quinta-feira, 17 de abril de 2014

terça-feira, 1 de abril de 2014

Corrupção (o beabá)

quando o poder não é vigiado, o governo é exposto à corrupção!
há governo corrupto porque há corruptores!
os corruptores são os dispostos a trocar a ética por seus interesses!
e a corrupção vira modo de governo!

e esse modo de governo se impõe ao mais simples cidadão!
que fica condenado à exploração econômica, à ignorância e à alienação midiática!
pois não tem dinheiro para acessar ao que deveria ter por direito!
e acaba desejando poder corromper, e sendo corrupto onde consegue...
e a corrupção passa a ser um modo de viver!

um governo que pode ser comprado não tem força moral!
um governo sem moral não tem como enfrentar bandidos!
um governo que teme a bandidos não protege o cidadão!
mesmo os que o compram por seus interesses!
e os corruptores terão de pagar também a bandidos! 

e assim o mal se impõe ao bem!
os bandidos passam a controlar até a sua punição!
e os nossos filhos são viciados impunemente!
e os miseráveis são cooptados pela força!
e os bandidos organizados reorganizam a nação!
juízes, governadores e polícia e imprensa passam a servir aos bandidos!

e todos, de alguma forma, se tornam bandidos!
e até Deus passa a ser apresentado como corruptível!
porque até os sacerdotes viraram bandidos!
pois a corrupção se fez parte da cultura!

que santos e profetas clamem ao Pai por misericórdia!
mesmo que seja o grito do sangue caindo na terra!
como o sangue de Abel que clamou por justiça!

que os homens de bem resistam!
que os homens de bem abracem a ética!
que os homens de bem se organizem para vigiar o poder!
que os homens de bem exijam as reformas que permitirão a vigilância!
que os homens de bem deixem de ver a miséria como natural!
que os homens de bem exijam que a riqueza seja distribuída!
que os homens de bem lutem para que a justiça corra como rio perene!

que os homens de bem sejam éticos:
mesmo que seja num simples cruzamento no trânsito;
mesmo que seja o jogar um papel no lixo...
só o amor ao bem pode vencer ao vício do mal!

quinta-feira, 20 de março de 2014

A Teologia da Missão Integral e o Marxismo


Ariovaldo Ramos

Desde que ouvi falar de missão integral em 2007, enquanto fazia uma escola da JOCUM, fiquei interessado e comecei a pesquisar sobre o tema. Adquiri alguns livros, baixei artigos da internet, assinei Ultimato, enfim, quis saber quem falava sobre missão integral e o que falavam sobre missão integral. Em meio a muitas leituras e questionamentos, não sei se estou sendo tolo, mas a minha pergunta é: a teologia da missão integral dialoga com o marxismo ou mesmo se apropria de alguns pressupostos marxistas? Se sim, como articular cosmovisões contrárias uma da outra?
Filipe Reis, Parintins, AM


Bem, Filipe, nós vivemos num mundo profundamente influenciado pelo marxismo. Então, é impossível dialogar com o mundo sem dialogar com o marxismo num nível ou noutro. O marxismo mudou a face do Ocidente por, pelo menos, setenta anos. Estabeleceu-se como fato histórico, vimos surgirem blocos socialistas no mundo todo. E a grita do marxismo era a de que o capitalismo estava na contramão do que produziria felicidade humana, e que era preciso chegar a uma nova fase na história da humanidade a que eles chamaram de comunismo, que era, segundo Marx, o sucedâneo natural do capitalismo. As experiências revolucionárias marxistas não comprovaram a tese, porque as grandes nações, que se tornaram socialistas, do ponto de vista marxista-leninista, deram ou tentaram dar um salto do feudalismo para o comunismo, já que nem uma delas havia passado pelo capitalismo propriamente dito. Mas estão aí, fizeram história, milhares de escritos, de reflexão por todo o mundo, em todas as línguas. Então, é impossível falar ao mundo sem dialogar com os que também tentam interpretar e até mesmo transformar o mundo. Neste sentido, a Teologia da Missão Integral dialoga com o marxismo assim como dialoga com A riqueza das nações de Adam Smith, com o capitalismo, porque nós estamos tentando responder a grande pergunta humana que é “qual é o sentido da vida, para o que é que nós existimos, de onde viemos, para onde vamos e como devemos viver?”. Então, nós dialogamos com todo mundo, inclusive com outras confissões de fé. Nós estamos lutando pela humanidade como todo mundo.

