quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Comunhão e Espiritualidade




Ariovaldo Ramos

Pois onde se acham dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles. (Mt 18.20)

A igreja de Jesus é baseada num tipo de relacionamento: pessoas reunidas em seu nome. E quando isso acontece, Jesus, ali, se faz presente, de forma especial.

Em que circunstâncias as pessoas estão reunidas em seu nome? 

Porque todas as vezes que comerdes deste pão e beberdes do cálice estareis anunciando a morte do Senhor, até que ele venha. (1Co 11.26)

Nós estamos reunidos, em nome do Senhor, na ceia (que é sempre santa, mesmo que se a considere como memorial), em torno da mesa da comunhão, onde agradecemos pelo perdão que recebemos, e pela habitação do Espírito Santo, e onde somos nutridos para continuar perdoando e servindo. Reiteramos, ali, a nossa devoção ao Cristo, a nossa fraternidade e unidade, e anunciamos o triunfo do Senhor sobre a morte e o egoismo.

Quer dizer que, quando não estamos celebrando a ceia do Senhor não estamos reunidos em nome do Senhor?

Trata-se da celebração em si, que deve periodicamente acontecer, a igreja em Jerusalém, por exemplo, o fazia diariamente (At 2.42); mas, trata-se, também, de manter, sempre, entre nós, o espírito da ceia pela unidade da Igreja, sob a centralidade do sacrifício do Cordeiro. Então, não importa o que estejamos fazendo juntos, temos de estar no espírito da ceia; fazemos tudo como membros da Igreja do Cristo, a partir de nossa consciência de que somos e nos reunimos como comunidade da fé, a partir e em torno do sacrifício e da ressurreição do Ungido, Jesus de Nazaré.

Nosso viver e nossas boas obras e palavras, que disseminam o caráter, a justiça, e a libertação de Cristo, são feitas a partir da vida de comunidade da fé, que é a cidade edificada sobre o monte, de onde partem os luzeiros, pessoalmente e em grupos, para iluminar o mundo (Mt 5.13-16)

Nos reunimos  e agimos como comunidade, e a partir da vida comunitária, e, sempre, com a consciência de que temos de nos nutrir, mutuamente, na fé, por meio da palavra de Cristo (Cl 3.16).

O registro da fé e de seus valores não fica na memória, mas, no espírito, portanto, quando o espírito deixa de ser alimentado esses valores perdem a força.

O nosso espírito é alimentado na vida comunitária, onde, a partir da ceia (em dia ou não de ceia do Senhor), se ouça da Palavra de Deus, que é Jesus, a partir da exposição da Bíblia, que é a Palavra inspirada pelo Espírito Santo para revelar Jesus (Jo 5.39; Lc 24.27) e se pratique a mutualidade (CL 3.12-17).

 A fé vem pelo ouvir, na vida de Igreja, de Jesus, a partir das Escrituras Sagradas. Um espírito forte não é só resultado do quanto se sabe, mas do quanto se comunga.