terça-feira, 21 de abril de 2015

A Fé Evangélica ou a Religião Evangélica?

Ariovaldo Ramos

A fé evangélica é revolucionária, pois, quando retomada, significou a libertação da pregação da mensagem da Cruz e da Ressurreição. A fé evangélica foi retomada pela reforma, dita, protestante, um movimento de mais de século, que culminou com a afixação, por Lutero, das 95 teses, na porta da Catedral de Wittenberg, na Alemanha, em outubro de 1517.

A retomada da fé evangélica, a fé ensinada pelos país da Igreja, levou o fiel de volta ao Santo dos Santos, isto é, o fiel voltou a compreender que só há um mediador entre Deus e os homens, Jesus de Nazaré, o Ungido de Deus, que com o seu sangue fez o novo e vivo caminho, pelo qual entramos na Presença do Eterno, pessoalmente, sem nenhuma outra mediação. 

A fé evangélica fez voltar a valer o ato de rasgar o véu do Templo, levado a efeito pelo Eterno, por ocasião da morte de Jesus de Nazaré, o Ungido, consumando o sacrifício conhecido e efetivo desde antes da fundação do mundo. Ato, este, que liberou o Santo dos Santos para todos aqueles que, por crerem no Ungido, foram feitos filhos de Deus. De modo que a denominada intercessão pelos santos de devoção particular perdeu todo o sentido.

 A fé evangélica é libertária, uma vez que, em seu primeiro movimento de retomada, na história, ao abolir, pela recuperação do ensino da expiação pelo Ungido, toda a mediação humana entre o Eterno e o ser humano, desconstruiu toda a hierarquia religiosa. A fé evangélica pôs fim à religião organizada como representante da Igreja, tornando a ver a Igreja como o ajuntamento dos crentes no Ungido, que se manifesta por meio de reuniões locais, cuja relação entre si é fraterna, uma vez que a Igreja deixa de ter um chefe terreno, para depender, exclusivamente, da iluminação pelo Espírito Santo. 

A fé evangélica devolveu à Bíblia o papel de Revelação Escrita sob inspiração do Espírito Santo, portanto, um livro recebido por fé, e, como tal, infalível e inerrante, única regra de fé e de prática para a vida da Igreja. Assim como aboliu a figura do intérprete oficial, devolvendo ao fiel a possibilidade de examinar livremente as Escrituras, a partir da decisão dos quatros concílios fundantes: Nicéa e Constantinopla no sec IV, Éfeso e Calcedônia no sec V, e dos chamados "solas" da reforma: sola Gratia, sola Fide, solo Cristos, sola Escriptura, soli Deo Glória!

A fé evangélica pôs fim à noção de clero, que propõe a existência de pessoas especiais, com exclusivo ou maior acesso à Deus, retomando o sacerdócio universal dos crentes, proclamando que todos são iguais perante de Deus, e que a Igreja é Reino de sacerdotes. A fé evangélica retomou a lógica apostólica de reconhecimento dos presbíteros, leigos, como todos os demais, porém, reconhecidos, por sua maturidade espiritual, como aptos para supervisionar a igreja local, de modo a impedir qualquer desvio que transforme a fé evangélica em mera religião.

A fé evangélica aboliu a noção de Templo, fazendo jus ao ensino neo-testamentário, de que o contingente dos crentes constitui o que Jesus de Nazaré, o Ungido, chamou de Sua Igreja, e que este grupo de pessoas é, portanto, o Templo, a Casa do Deus Vivo, anulando a possibilidade de qualquer prédio ser chamado de Igreja ou Casa de Deus. O Deus Vivo só pode habitar numa Casa Viva, nunca em prédio construído por mãos humanas. 

A fé evangélica, quando não fomentou, contribuiu para que mudanças estruturais ocorressem na história humana, principalmente, no Ocidente; tais como: a noção de igualdade entre os seres humanos; a rede de proteção às crianças; a honra e o cuidado aos idosos; a igualdade de gênero; o surgimento do Estado Moderno; a preponderância da Democracia; a luta pela liberdade, pelo fim de todo o tipo de colonização e de escravidão;  a laicização do Estado, na luta por liberdade de credo e de expressão.

O maior adversário, entretanto, que a fé evangélica enfrentou e enfrenta é a religião evangélica.

O surgimento da religião evangélica aconteceu mais rápido do que se poderia prever, e se caracterizou pelo retorno da noção de Clero; por voltar a titular prédios de templo ou de casa de Deus, descaracterizando a Casa Viva do Deus Vivo; pelo retorno da hierarquização; pelo volta da estatização da fé; pela busca por chefes terrenos para a Igreja; caracterizado pelo denominacionalismo e pelo "ministerialismo", onde as organizações, que reúnem as reuniões locais, e os ministros deixam de ser servos para serem senhores da Igreja.

