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sexta-feira, 21 de junho de 2013

O Grito Não Pode Ser Distorcido!


Ariovaldo Ramos

“Jovens, eu vos escrevi porque sois fortes, e a palavra de Deus permanece em vós, e tendes vencido o Maligno”

Paulo, um dos grandes articuladores do movimento cristão, experimentou um fenômeno social curioso.

Ele e o seu companheiro de propagação, foram protagonistas de um ato extraordinário, numa das cidades da Ásia Menor,  foram tidos como deuses, e os queriam homenagear, eles resistiram, deixando claro a visão que estavam a compartilhar.

Pouco tempo depois, adversários de Paulo chegaram à cidade e, contra todas as expectativas, convenceram a multidão que, a pouco, queria homenagear Paulo a mata-lo a pedradas.

Isso é o que pode acontecer quando estamos a mexer com a multidão.

Jovens, vocês estão nas ruas. E estão por uma ótima causa: o bem do país.

Porém, cuidado! Tudo que tem a ver com multidão pode ser subvertido.

Paulo foi apedrejado e quase morre, ele viu a força da massa quando ela perde o foco e se deixa influenciar pelos que querem a destruição.

Lembrem-se, destruição não é um propósito, destruição é o fim de todo o propósito.

Jovens, não percam a palavra da construção de uma nova sociedade: justa, com controle social, onde haja tolerância zero para a corrupção.

Jovens, não se deixem corromper!

Por outro lado, se as autoridades não derem mostras de audição ativa, haverá o perigo do apedrejamento movido por aproveitadores, para quem  todo o propósito é o fim de qualquer proposição.

Autoridades, ouçam o grito das ruas, o grito dos jovens, e listem as reinvindicações, e  tornem tais clamores em programa de governo.

terça-feira, 18 de junho de 2013

Vamos às ruas!


Vamos às ruas!

Ariovaldo Ramos

Os fundadores do Movimento Cristão enfrentaram um protesto popular.

Eles tinham autoridade reconhecida, e o povo cristão tinha tudo em comum.

O povo entregava tudo aos fundadores, e eles administravam de forma a que todos fossem agraciados, segundo a necessidade de cada um.

Mas, com o crescimento do movimento, eles não conseguiam mais administrar com a eficácia necessária.

Houve um protesto popular.

Os fundadores pararam para ouvir aos manifestantes, e reconheceram a legitimidade do movimento.

Os fundadores, então, entregaram a administração dos fundos ao controle popular.

Livremente, os manifestantes elegeram aos seus representantes, e estes passaram a administrar o bem comum. E a justiça desejada foi alcançada.

O povo brasileiro está nas ruas.

O povo não quer ficar à deriva do poder, quer direcionar o poder.

O governo, como o fez a Presidenta, tem de admitir: o bem comum está sendo mal administrado.

O Estado tem de se abrir para o controle social.

Como? Isso tem de ser buscado. Uma forma deve haver.

O povo está certo: quem tem de estabelecer as prioridades é a população.

E mais, quem tem de ter controle sobre os gastos é a população, tudo tem de passar por controle social.

Se a Presidenta souber ler este mover popular, saberá que, agora, é a hora de fazer todas as reformas que todos sabemos que precisam ser feitas: política, tributária, jurídica, partidária, eleitoral.

O movimento não é contra alguém, o movimento é a favor do Brasil.

Não pode mais haver espaço para a corrupção, para a exploração, para que o bem seja de poucos, em detrimento da maioria.

É o caso das tarifas do transporte público, que encarece sem ganhar nada de eficácia.

A FIFA diz que se continuar assim, não haverá COPA.

Alguém tem de dizer, a esta organização, que não há governo mundial, que há Povo, há Leis e há Estado, e que isso não pode ser subvertido em nome de nada, muito menos em nome de eventos esporádicos, por mais internacionais que o sejam.

