristã não significa fazer parte da igreja de Cristo. 


Pouco a pouco foi ficando claro que os filhos e filhas do Deus Triuno só o próprio Deus conhece. 


Paulo começou a nos advertir disso quando trouxe à tona que o verdadeiro israelita era o circuncidado de coração, fazendo eco à grita dos profetas. 


Como dito acima, muitos estão falando em igreja inclusiva, confundindo a Igreja com as comunidades. 


Só o Pai inclui seres humanos na Igreja, corpo de Cristo. 


É o pacto da Trindade: Cristo fez a expiação que abrange toda a humanidade, o Pai chama quem decidiu chamar, supõe-se, que segundo critérios não revelados, e o Espírito Santo, aos tais, confere a fé, ressuscita-lhes o espírito, tornando cada qual um espírito com Cristo, por meio da habitação do próprio Espírito Santo na pessoa. 


Nesse ato devolve à pessoa a sua verdadeira identidade, perdida na rebelião humana. 


Identidade que é anunciada por seu verdadeiro nome, que saberá qual é quando receber a pedra onde está registrada o seu verdadeiro nome. 


Os filhos e filhas de Deus só Deus conhece. E a Trindade só declara a filiação à pessoa que adotou. Assim, só a Trindade conhece todas as pessoas que compõem a Igreja de Cristo. E sobre fazer parte ou não desse Igreja só a pessoa pode dizê-lo, porque o Espírito Santo é quem diz a cada pessoa se ela é ou não filha de Deus. Cada pessoa, portanto, só sabe de si. Se o sabe. 


Falar que a igreja tem de ser inclusiva é dizer o que só Deus pode fazer. E que ninguém, além da própria pessoa saberá. 


Essa decisão divina é ato de Deus por sua graça, não tem nada a ver com qualquer condição prévia dessa pessoa, e não há nada que qualquer ser humano possa fazer a respeito. 


Sobra aos seres humanos a construção das comunidades, que serão construídas com base na sua teologia, onde define sua compreensão de Deus e do salvo,  na denominação a que se filiarem e nas decisões de suas respectivas assembléias. 


As comunidades evangélicas são muitas e diversas, há as restritas, as acolhedoras e as inclusivas.


Quem quer que se entenda filha ou filho de Deus pode escolher a comunidade que lhe aprouver, só não pode forçar qualquer comunidade a recebê-lo ou recebê-la, até porque isto não tem nada a ver com seu destino eterno. 



  

terça-feira, 9 de agosto de 2016

Uma vez, Pedro; duas vezes, Judas!

Ariovaldo Ramos

A história, parece, raramente dá duas chances exatamente iguais a uma mesma pessoa.

Temos, entretanto, na Bíblia, um exemplo da exceção: o apóstolo Pedro

Pedro foi avisado por Jesus que antes do galo cantar, o trairia três vezes.

Ao avisar o apóstolo da sua iminente queda, Jesus estava lhe dando a oportunidade de pedir ajuda, e, assim, evitar o julgamento da história.

Pedro perdeu a oportunidade. Desafiou Jesus, levantando a suposição de que a profecia do Mestre não tinha boa base.

Jesus, então, comunicou a Pedro que oraria por ele, para que a sua fé não desfalecesse, e pediu-lhe para que, quando se convertesse, cuidasse de seus irmãos.

Pedro perdeu uma grande oportunidade na história, a oportunidade ficar do lado certo, de pedir ajuda, e de vencer-se a si mesmo pela ajuda que receberia.

Contudo, Jesus não só perdoou a Pedro, como lhe deu uma nova chance no colégio apostólico. Informou ao apóstolo que, no fim de sua vida, ele teria outra chance, qual seja, a de escolher entre o seu conforto e o senhor Jesus, pois lhe ofereceriam este conforto pela negação de Cristo, ou, então, o executariam da pior forma possível.

A história nos conta que Pedro ficou do lado certo, daquela vez, escolheu ser fiel a Jesus Cristo e foi morto por crucificação, porém, de cabeça para baixo; portanto, de modo bastante cruel. A história, então, o absolveu porque não capitulou segunda vez.