A religião evangélica é adversária, porque onde a fé evangélica ilumina, a religião evangélica produz trevas, porque luta por hegemonia, inclusive em relação ao Estado, de modo que, enquanto a fé evangélica procura chamar todos os homens à noção de igualdade, por obra do amor abrangente de Deus, a religião evangélica os classifica entre fiéis e infiéis, se vendo no direito de punir os infiéis, postura semelhante à que, no passado, por meio da religião romana, gerou o que ficou conhecido como a "era das trevas", e está voltando a gerar.

A religião evangélica é adversária, porque enquanto a fé evangélica procura apresentar ao ser humano a pessoa do Ungido, que por seu Espírito transforma o ser humano, a religião evangélica oferece um conjunto de crenças e costumes que aprisionam ao invés de emancipar e que, ao invés de salientar a ação salvífica da Trindade, por sua Graça, por meio do sacrifício expiador do Filho,  reintroduz a meritocracia, impondo tarefas aos infiéis, sob o pretexto de levá-los a conquistar as benesses que já lhes foram outorgadas por meio da Cruz e da Ressurreição do Ungido. 

A fé evangélica apela para a fraternidade que gera unidade e promove a cooperação, a partir dos dons e talentos distribuídos pelo Santo Espírito; a religião evangélica, por sua vez, impõe a hierarquização, que se impõe como única forma do agir divino, uma vez que, nessa imposição, há quem alegue que o Espírito Santo não mais galardoa com dons os fiéis, reduzindo toda a iluminação que Jesus, o Ungido, disse que Consolador traria, à interpretação autorizada dos líderes eclesiásticos, que a rigor, não explicam como podem interpretar acertadamente a Espada do Espírito, uma vez que este não distribui mais os dons, pela inauguração do tempo do cessacionismo. A hierarquização institui, também, a luta pelo poder, com a agravante de que o poder, se não contido, acaba por promover a escravização do ser humano.

A fé evangélica propõe o serviço como fonte de autoridade; a religião evangélica promove a subserviência ao líder, que deve ser servido por sua condição de ser especial. Aliás, a religião evangélica gera elites, enquanto a fé evangélica gera prestadores de serviço. 

A religião evangélica subverte os mais ricos ensinos da fé evangélica, como a verdade de que a Trindade elege seres humanos para serem santos, que se doarão para produzir o bem para a humanidade, para transformar o ensino em motivo para a soberba, e para a exigência de privilégios.    

A fé evangélica ensina que o texto sagrado é do Espírito Santo, e, portanto, deve ser examinado para produzir um discurso pastoral para a vida da comunidade, como serva de Deus, para o bem da humanidade. A religião evangélica, por meio de seus teólogos, passou a questionar o texto, tornando-o, de novo, propriedade de uma elite que decide o que é e o que não é divino no texto, transformando-o num arremedo de oráculo, onde o fiel não sabe mais no que crê e no quanto deve crer, se é que deve crer.

A fé evangélica procura pelos pobres, para abençoá-los e emancipá-los pela busca da justiça, que é entendida como a construção de realidade onde todo ser humano, em igualdade, desfrutará de tudo o que Deus é e de tudo o que Deus doa. A religião evangélica, por sua vez, procura os ricos, ratificando o pretenso direito destes a promover a desigualdade, sustentando como divina a ideologia que reconhece no acúmulo, no abuso na obtenção de propriedade e na competição sinal de progresso humano, ainda que às custas da miséria e da exclusão da maioria.  

A fé evangélica se pauta pelo amor, que é a busca pela unidade entre os seres humanos, enquanto a religião evangélica se pauta pela disputa, que é uma manifestação da disposição  contrária ao amor. Assim, a fé evangélica busca a misericórdia e a prática do espírito da lei, enquanto a religião evangélica privilegia a punição, inclusive, confundindo, ingênua ou malignamente a lei com a justiça e o direito.  A fé evangélica quer ser a consciência do Estado, a religião evangélica que tomar o Estado.

A fé evangélica sabe que ao andar na história, a partir de Deus, tem de saber discernir entre manutenção e anuência, pois, embora Deus sustente a tudo e a todos, ele não concorda, necessariamente, com tudo o que acontece com e a partir de tudo e todos os que sustenta. Por isso, a oração da fé evangélica é: "Pai nosso que estás nos céus, santificado seja o teu nome, venha o teu reino e seja feita a vossa vontade tanto na terra como no ceu". Assim, embora o Pai faça determinações e intervenções, não é determinista, Ele não tenta e nem é tentado. Ele administra a história da salvação, e aqui a determinação aparece, mas, intervém na história circunstante, de modo que esta não venha a ameaçar com solução de continuidade a história da salvação; Deus não gerou o pecado, e nem a história é mera pantomima.


