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sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Deixem os atletas em Paz!

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JUCA KFOURI

Deixem Jesus em paz

Está ficando a cada dia mais insuportável o proselitismo religioso que invadiu o futebol brasileiro

MEU PAI, na primeira vez em que me ouviu dizer que eu era ateu, me disse para mudar o discurso e dizer que eu era agnóstico: "Você não tem cultura para se dizer ateu", sentenciou.
Confesso que fiquei meio sem entender. Até que, nem faz muito tempo, pude ler "Em que Creem os que Não Creem", uma troca de cartas entre Umberto Eco e o cardeal Martini, de Milão, livro editado no Brasil pela editora Record.
De fato, o velho tinha razão, motivo pelo qual, ele mesmo, incomparavelmente mais culto, se dissesse agnóstico, embora fosse ateu.
Pois o embate entre Eco e Martini, principalmente pelos argumentos do brilhante cardeal milanês, não é coisa para qualquer um, tamanha a profundidade filosófica e teológica do religioso. Dele entendi, se tanto, uns 10%. E olhe lá.
Eco, não menos brilhante, é mais fácil de entender em seu ateísmo.
Até então, me bastava com o pensador marxista, também italiano, Antonio Gramsci, que evoluiu da clássica visão que tratava a religião como ópio do povo para vê-la inclusive com características revolucionárias, razão pela qual pregava a tolerância, a compreensão, principalmente com o catolicismo.
E negar o papel de resistência e de vanguarda de setores religiosos durante a ditadura brasileira equivaleria a um crime de falso testemunho, o que me levou, à época, a andar próximo da Igreja, sem deixar de fazer pequenas provocações, com todo respeito. Respeito que preservo, apesar de, e com o perdão por tamanha digressão, me pareça pecado usar o nome em vão de quem nada tem a ver com futebol, coisa que, se bem me lembro de minhas aulas de catecismo, está no segundo mandamento das leis de Deus.
E como o santo nome anda sendo usado em vão por jogadores da seleção brasileira, de Kaká ao capitão Lúcio, passando por pretendentes a ela, como o goleiro Fábio, do Cruzeiro, e chegando aos apenas chatos, como Roberto Brum.
Ninguém, rigorosamente ninguém, mesmo que seja evangélico, protestante, católico, muçulmano, judeu, budista ou o que for, deveria fazer merchan religioso em jogos de futebol nem usar camisetas de propaganda demagógicas e até em inglês, além de repetir ameaças sobre o fogo eterno e baboseiras semelhantes, como as da enlouquecida pastora casada com Kaká, uma mocinha fanática, fundamentalista ou esperta demais para tentar nos convencer que foi Deus quem pôs dinheiro no Real Madrid para contratar seu jovem marido em plena crise mundial. Ora, há limites para tudo.
É um tal de jogador comemorar gol olhando e apontando para o céu como se tivesse alguém lá em cima responsável pela façanha, um despropósito, por exemplo, com os goleiros evangélicos, que deveriam olhar também para o alto e fazer um gesto obsceno a cada gol que levassem de seus irmãos...
Ora bolas!
Que cada um faça o que bem entender de suas crenças nos locais apropriados para tal, mas não queiram impingi-las nossas goelas abaixo, porque fazê-lo é uma invasão inadmissível e irritante.
Não mesmo é à toa que Deus prefere os ateus...

Li o seu texto. Sempre admirei a sua lucidez. Gostaria de dizer-lhe, entretanto, que o mesmo direito que você tem de ser ateu, outro tem de ser religioso.

Há quem diga que viveremos várias vidas, o certo, entretanto, como disse Vinicius de Morais, é que só temos consciência desta. E cada um precisa achar um sentido para a vida que vive. E cada sentido se basta por si.

Nada é mais sagrado do que alguém poder explicar a sua vida como o quiser, e atribuir a quem quiser os louros que auferiu. Se os dinamarqueses não gostam de como os brasileiros explicam sua performance em campo, eles que se lixem. Cada povo tem direito à sua cultura, e o futebol é um espetáculo cultural.

O conjunto de nossos atletas é religioso, a exemplo do nosso povo, e, como tal, explica a sua vida. Não estão se impondo, estão se explicando, não aos demais, mas a si mesmo.

Nós, os espectadores, exigimos dos atletas performance à altura de nossa expectativa, senão, o banimento. Deixemo-os em paz! Eles têm o direito de explicar-se, e de dizer porque conseguem superar a pressão de satisfazer a expectativa do mundo.

Agora, além de exigir que joguem o esperamos que joguem, sem levar em conta que são apenas seres humanos, com altos e baixos, queremos lhes proibir de extravasar que é por sua fé que suportam a pressão da máguina? Isso é desrespeito pelo indivíduo.