Agora, se o que você está perguntando é se a Teologia da Missão Integral lança mão do referencial teórico marxista, a resposta é NÃO. A TMI considera as análises marxistas, entende a validade de muitas de suas análises, mas não lança mão do referencial teórico do marxismo, porque a Missão Integral se estriba na recuperação de dois conceitos: 1- O conceito de justiça no profetismo hebraico. No profetismo hebreu você tem a noção de justiça, ela vai aparecer nos grandes profetas que vão dizer, como Amós (5.24), que a justiça deve correr como um rio que nunca seca. Todos os profetas hebreus levantaram a questão da justiça e são eles que introduzem esta noção da justiça como um critério transcendente: justiça não é mais uma relação de poder entre fracos e fortes, entre vencedores e vencidos;  justiça é uma demanda divina, uma demanda de Deus; ele exige justiça, Deus exige que os pobres sejam tratados com decência, exige, de fato, que não haja pobreza, que haja libertação econômica, social e política (essa noção aparece no Jubileu e no Ano da Remissão – Lv 25; Dt 15.1-10). A justiça nasce no coração de Deus e é introduzida na história humana pelos profetas hebreus, são eles que trazem a noção de justiça para a história e trazem-na como um dado transcendente, e não como uma conclusão imanente, ou seja, não foram os seres humanos pensando sobre si, sobre a história, sobre a sociedade que chegaram à noção de igualdade, de justiça, de que não pode haver pobre; pura e simplesmente. Foram os profetas hebreus que trouxeram este elemento para a história humana, esta visão de que há uma demanda da parte de Deus por igualdade entre os homens, por dignidade para todos os homens, pelo fim da pobreza, pelo respeito ao diferente, pelo abrigo ao estrangeiro, pela noção de direito humano. E isso vem diretamente de Deus, está espalhado por todo o Antigo Testamento, desde a lei de Moisés que é reforçada pelo profetismo hebraico que, na verdade, é um trabalho de recuperação do espírito da lei de Moisés, que clama por justiça. Este é o primeiro referencial da Missão Integral. Você verá isso nos escritos de René Padilla, nos escritos de Samuel Escobar, de Orlando Costas, de Pedro Araña e muitos outros.

2- O outro referencial da Teologia da Missão Integral é a recuperação da noção do Reino de Deus e sua justiça, a ideia de que o Reino de Deus é um outro sistema que se opõe ao sistema vigente, que se opõe ao sistema capitalista e ao sistema soviético. É um outro sistema que vem não para estar ao lado dos sistemas em pauta, mas para substituí-los, para erradicá-los. Isso aparece no profeta Daniel que, quando responde ao sonho de Nabucodonosor, fala sobre a pedra que é lançada por mãos não humanas contra a estátua. A estátua, no sonho de Nabucodonosor, sintetiza todas as tentativas humanas de resolver o problema humano sem considerar a hipótese de Deus ou sem considerar a revelação de Deus, tudo o que os homens tentaram em todos os níveis: o feudalismo, o capitalismo, o comunismo; está tudo lá na estátua. E a pedra é o Reino de Deus, que vem e derruba a estátua, triturando-a, desfazendo todos os componentes da estátua até transformá-la em pó, pó que é varrido pelo vento de modo que da estátua não fica nem lembrança, e a pedra cresce, alarga-se e toma toda a terra, ou seja, uma nova realidade assume o controle da história e essa nova realidade é o Reino de Deus.

A Teologia da Missão Integral vai recuperar essa noção de Reino de Deus que aparece com força total no Novo Testamento, a partir da pregação de João Batista, e que é referendada e ratificada pela pregação de Jesus de Nazaré: arrependei-vos porque é chegado o Reino dos Céus. Nos quatro Evangelhos você  verá que os fariseus, os saduceus, os mestres da lei, que viviam inquirindo Jesus, fizeram perguntas, de toda ordem, de todo tipo, mas nenhum deles perguntou o que era o Reino dos céus. Todos eles sabiam do que João e Jesus estavam falando, eles sabiam o que era o Reino dos Céus: a chegada da realidade definitiva, a realidade que iria se impor á história, que iria conquistar a história, que iria se estabelecer na história e iria dar o tom à história. É isso que a Teologia da Missão Integral recupera: a noção do Reino de Deus como um sistema que engloba tudo o que afeta o homem e tudo o que o homem afeta. Engloba, portanto as questões social, política, econômica, ética, a moral, educacional, do trabalho, do direito, porque tudo isso afeta o homem e é afetado pelo homem, por isso é um sistema só, e esse sistema precisa ter um novo princípio vetor que segundo as Escrituras é o Reino de Deus. Assim, o Reino de Deus é um novo sistema onde só a vontade de Deus é feita, e é um sistema econômico, político, social, moral, ético, educacional, está tudo contido no Reino de Deus.