A religião evangélica, por meio de verve pseudo intelectual, pode vir a ser determinista, tornando a história um palco de horror, por algum enigma indecifrável  e incontornável por Deus, que tem, assim, a sua onipotência questionada, pois, uma vez que, sendo o único protagonista do Universo, não consegue fazer algo diferente do horror; ele, ou não pode tudo ou não é bom, concordando, dessa forma, com a proposição de Epicuro. A religião evangélica, ao tender para o determinismo: "tudo  (o que inclui o mal) é de acordo com a vontade de Deus" busca fechar um sistema de pensamento, pois, tem de explicar porque alia-se aos poderosos e mantém a injustiça. Não poucas vezes, no transcurso da história, agentes da fé evangélica tiveram de enfrentar agentes da religião evangélica, na luta pela emancipação do ser humano.  Assim, a religião evangélica confunde o Deus da revelação com potestades malignas que mantêm o ser humano sob opressão, assim como levam o ser humano à prática da opressão, julgando, este, estar sendo conduzido pelo implacável deus da punição pela punição.

A fé evangélica propõe, como estilo de vida, o louvor e a adoração ao Pai Nosso, por meio das ações de graças, que ratifica a fé na fidelidade do Deus à sua Palavra, que anuncia que, tal como cuida do pássaro e dos lírios, cuidará de seus santos, de maneira que estes só têm o que agradecer, passando a usar, portanto, a oração como ferramenta de missao, por meio da intercessão. A fé evangélica luta pela vida e acredita em milagres, mas, não os impõem à Trindade. A religião evangélica, por sua vez, pode, também, ser histriônica, ou oca por completo, e buscar fomentar a meritoriedade, e o anseio por bênçãos pessoais, que podem ser adquiridas por meio de barganhas com o Eterno, sob direção do clérigo em exercício da liderança, como modo de obter de Deus, desejos pessoais, claro que tudo tem um preço, que deve abençoar o ser humano especial que conduz o fiel a tal experiência com o divino,

Os agentes da fé evangélica e os agentes da religião evangélica, se encontram na localidade, porém, a distinção entre eles só é absolutamente clara para o Pai Eterno, pois, pode acontecer de um agente da fé evangélica ser co-optado pelo movimento da religião evangélica, por estar distraído quanto à sua real natureza. 

O fato de uma reunião local, aparentemente, em nome do Ungido estruturar-se de modo institucional ou unir-se em associação com outras reuniões locais, de modo a formar uma agremiação que otimize a consecução de objetivos comuns, não faz, necessariamente, com que essa ou essas reuniões locais sejam agências da religião evangélica, mas, só a compreensão profunda de que a reunião dos crentes é sempre local, e que é à reunião local que 'Aquele que anda entre os Candeeiros' se dirige em suas falas, e que as reuniões locais é que são as responsáveis por responder-lhe, dificultará o perigo de que tais localidades caiam da fé evangélica para a religião evangélica.

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Escândalo de uma Civilização

Amós 9:7
Não sois vós para mim, ó filhos de Israel, como os filhos dos etíopes?- diz o SENHOR. Não fiz eu subir a Israel da terra do Egito, e de Caftor, os filisteus, e de Quir, os siros?

Eduardo Galeano, em protesto contra o genocídio que Israel está levando a cabo na faixa de Gaza, escreveu que "o apetite  devorador de  Israel se justifica pelos títulos de propriedade que a Bíblia outorgou, pelos dois mil anos de perseguição que o povo judeu sofreu, e pelo pânico que geram os palestinos à espreita."

Mas, aí é que está, a Bíblia não outorgou aos judeus o espaço que eles reivindicam em relação à palestina. O povo que voltou para a moderna Israel é o povo originário das tribos de Judá e de Benjamin, que ocupavam um espaço entre a terra dos palestinos, (que incluía Gaza, Asdode, Gerar e Gate), e o mar morto; de oeste para leste.

Vejamos o texto:

O profeta é Amós, a época era entre 760 e 755 AC.  O local era Israel, a nação do norte, ocupada pelas 10 tribos, e governada por Jeroboão II.

Amós estava profetizando o exílio e a destruição para Israel como castigo por sua injustiça e desobediência às leis de Deus. O profeta insistia que Deus iria punir Israel, e que esta nação, composta pelas 10 tribos, deixaria de existir para sempre,  o que aconteceu  por volta do ano 722 AC.

Argumentava o profeta, explicando a Israel, que, embora tivesse sido escolhida por Deus, não era diferente de outras nações, pois Deus lhe havia dito que, a exemplo do que fizera com Israel, fazendo-a subir da terra do Egito, também fizera com o arameus (siros), que ocuparam a região da Síria e com a Filistia. Que aos siros ele havia feito subir de Quir (provavelmente perto da margem norte do golfo pérsico), e aos filisteus havia feito subir desde Caftor (provavelmente a ilha de Creta).  Ademais, Deus, segundo o profeta, amava aos israelitas da mesma forma que amava aos etíopes, deixando claro que Deus não fazia acepção de povos e de nações.