O povo está certo! Vamos todos às ruas! Democratas são os que reconhecem que todo o poder emana do povo e só para o bem do povo pode ser exercido.

domingo, 26 de maio de 2013

PAI nosso

Ariovaldo Ramos

Vós orareis assim: Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o vosso nome, venha a nós o vosso reino, seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu. O pão nosso de cada dia dai-nos hoje. Perdoa-nos as nossas dívidas assim como nós perdoamos aos nossos devedores. E não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal. Pois vosso é o reino o poder e a glória para sempre, amém!

Poder chamar ao PAI do Senhor na qualidade de filho dele, também, é um privilégio indescritível.

Chama-lo de PAI Nosso, então, é celebrar uma restauração irreprimível!

Quando caímos como raça, caímos como família, o irmão passou a ser o diferente, o concorrente, o adversário, o desigual.

Quando nos damos  conta de que o PAI, que só deveria ser do Senhor, é, pós Cristo, Nosso, também, percebemos que a noção de família humana foi resgatada.

O primeiro resgate, a partir do relacionamento com o PAI, é o da igualdade. Se o PAI está disposto a ser chamado, por todos os seres humanos, de PAI, é porque para ele todos os seres humanos são, perante ele, iguais.

Resgatar a igualdade entre os seres humanos é coloca-los como sujeitos de direitos, dos  mesmos direitos, pois os coloca como iguais em dignidade.

Meditação: Ao me dirigir ao PAI sou obrigado a reconhecer aos demais seres humanos como iguais a mim, uma vez que o privilégio não é exclusivo, mas, potencialmente, extensivo a todos.


Oração: PAI Nosso agradeço por recuperar a minha visão da humanidade, me concede, por tua graça, reconhecer e lutar pelo reconhecimento da dignidade de todos os seres humanos. Em nome de JESUS, amém!

sexta-feira, 24 de maio de 2013

A Igreja

Ariovaldo Ramos

“E, perseverando unânimes todos os dias no templo, e partindo o pão em casa, comiam com alegria e singeleza de coracao” At 2.46

Ele era um nobre romano fiel ao imperador, orgulhoso do império. Há alguns dias ele não estava bem. A vida estava um emaranhado que parecia pior que o nó górdio. Ele não descansava, não dormia mais, não sabia mais o que era paz. Já havia oferecido sacrifício a todos os deuses que conhecia... e nada se resolvera, a vida não saia do lugar. O pior era angústia.

Um de seus muitos escravos se aproximou dele, com muito cuidado, e lhe perguntou se poderia interceder por ele junto ao seu Deus. O cônsul, acostumado a um mundo de deuses, perguntou a que Deus o escravo se referia e que tipo de holocausto teria de ser prestado. E foi surpreendido pela resposta de que o holocausto era o próprio Deus, portanto, nada custaria, e que o nome do Deus, era Jesus. E, mais, que Jesus era a encarnação do único Deus do Mundo.

O nobre achou a resposta, em extremo, petulante, mas, pensou: Pior do que está não pode ficar.  Então, concordou com a oração. Outra surpresa! A oração, simples e direta, foi realizada ali mesmo, no recinto, sem necessidade de qualquer sacerdote, pelo escravo mesmo, que ousou impor as mãos sobre o seu proprietário.

Como ele havia autorizado, controlou a indignação, e se retirou arrependido de ter permitido tal insânia. Como já era noite, dirigiu-se para o seu quarto, para mais uma tentativa, que ele sabia inglória, de dormir. Há muito ele não sabia o que era dormir.

A noite passou rápida, muito mais rápida do que de costume, e ele só se deu conta quando um de seus escravos entrou no quarto, abriu as cortinas e  lhe anunciou o dia. Sim, ele dormira como nunca,  como não sabia mais ser possível!

Imediatamente, mandou chamar ao escravo que orara por ele. Tão logo entra o homem, ele corre para agradecer, perguntando como poderia pagar àquele Deus por tão grande graça. O escravo reitera que nada custava, mas, ele poderia participar da reunião que seria feita naquela noite, em louvor ao Deus Jesus.

