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domingo, 26 de maio de 2013

PAI nosso

Ariovaldo Ramos

Vós orareis assim: Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o vosso nome, venha a nós o vosso reino, seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu. O pão nosso de cada dia dai-nos hoje. Perdoa-nos as nossas dívidas assim como nós perdoamos aos nossos devedores. E não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal. Pois vosso é o reino o poder e a glória para sempre, amém!

Poder chamar ao PAI do Senhor na qualidade de filho dele, também, é um privilégio indescritível.

Chama-lo de PAI Nosso, então, é celebrar uma restauração irreprimível!

Quando caímos como raça, caímos como família, o irmão passou a ser o diferente, o concorrente, o adversário, o desigual.

Quando nos damos  conta de que o PAI, que só deveria ser do Senhor, é, pós Cristo, Nosso, também, percebemos que a noção de família humana foi resgatada.

O primeiro resgate, a partir do relacionamento com o PAI, é o da igualdade. Se o PAI está disposto a ser chamado, por todos os seres humanos, de PAI, é porque para ele todos os seres humanos são, perante ele, iguais.

Resgatar a igualdade entre os seres humanos é coloca-los como sujeitos de direitos, dos  mesmos direitos, pois os coloca como iguais em dignidade.

Meditação: Ao me dirigir ao PAI sou obrigado a reconhecer aos demais seres humanos como iguais a mim, uma vez que o privilégio não é exclusivo, mas, potencialmente, extensivo a todos.


Oração: PAI Nosso agradeço por recuperar a minha visão da humanidade, me concede, por tua graça, reconhecer e lutar pelo reconhecimento da dignidade de todos os seres humanos. Em nome de JESUS, amém!

sexta-feira, 24 de maio de 2013

A Igreja

Ariovaldo Ramos

“E, perseverando unânimes todos os dias no templo, e partindo o pão em casa, comiam com alegria e singeleza de coracao” At 2.46

Ele era um nobre romano fiel ao imperador, orgulhoso do império. Há alguns dias ele não estava bem. A vida estava um emaranhado que parecia pior que o nó górdio. Ele não descansava, não dormia mais, não sabia mais o que era paz. Já havia oferecido sacrifício a todos os deuses que conhecia... e nada se resolvera, a vida não saia do lugar. O pior era angústia.

Um de seus muitos escravos se aproximou dele, com muito cuidado, e lhe perguntou se poderia interceder por ele junto ao seu Deus. O cônsul, acostumado a um mundo de deuses, perguntou a que Deus o escravo se referia e que tipo de holocausto teria de ser prestado. E foi surpreendido pela resposta de que o holocausto era o próprio Deus, portanto, nada custaria, e que o nome do Deus, era Jesus. E, mais, que Jesus era a encarnação do único Deus do Mundo.

O nobre achou a resposta, em extremo, petulante, mas, pensou: Pior do que está não pode ficar.  Então, concordou com a oração. Outra surpresa! A oração, simples e direta, foi realizada ali mesmo, no recinto, sem necessidade de qualquer sacerdote, pelo escravo mesmo, que ousou impor as mãos sobre o seu proprietário.

Como ele havia autorizado, controlou a indignação, e se retirou arrependido de ter permitido tal insânia. Como já era noite, dirigiu-se para o seu quarto, para mais uma tentativa, que ele sabia inglória, de dormir. Há muito ele não sabia o que era dormir.

A noite passou rápida, muito mais rápida do que de costume, e ele só se deu conta quando um de seus escravos entrou no quarto, abriu as cortinas e  lhe anunciou o dia. Sim, ele dormira como nunca,  como não sabia mais ser possível!

Imediatamente, mandou chamar ao escravo que orara por ele. Tão logo entra o homem, ele corre para agradecer, perguntando como poderia pagar àquele Deus por tão grande graça. O escravo reitera que nada custava, mas, ele poderia participar da reunião que seria feita naquela noite, em louvor ao Deus Jesus.

O nobre recuou, disse que iria pensar, e dispensou o escravo.

Passou o dia a pensar, já tinha ouvido falar dessa nova seita, vinda da Judéia, que dizia que o Deus invisível dos Judeus se fez visível, porque se encarnou, que foi morto pelo império romano, mas, que segundo os seus seguidores, tinha ressurgido três dias depois de sua crucificação.

Sabia que tal seita não gozava da simpatia do império, por insistir na adoração a um Deus só. É verdade que os judeus já o faziam, mas, os judeus mantinham a coisa entre eles, e com tantas exigências, que as conversões não incomodavam, mas esses tinham um caráter universal e, de certa forma, eram um tipo diferente de revolucionários.

Ele não podia negar, entretanto,  que dormira, depois de muito tempo, e, mais, estava se sentindo como nunca se sentira, como se houvesse tocado, ou sido tocado por algo, ou alguém acima e além. Decidiu que o mínimo que poderia fazer era agradecer.

O ambiente da reunião era indescritível, todos sorrindo, cantando, saudando-se, todos escravos, seus escravos, aliás, ele se deu conta de que todos os seus escravos estavam ali. Naquela noite, recebiam uma visita. Um judeu que havia andado com Jesus. Esse homem simples, sem pompa, com um sorriso cheio de felicidade, contou o que significara andar com Jesus e como Jesus andou.