Filistia é a palavra bíblica que designa a nação da Palestina. Filisteu, na Bíblia, é sinônimo para palestino. Portanto, biblicamente, o povo palestino está naquela terra por desígnio do mesmo Deus de quem o povo judeu se entende escolhido.

Dessa forma, a base bíblica, evocada por Israel, para possuir a terra, de fato, em relação ao povo palestino, não existe.

O que sobra? Geopolítica. Mais uma vez se manifesta a hegemonia de uma geopolitica gestada pelo capitalismo internacional, para o que os palestinos não contam, capitaneada pela nação líder, cujos objetivos nefastos norteiam suas práticas no Oriente Médio. Só isso explica a manutenção de um estado policial, em relação aos palestinos, e a perpetuação de uma política genocida.

E o ocidente, que se sustentou, por mais de um milênio, nos valores defendidos pelo livro judaico-cristão, que privilegia a justiça, a sacralidade da vida e a igualdade entre os seres humanos diante de Deus, e que convoca a todos para que os pobres sejam amparados, assiste, por escandalosa cumplicidade, a derrocada dos valores defendidos pelos formadores de sua civilização, perpetrado por aqueles que juraram honrar a Torah, a Lei de Deus.

quarta-feira, 2 de julho de 2014

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Jesus contra o preconceito.

Texto :  João 4:1-34



O Pr. Neil Barreto disse que o jejum, que Jesus pede, é o de nos negarmos para seguí-lo, isto é, que façamos jejum de nós mesmos. Do que se alimenta aquele que faz o jejum que Deus pede? Do que se alimenta aquele que negou-se a si mesmo? O que lhe dá compensação pessoal? No que ele se realiza? Quero responder à essas perguntas a partir do diálogo de Jesus com a mulher da Samaria. 

Jesus estava, estrategicamente, a voltar para Galiléia, e decidiu passar por Samaria, o texto diz: “era-lhe necessário atravessar a província de Samaria” - não era uma necessidade geográfica, ou seja, esse não era o único jeito de chegar na Galileia partindo do sul. Ele podia ir para a Galiléia sem passar pela Samaria, até porque a relação entre judeus e samaritanos era muito ruim, e, portanto, era sempre arriscado atravessar as terras samaritanas. Porém, como o evangelho de João nos diz, “era-lhe necessário atravessar a província de Samaria”, então, eu concluo que foi uma determinação de Jesus, alguma orientação que Ele recebeu do Pai, de que Ele tinha de passar por Samaria. 

Era hora do almoço, Ele estava com sede e os discípulos foram comprar comida. Ele estava a beira de um poço, quando veio uma mulher samaritana buscar água. O horário que essa mulher foi buscar água era absolutamente impróprio, pois a região era semi-desértica, fazia muito calor, e as mulheres não iam buscar água na hora do almoço. O fato daquela mulher estar lá, por volta do meio dia, significava que ela tinha algum problema com a comunidade dela. Ou ela não andava com as mulheres da comunidade, porque haviam sido proibidas de andar com ela, ou ela decidiu que não iria andar com as mulheres. Não sei. Porém uma coisa é certa, algo havia acontecido.

Jesus está no poço, ela chega, e Jesus diz: “Da-me de beber!" Ao ouvir isso, a mulher reagiu: “Como o senhor, sendo judeu, pede a mim, uma samaritana, água para beber? Porque os judeus e os samaritanos não se davam." O que precisamos saber é que a situação era muito densa. Primeiro, um mestre não devia falar com uma mulher. Segundo, especialmente se fosse samaritana. Terceiro, um judeu não podia se alimentar ou beber em prato ou cuia de samaritano, pois, se isso acontecesse, ele ficaria quarenta dias sob maldição, impossibilitado de participar do culto a Deus.

O ódio dos judeus aos samaritanos era tão grande, que todo judeu, principalmente os fariseus, ao se levantarem de manhã, davam graças a Deus por não terem nascido nem mulher e nem samaritano. Por isso que, quando Jesus diz à mulher: “Da-me de beber", ele estava quebrando um grande preconceito, na verdade quatro: o primeiro preconceito, que Ele ele quebra, era o de falar com uma mulher, o segundo, era o de falar com alguém samaritano, o terceiro, era o de  pedir para beber água no mesmo copo que ela (o que o tornaria imundo para os judeus) e, o quarto, era discutir teologia com a mulher.

Quando a mulher diz “ Como o senhor, sendo judeu, pede a mim, uma samaritana, água para beber?”, Jesus se explica, e começa uma conversa teológica com a mulher, o que era absolutamente proibido, pois os mestres não podiam falar com as mulheres, e as mulheres não tinham o direito de receber nenhuma informação sobre a revelação, sobre as Escrituras e sobre a vontade de Deus. Essas verdades divinas, só podiam ser ditas aos homens, e eles as passavam para as mulheres (esposa, filhas, irmãs), pois elas não tinham acesso direto. 