Este foi um caso, portanto, bastante insólito, uma mesma pessoa ter duas chances na vida em relação a mesma decisão, trair ou não trair o Cristo.

Curiosamente, a história brasileira recente, deu à igreja evangélica, que está no Brasil, a mesma possibilidade dada a Pedro, guardadas as devidas proporções.

Em 1964 o Brasil sofreu um golpe civil militar, que durou por quase 30 anos. O custo para a democracia brasileira foi altíssimo. Sem contar as pessoas que foram particularmente prejudicadas, Inclusive torturadas, quando não mortas.

Este golpe civil militar provocado pelas forças conservadoras da elite brasileira, teve, no início, o suporte da igreja romana, depois, o apoio desta deu lugar ao apoio evangélico. O que significa que os evangélicos que, no princípio do movimento, se abstiveram, num segundo momento aderiram aos traidores da democracia.

Foi um momento trágico, irmãos foram entregues às forças ditatoriais, submetidos a tortura, mortos ou exilados. Simultaneamente, houve um golpe à direita dentro das denominações que, de modo oficial ou oficioso, apoiaram a ignomínia do ataque à ordem constitucional da nação.

Perdemos uma grande oportunidade na história, e a história, implacável como é, não pode perdoar. Ficou a mancha da ação vergonhosa, registrada nos livros, regada pelas lágrimas, lamentada nos testemunhos dos que sofreram.

De forma lamentável, porém, inusitada, a história brasileira oferece uma nova chance a igreja que está em solo pátrio, qual seja, a de sustentar ou de trair a democracia, aderindo ou não ao ataque à ordem constitucional.

Mais uma vez a nação brasileira assiste movimentos ao arrepio da lei. Desta vez, com muito menos ímpeto patriótico, que não pode ser negado aos militares que apoiaram e acabaram por comandar o golpe civil militar, de então.

O movimento de hoje tem em comum com o de antanho o mesmo descaso para com a carta magna, portanto, para com a ordem democrática. Mas, o de hoje, é comandado por protagonistas, cujas motivações e propósitos estão, cada vez mais, sendo avaliadas como muito distantes de qualquer boa intenção para com a construção nacional.

Pelo contrário, os comandantes, tudo parece indicar, não passariam  ilesos a um tribunal descente. Desencadearam um processo de impedimento sob muita suspeição, cujo crime aventado para justificar tal medida, foi técnica e juridicamente desqualificado como tal.

O processo, se consolidado pelo Senado, consubstanciará um movimento ilegítimo de tomada do poder, já exposto mundialmente, atém de ter sido condenado por tribunal internacional, reunido no Brasil para julgar o movimento, tido como espúrio. A ilicitude já foi tão exposta que, não importa a justificativa que se tente apresentar, o juízo da história será implacável.

Desta vez, grande parte da igreja evangélica brasileira, não apenas anuiu, como tem sido tachada de protagonista do movimento, mundialmente, condenado por todos os que respeitam a democracia.

O movimento que começou com uma ala específica da igreja, inclusive, uma tanto questionada, gradativamente foi se tornando hegemônico, conquistando, até mesmo, veementes adversários teológicos do grupo iniciante ( http://www.anajure.org.br/apos-reuniao-estrategica-da-anajure-com-lideres-religiosos-de-todo-o-pais-presidente-do-brasil-recebe-comitiva-no-palacio-do-planalto/.)  Ambos foram tornando, na prática, artigo de fé, a escolha ideológica, e, flagrantemente, antidemocrática, de modo que, os evangélicos discordantes, de meros opositores de ideário, foram sendo classificados de hereges, e lançados na fornalha dedicada aos ateus.

Perdemos uma nova oportunidade na história, oportunidade esta, sejamos claros, que jamais desejamos, entretanto, nos foi dada e, mais uma vez, capitulamos. A história não nos terá por inocentes, implacável como é, não nos perdoará; e, possivelmente, nem mesmo Jesus o fará.