A Teologia da Missão Integral é uma proposta Ortodoxa, que amplia a missiologia da Igreja, portanto uma proposta de Evangelização, de proclamação da necessidade da conversão ao Cristo, na sua forma mais radical, mas não tem a pretensão de que seja a Igreja que venha a implantar o Reino de Deus, ela tem a intenção de encorajar a Igreja a sinalizar que o Reino de Deus já está presente, e trabalha para que a Igreja seja uma mostra do mundo vindouro “as primícias” do Reino de Deus, como Tiago (Tg1.18) nos advertiu. Sendo assim, a partir da Igreja os paradigmas do Reino dos Céus devem ser vividos, e aí a Igreja, como uma das protagonistas da história, precisa ser proativa e sinalizar a presença do Reino a partir de todas as suas possibilidades, e influenciar o mundo com os padrões do Reino de tal maneira que, guardadas as devidas proporções, o mundo se torne o mais parecido possível com o Reino vindouro. E isso vai significar a chegada da paz, da igualdade, do direito, da responsabilidade moral, de uma sociedade sem classes, de uma sociedade justa, de uma sociedade igualitária, solidária, isso é a pregação da Teologia da Missão Integral.

Você pode dizer que aqui ou ali nós esbarraremos em conceitos marxistas, mas eu preciso lembrar a você de que Marx veio depois da Igreja Primitiva, veio depois de Jesus, o Cristo. Não somos nós que estamos buscando conceitos em Marx, foi Marx que buscou os conceitos dele na tradição judaico-cristã, e tentou criar um projeto de uma vida semelhante ao que a Igreja primitiva viveu. Porém o filósofo quis atingir essa realidade sem a necessidade da hipótese de Deus, e por métodos que a Ortodoxia Cristã não apoia.


Nós não trabalhamos com o referencial marxista porque o nosso referencial é anterior. Embora aqui e ali, nós possamos ter intersecções com os marxistas, se isso acontecer, será porque, como disse o Karl Jaspers, nenhuma filosofia do Ocidente foi desenvolvida sem que a Bíblia fosse o pano de fundo. E nem Karl Marx escapou disso. (baseado em artigo publicado na Revista Ultimato)

sexta-feira, 7 de março de 2014

Brilhe a vossa luz (Mt 5.16)

2 Pedro 3:13
"Nós, porém, segundo a sua promessa, esperamos novos céus e nova terra, nos quais habita justiça."

O movimento redentor de Deus, em relação à criação, é a renovação dos céus e da terra. E Deus o fará para que, finalmente, a justiça se estabeleça na criação.

Então, viver, hoje, segundo a vontade de Deus, exige que se busque que a justiça corra como um rio que nunca seca (Amós 5.24).

Segundo Amós, cap. 5, Deus queria que em Israel fosse feito juízo, isto é, que  as advertências proféticas fossem ouvidas; que o pobre não fosse  pisado e nem extorquido; e que o justo fosse honrado e não afligido.

E Jesus, em Mt 25.31-36, coerente com a fala profética, diz que Ele quer que os famintos sejam alimentados; que os sedentos sejam dessedentados; que os forasteiros sejam acolhidos; que os desnudos sejam vestidos; que o enfermo seja assistido; e que o prisioneiro seja tratado com dignidade.

Portanto, viver, segundo a vontade de Deus, na história, a partir do novo nascimento, como natural ao ato de pregar o Evangelho, tendo em vista que todo o movimento redentor culminará em justiça na Terra, é trabalhar em função dessa justiça, que é o padrão do Reino (Mt 6.33).

É, enquanto anunciamos o Cristo, e porque o anunciamos, trabalhar:  1- para que haja segurança alimentar e nutricional, para que todos tenham alimentação adequada;  2- para que haja saneamento básico, de modo que todos tenham acesso à água potável, e todo esgoto e todo lixo seja tratado, e o meio ambiente seja preservado;  3- para que haja política de direitos humanos, de modo que ninguém se sinta forasteiro, isto é, discriminado;  4-  para que haja programa de moradia, transporte, emprego e educação, para que toda a nudez (fragilidade) humana seja coberta, e todos possam viver com qualidade de vida, que, necessariamente, passa pelo equilíbrio ambiental;  5- para que haja amplo e universal programa de saúde; e,  6-  para que o sistema judiciário e prisional privilegie a dignidade humana e a igualdade entre os seres humanos. 


São as boas obras dos seguidores do Cristo na história, porque os renascidos já vivem, nessa história, a partir da perspectiva dos novos céus e nova terra. #missaointegral