Jesus começa a dizer para ela: “Se você conhecesse o dom de Deus e quem lhe está pedindo água, você lhe teria pedido e ele lhe teria dado água viva”. Água viva, naquela época era a forma de se referir à um rio de águas correntes. Ele quem puxa o assunto, Ele que chama a mulher para conversar sobre coisas espirituais, o que significa que Jesus está quebrando todos os padrões ao começar essa conversa. A mulher, dando continuidade à conversa diz: “ O senhor não tem com que tirar água, e o poço é fundo. Onde pode conseguir essa água viva?”  Ela está sob impacto de um homem judeu que pede para beber água do mesmo copo que ela, então, percebe que Ele está tratando de uma coisa espiritual e diz: “ és, porventura, maior que nosso pai Jacó, que nos deu o poço, do qual ele mesmo bebeu, bem como seus filhos e seu gado?” E Jesus diz que era maior que Jacó ao dizer: “Quem beber dessa água terá sede outra vez, mas quem beber da água que eu lhe der nunca mais terá sede. Ao contrario, a água que eu lhe der se tornará nele uma fonte de água a jorrar para a vida eterna” . Ele estava falando do Espirito Santo, o que o faz quebrar outro preconceito, oferecendo o Espirito Santo para uma mulher samaritana (que é o cumprimento da profecia de Joel, que os judeus entenderam que era apenas para eles. Jesus oferece a profecia, que, portanto, seria apenas para os judeus, para a mulher samaritana). 

Com Jesus dando continuidade à conversa, a mulher responde: “Senhor, dê-me dessa água, para que eu não tenha mais sede, nem precise voltar aqui para tirar água”. Nesse momento, parece que Jesus retoma á posição de mestre, e diz a ela: “Vá, chame o seu marido e volte”, ao que ela respondeu: “Não tenho marido” , e Jesus replicou: “Você falou corretamente, dizendo que não tem marido. O fato é que você já teve cinco; e o homem com quem agora vive não é seu marido. O que você acabou de dizer é verdade.” A mulher leva um susto e diz: “Vejo que és profeta!”. 

Agora, o que Ele diz dessa mulher é muito curioso, pois essa mulher teve cinco maridos. A gente tem, como a primeira impressão, a de que estamos tratando com uma mulher com um problema moral seríssimo, porém, não faz sentido pensar assim, porque ela teve cinco maridos, não cinco amantes. Ela devia ser uma mulher extraordinária, pois cinco homens quiseram se casar com ela. Mas, quatro maridos deram-lhe carta de divórcio, e o quinto, deve tê-la repudiado; ela se une a um sexto homem, mas esse homem não é seu marido. Do ponto de vista daquela tradição, tanto da judaica quanto da samaritana, ela estava em pecado, porque o quinto marido, provavelmente, a repudiou. Quando o sexto homem quis se casar com ela, mesmo assim, ele não pôde, pois ela havia sido repudiada, não havia recebido carta de divórcio, então, o relacionamento era tido como adulterino.

Que mulher extraordinária é essa, que cinco homens querem se casar com ela? E que mulher é essa que quatro homens deram-lhe carta de divórcio e o quinto, provavelmente, a repudiou? Não deve ser por questões morais, porque se fosse, ela não se casaria pela segunda vez... De jeito nenhum! Essa história de sucessivos casamentos, fruto do desejo que despertava, mesclada com sucessivas rejeições, parece que se explica por ela ser o tipo de mulher que ela demonstra ser, nesse diálogo com Jesus, uma mulher que tem opinião própria, o que, naquela época, era o mesmo que ofender séria e profundamente a um homem. 

Me lembro que, certa feita, os organizadores de um congresso de missões, trouxeram do Oriente Médio, um ex muçulmano convertido à Cristo, que era uma espécie de consultor para missionários ocidentais que queriam ir para o Oriente Médio, que sempre era chamado para dar treinamento a esses missionários. 

Naquele congresso especifico, algumas irmãs pediram para ter uma reunião com ele, pois queriam saber como poderiam ir para o Oriente Médio para evangelizar as mulheres. Esse irmão, então, começou a aula para as mulheres dizendo que elas nunca iriam conseguir evangelizar as mulheres do mundo dele. Quando elas perguntaram, por quê? Ele disse “Porque as senhoras estão olhando nos meus olhos, me fazendo uma pergunta direta, e não pediram licença para fazer a pergunta. Isso é inadmissível para uma mulher na minha cultura. Elas estariam olhando para o chão, não me contestariam, e pediriam permissão para me fazer uma pergunta”. 