O nobre recuou, disse que iria pensar, e dispensou o escravo.

Passou o dia a pensar, já tinha ouvido falar dessa nova seita, vinda da Judéia, que dizia que o Deus invisível dos Judeus se fez visível, porque se encarnou, que foi morto pelo império romano, mas, que segundo os seus seguidores, tinha ressurgido três dias depois de sua crucificação.

Sabia que tal seita não gozava da simpatia do império, por insistir na adoração a um Deus só. É verdade que os judeus já o faziam, mas, os judeus mantinham a coisa entre eles, e com tantas exigências, que as conversões não incomodavam, mas esses tinham um caráter universal e, de certa forma, eram um tipo diferente de revolucionários.

Ele não podia negar, entretanto,  que dormira, depois de muito tempo, e, mais, estava se sentindo como nunca se sentira, como se houvesse tocado, ou sido tocado por algo, ou alguém acima e além. Decidiu que o mínimo que poderia fazer era agradecer.

O ambiente da reunião era indescritível, todos sorrindo, cantando, saudando-se, todos escravos, seus escravos, aliás, ele se deu conta de que todos os seus escravos estavam ali. Naquela noite, recebiam uma visita. Um judeu que havia andado com Jesus. Esse homem simples, sem pompa, com um sorriso cheio de felicidade, contou o que significara andar com Jesus e como Jesus andou.

Ele não sabia explicar, mas, no fim daquela explanação, tudo o que ele queria era, também, andar com Jesus. Quase simultâneo ao seu pensamento, o judeu disse que era possível andar com Jesus, porque, graças à ressurreição ele estava vivo e disposto andar com todos os seres humanos.

Ele pensou: Ah! Como eu gostaria! Mas, ele não vai me aceitar... eu sei como eu sou! De fato, naquele momento, sabia de si como jamais o soubera antes. 

O Judeu, que parecia ler o seu pensamento disse: Talvez você esteja pensando que Jesus jamais andaria com alguém como você, você está enganado, Jesus recebe a todos e, por causa de seu ato santificador na cruz, todos fomos perdoados, e como fruto de sua vitória, pela ressurreição, o Espírito Santo vem morar em nós e nos transforma em gente como Jesus.

Ele não conseguiu se manter sentado, num salto gritou: Eu quero! E, antes de que se desse conta, ele estava de joelhos, o Judeu, assim como alguns de seus escravos puseram a mão sobre a sua cabeça e alguém o abraçou.

Agora, de pé, ele não conseguia olhar para as pessoas que adquirira, como antes, ele nem conseguia mais se ver como seu. Ele sabia que aquelas pessoas eram suas irmãs, como ele os ouvira saudarem-se. E foi informado que os seus escravos, que colocaram as mãos sobre ele, eram os presbíteros daquela comunidade, que eles chamavam de a Igreja. E ele se juntou a eles pelo batismo.

Tudo estava diferente, eles comiam juntos, a fazenda era tocada como propriedade coletiva, a dignidade de todos foi reconhecida, não havia senhor e escravos, havia apenas irmãos. Todos moravam juntos com qualidade semelhante de vida. Ali, o Império Romano tinha acabado!

Um dia, na hora do almoço, o irmão, que não se via mais como nobre, recebeu a visita do cônsul com quem participara de algumas batalhas pelo império. O cônsul o surpreendeu à mesa com todos os que deveriam ser seus escravos, eram todos iguais e igualmente alegres e festivos. Uma alegria que o cônsul jamais imaginou que pudesse existir.

Num misto de surpresa e indignação o cônsul perguntou ao antigo companheiro de armas: O que está acontecendo aqui? Calmo, como o colega nunca o conhecera, o agora, mais um irmão em Cristo, respondeu: A Igreja, o que está acontecendo aqui é a Igreja.