Essa mulher samaritana tinha essa postura, reprovada pelo consultor missionário, de quem não se submete facilmente, de que tem opinião própria, de quem quer participar, e isso era um tabu. E vemos isso na forma como ela fala com Jesus, se contrapondo a Ele: “Como o senhor, sendo judeu, pede a mim, uma samaritana, água para beber?”. Quando ela diz: “acaso o senhor é maior do que o nosso pai Jacó?”, vemos a percepção teológica dessa mulher. Ela sabe que está diante de um milagre, pois, aquele poço tinha mais de mil anos, e continuava a dar água.  

Ao ser perguntado se era maior que Jacó, Jesus responde, como se dissesse: “Sou, pois que o eu ofereço é Vida Eterna, e Jacó não tinha como oferecer isso”. Assim que a mulher disse que queria da água, Jesus pede para ela chamar seu marido, ao que ela revela que não tinha marido. É como se ela dissesse: não tenho ninguém a quem chamar, não chamarei ninguém, se quiser falar sobre algo comigo, faça-o a mim, ou não o fará. Essa senhora parece mais uma precursora do que chamaríamos, hoje, de emancipação feminina.

Quando aquela mulher disse a Jesus que não tinha marido, foi surpreendida por Jesus que disse: “é verdade, pois, esse que está com você, agora, não é seu marido, isso você falou com verdade”. Estamos diante de uma mulher especial, sofrendo o tabu da sua geração. 

Porém, ela está sendo salva por um Deus que quebra tabus, desconsidera preconceitos e liberta os homens dos efeitos destes preconceitos, assim como clama aos preconceituosos que se arrependam, enquanto é possível. Preconceito é o supra-sumo da auto veneração. Qualquer pessoa que discrimine a outro ser humano é réu do inferno.

Jesus começa a dizer-lhe algo que ela jamais esperaria ouvir de um homem, ainda mais de um judeu, ainda mais de um mestre. Ela diz, “senhor, vejo que tu és profeta. Nossos pais adoravam neste monte, vós, entretanto dizeis que em Jerusalém é o lugar onde se deve adorar” e Jesus lhe disse, “Mulher, podes crer que a hora vem quando nem neste monte, nem em Jerusalém adorareis o Pai, vós adorais o que não conheceis, nós adoramos o que conhecemos porque a salvação vem dos judeus, mas vem a hora, e já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espirito e em verdade porque são estes que o Pai procura para seus adoradores. Deus é espirito, e importa que seus adoradores o adorem em espirito e em verdade”. Essa frase de Jesus é extraordinária, porque adorar não é cantar. Adorar, é pedir perdão para Deus. 

Quando ela diz “nossos pais adoravam nesse monte” está apontando para o monte Gerizim, onde as tribos do norte construíram um templo, que rivalizava com o templo de Jerusalem. Historicamente, o monte de Gerizim era o lugar mais adequado para construir um templo, pois quase tudo o que aconteceu na história de Israel em termos de adoração a Deus, aconteceu no monte Gerizim. Davi, entretanto, conquistou a terra dos Jebuzeus, conquistou o monte Sião, conquistou Jerusalém, e o Senhor decidiu que se poderia construir o templo em Jerusalem. 

O que se fazia no templo? A pessoa que ia no templo, tanto em Gerizim, quanto em Jerusalem, ia pedir perdão. Por que o sujeito está indo no templo? Porque ele quebrou a lei de Moisés e vai levar um animal para morrer no lugar dele. Adorar a Deus, é pedir perdão. 

E isso me parece absolutamente natural, porque tudo o que eu disser a Deus, não o alcança. Eu posso dizer que Deus é bom, mas o bom que eu sou capaz de dizer é infinitamente menor do que o bom que Deus é. Eu posso dizer que Deus é amor, mas o amor que eu sou capaz de dizer, é infinitamente menor que o amor que Deus é. Então quando é que a minha palavra realmente toca Deus? Quando eu digo a Ele: ‘ Me perdoa Senhor, faça em mim a tua vontade’. Isso é adorar a Deus.
Jesus diz para a mulher “O lugar de adorar é em Jerusalém, pois a Salvação vem dos judeus, nós recebemos a revelação, "mas vem a hora, e já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espirito e em verdade”, ou seja, já chegou a hora, em que você vai poder pedir perdão a Deus a qualquer hora e em qualquer lugar. Porque Deus é espirito, então Ele está em todos os lugares, Deus não pode ser contido em lugar nenhum e em espaço algum. 

Se ela tivesse ido mais longe na conversa, poderia ter feito duas perguntas. A primeira pergunta seria: ‘então não precisa mais de templo?’ e Jesus diria ‘ não, não precisa mais de templo, nem em Jerusalém, nem no monte Gerizim. O templo passará a ser você e todo lugar.’ A segunda pergunta que ela poderia ter feito é:  ‘e quem vai morrer em meu lugar?’ E Jesus responderia: ‘eu morro no seu lugar’. 

Repare que essa mulher é brilhante, pois quando ela diz a Jesus “Nossos pais adoravam neste monte, vós, entretanto dizeis que em Jerusalém é o lugar onde se deve adorar” o que ela estava querendo dizer a Jesus era algo, como: ‘eu sei que tenho um problema para resolver com Deus, mas ninguém mais sabe aonde se resolve o problema com Deus, os nossos pais disseram que era em Gerizim, e vocês dizem que é em Jerusalém, ou seja, não se sabe, ao certo, de nada’

Jesus interrompe a mulher e diz algo, como: ‘você sabe sim, é lá em Jerusalém. Nós adoramos o que conhecemos e vocês adoram o que não conhecem, porque a salvação vem dos judeus’. O assunto é Salvação. Ele continua: ‘mas chegou a hora em que você vai poder pedir perdão a Deus em qualquer lugar’. 

A mulher diz algo parecido a: ‘eu sei, que muitas coisas vão mudar, QUANDO VIER O MESSIAS CHAMADO O CRISTO!’ Os fariseus não perceberam isso, e ela percebeu. O que ela parece dizer é:  ‘eu sei que tudo é provisório e somente o Messias, quando vier, nos anunciará todas as coisas, e trará o definitivo. Isso foi tão extraordinário, que ela “forçou” Jesus a se revelar! E ele diz: 'o Cristo sou EU. EU que falo contigo!' Jesus se revela como aquele que veio anunciar todas as coisas. 

Ela percebeu que tudo era provisório e que só havia um alguém capaz de mudar isso, de pôr fim à provisoriedade dessas coisas, e esse alguém era o Messias. É como se ela estivesse dizendo a ela estava dizendo a Jesus: ‘O senhor pode ser profeta, mas o senhor está indo longe demais. Só o Messias pode mudar isso’, e Jesus responde, algo como: ‘exato! Eu sou o Messias, eu vim para mudar todas as coisa!’ 

Jesus quebrou muitos preconceitos nesse texto. Primeiro, o dos judeus com os samaritanos ao conversar com uma mulher samaritana; depois, o dos homens judeus contra as mulheres; depois, o da cuia comum, pois, um judeu não podia beber água na mesma cuia que um samaritano (pois se ele o fizesse estaria imundo e ficaria 40 dias sem poder prestar culto a Deus); depois, quando começou a falar com a mulher, Jesus a tratou como se tratava um mestre, pois ficaram discutindo assuntos teológicos. E mais, Jesus ofereceu Água Viva (o Espírito Santo) para aquela mulher já cansada de tanto tabu, de tanto divórcio, só porque tinha opinião própria, e de, agora, estar exposta ao vitupério por causa de uma sociedade preconceituosa. A Água Viva, a presença do Espírito Santo, seria a vida eterna dentro dela, que a tornaria uma pessoa acima de qualquer preconceito, ou melhor, além de qualquer preconceituoso.

Quando qualquer pessoa trata o próximo com e a partir do preconceito, essa pessoa demonstra ser um assassino em potencial, e se torna réu do inferno. Estamos assistindo isso no Brasil cada vez mais. Em pleno século XXI está ficando cada vez pior ser negro no Brasil, e eu vejo isso dentro da igreja. Esse preconceito deve estar consumindo Jesus, no que resta de seus sofrimentos pela Igreja.

Do quê se alimenta alguém que fez jejum de si mesmo? Ele se alimenta de libertar o próximo, de todos aqueles que não conseguem fazer jejum de si mesmo. E nesse mundo moderno, nós temos o preconceito racial sendo retomado ao nível da náusea, e temos esse preconceito com as mulheres que estão sendo tratadas, cada vez mais, como se todas elas fossem escravas sexuais: na violência que sofrem no ambiente doméstico, nas violações, na forma como são tratadas e na forma como são expostas na mídia, como se fossem mercadorias.

Então, do quê que se alimenta alguém que faz jejum de si mesmo? Se alimenta da disposição e da disponibilidade nas mãos de Deus para libertar todos aqueles que sofrem preconceito por parte de gente que se recusa a fazer jejum de si mesmo. E a denunciar todo esse nível de preconceito. 

Jesus libertou essa mulher de uma forma impressionante. Jesus ainda vai quebrar mais preconceitos, porque, quando chegam os judeus, seus discípulos, eles se admiram. Nesse trecho: “Os discípulos chegaram e se admiraram”, é interessante notar a reação descrita - o ‘se admiraram’ é levar um susto, se surpreender. Como se eles estivessem dizendo: “o que deu nele?” Mas como era Jesus, eles não disseram nada. 

Então começaram a oferecer comida para Jesus, que disse ter uma comida que ninguém conhecia, e que a comida, que ele tinha, era fazer a vontade daquele o havia enviado. “A minha comida consiste em fazer a vontade daquele que me enviou a realizar a sua obra”. Qual é a obra de Deus? Libertar os seres humanos de toda forma de opressão, a começar pela opressão que nasce do preconceito, que é a opressão mais comum porque é a menos rechaçada. E é a menos enfrentada porque é socialmente aceita. Por exemplo, é socialmente aceito um sujeito fazer piada às custas das mulheres ou dos pretos, ou de quaisquer etnias. A discriminação foi assimilada. E as mulheres se submetem, pois tem de sobreviver, e a maioria dos negros também se submetem, pois, às vezes, parece que não há o que fazer.

Este é um país que assassina pretos e pobres, é uma veia aberta na rua, o sangue jorra nas sarjetas desse país. A barbárie, o preconceito, a discriminação, o desrespeito. Se eu fosse dar outro nome para essa mensagem, eu daria “Jesus contra o Brasil”. Esse país preconceituoso, e em muitos casos, preconceituoso em nome de Deus, que é um acinte, um achincalhe da fé.

O que Jesus fez com a mulher samaritana foi quebrar preconceitos: um atrás do outro. certamente, muito mais do que nos é possível imaginar. Estamos há dois mil anos do evento, e, por causa do nosso limite, em relação à cultura, não conseguimos ter toda a ideia do que estava acontecendo ali. 

É o mesmo caso de Marta e Maria, quando Marta estava preocupada arrumando a casa e exigindo a presença de Maria, enquanto Maria estava desfrutando da presença de Jesus. Parece que Jesus está sendo injusto com a Marta, porque ela realmente estava tendo trabalho, mas não era essa a questão. A questão é que Maria estava sentada aos pés de Jesus ouvindo os ensinos dele, e isso só era permitido aos homens. Só os homens podiam ser discipulos, as mulheres não, então as mulheres não se assentavam aos pés dos mestres. Marta estava tentando salvar a Maria da vergonha, e Jesus do vexame. Mas Jesus aceita a presença de Maria, o que significava que ele aceitava Maria como discípula, e adverte Marta sobre sua agitação. Na verdade, o que Jesus estava dizendo é: ‘Marta, você também devia se sentar aqui’. Não temos ideia de quantos tabus e preconceitos que Jesus rompeu.

A pergunta que nós fizemos foi: do quê se alimenta aquele que fez jejum de si mesmo? Ele se alimenta de ser instrumento de Deus para a realização da sua obra. E qual é a obra de Deus? Libertar os homens de toda a sorte de opressão, a começar pelo preconceito. Essa é a obra de Deus.

Aquela mulher levou todos de sua aldeia para encontrar com Jesus, e eles se converteram. Jesus quebrou mais um tabu, pregou o evangelho, apresentou-se, ele o Messias de Israel, aos samaritanos, e os samaritanos creram nEle. Os judeus devem ter ficado muito irritados com Jesus!

Que nós, a Igreja de Jesus, entendamos qual é o nosso papel na Terra, temos de sair dessa religião individualista, que vive pedindo benção para Deus, mas nunca se torna benção na mão de Deus. Por quê esse país tornou-se esse câncer exposto quando a fé cristã parece crescer tanto? Porque a fé cristã que está crescendo, não é a fé que, de um lado faz jejum de si mesmo, e, de outro lado, se alimenta em realizar a obra de libertação de Deus.
Para nós, homens, cumprirmos o nosso papel masculino e sermos os sacerdotes da nossa casa, nós não precisamos ter medo da inteligência, quanto mais brilhante for a pessoa que estiver do nosso lado, mais fácil é ser sacerdote. Os homens estão abrindo mão da sua postura de sacerdotes do lar e estão, cada vez mais, se assumindo como gente que se defende, sendo cada vez mais violentos. E a violência é a arma dos incompetentes, dos que perderam o seu sentido de função na história, e perderam a sua identidade.

Homem, seja o sacerdote da sua casa, seja o sujeito que leva a sua casa a orar, seja o sujeito que leva a sua casa para Deus. E que Deus o tenha agraciado com esposa e filhos brilhantes. E não pense que autoridade é a arte de mandar, autoridade é a arte de ser admirado, e quanto mais uma pessoa aprende a ouvir e a ponderar, antes de decidir, mais admirado é. Porque na multidão dos conselhos há sabedoria.

Jesus quebrou muitos tabus sem, em nenhum momento, abrir mão da sua posição. Nesse texto, Jesus denunciou o preconceito de uma geração, libertando uma mulher de um estigma negativo, e, na prática, dizendo para ela: “ Eu vim lhe trazer Vida Eterna! E a Vida Eterna fará você transcender, superar qualquer preconceito e enfrentar os preconceituosos.” Que Deus nos abençoe!