Ele não sabia explicar, mas, no fim daquela explanação, tudo o que ele queria era, também, andar com Jesus. Quase simultâneo ao seu pensamento, o judeu disse que era possível andar com Jesus, porque, graças à ressurreição ele estava vivo e disposto andar com todos os seres humanos.

Ele pensou: Ah! Como eu gostaria! Mas, ele não vai me aceitar... eu sei como eu sou! De fato, naquele momento, sabia de si como jamais o soubera antes. 

O Judeu, que parecia ler o seu pensamento disse: Talvez você esteja pensando que Jesus jamais andaria com alguém como você, você está enganado, Jesus recebe a todos e, por causa de seu ato santificador na cruz, todos fomos perdoados, e como fruto de sua vitória, pela ressurreição, o Espírito Santo vem morar em nós e nos transforma em gente como Jesus.

Ele não conseguiu se manter sentado, num salto gritou: Eu quero! E, antes de que se desse conta, ele estava de joelhos, o Judeu, assim como alguns de seus escravos puseram a mão sobre a sua cabeça e alguém o abraçou.

Agora, de pé, ele não conseguia olhar para as pessoas que adquirira, como antes, ele nem conseguia mais se ver como seu. Ele sabia que aquelas pessoas eram suas irmãs, como ele os ouvira saudarem-se. E foi informado que os seus escravos, que colocaram as mãos sobre ele, eram os presbíteros daquela comunidade, que eles chamavam de a Igreja. E ele se juntou a eles pelo batismo.

Tudo estava diferente, eles comiam juntos, a fazenda era tocada como propriedade coletiva, a dignidade de todos foi reconhecida, não havia senhor e escravos, havia apenas irmãos. Todos moravam juntos com qualidade semelhante de vida. Ali, o Império Romano tinha acabado!

Um dia, na hora do almoço, o irmão, que não se via mais como nobre, recebeu a visita do cônsul com quem participara de algumas batalhas pelo império. O cônsul o surpreendeu à mesa com todos os que deveriam ser seus escravos, eram todos iguais e igualmente alegres e festivos. Uma alegria que o cônsul jamais imaginou que pudesse existir.

Num misto de surpresa e indignação o cônsul perguntou ao antigo companheiro de armas: O que está acontecendo aqui? Calmo, como o colega nunca o conhecera, o agora, mais um irmão em Cristo, respondeu: A Igreja, o que está acontecendo aqui é a Igreja.





quarta-feira, 22 de maio de 2013

Perdão.

Ariovaldo Ramos

e perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós também temos perdoado aos nossos devedores; Mt 6.12

Eu soube de um homem, conhecido por ter levado a Cristo, um jovem que se tornou um grande líder cristão.
Não sei o nome dele.
Sei, também, que ele recebeu na casa dele um jovem que não tinha onde morar, alguém que evangelizava como evangelizou o jovem, mais tarde líder.
Sei, também, que ele tinha uma filha, uma jovem bonita, dedicada e muito amada.
Um dia esse moço que ele abrigou em sua casa, se encantou pela filha do homem que o abrigara em sua casa.
Ao invés de ir pelo caminho comum a todos os que se enamoram, esse jovem, hóspede do pai da moça, cuidado e alimentado por essa família, simplesmente, atacou a moça, a estuprou e a matou.
Fez isso no caminho, no caminho por onde ela passava e ele sabia.
Houve luta, e as marcas de que fora ele estavam espalhadas pelo chão, ele fugira estabanadamente.
Horror! Angustia! Revolta! Imagina o que isso causou numa cidade pequena! O pai da moça era muito conhecido e muito respeitado.
Esse homem, que teve a filha barbaramente atacada e morta, depois de ter chorado profundamente a perda de sua querida menina, voltou-se para a esposa e lhe disse: Preciso achar esse menino antes que a polícia o faça... Não posso permitir que o matem!
E ele encontrou o jovem e, pessoalmente, o entregou à polícia.
O jovem foi julgado e condenado à morte.
Esse pai, porém, visitou esse moço diariamente, e, diariamente orou por ele, e cuidou para que ele não fosse desrespeitado, e para que nada do que necessitasse para manter a dignidade humana lhe faltasse; e leu a Bíblia para ele, até que,  profundamente arrependido o jovem se rendeu a Cristo.
Esse homem acompanhou ao assassino de sua filha, diariamente, e estava lá quando o jovem foi executado. E no dia da execução, chorou por esse jovem, como se chora por um filho.
E, no dia seguinte, os jornais da cidade, como que tivessem combinado, estamparam a mesma manchete: “PELA PRIMEIRA VEZ, NÓS, E TODA A CIDADE, VIMOS UM CRISTÃO”




terça-feira, 21 de maio de 2013

Louvor


Ariovaldo Ramos
E tudo quanto fizerdes por palavras ou por obras, fazei-o em nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus Pai. Col 3.17

Ele trabalhava na prefeitura, o serviço era braçal, pesado mesmo. Todos se admiravam de sua presteza e tranquilidade. E era um camarada com quem se podia contar.

Havia algo curioso em relação a ele. No final do expediente, ele não ia, imediatamente, para o caminhão. Os demais não esperavam a hora! Cumprido o horário, limpavam as ferramentas, acomodavam-nas no lugar determinado e, sem demora, subiam para o transporte.

Ele não! Apoiava o queixo no cabo da enxada e ficava a olhar para a valeta que havia cavado. Era engraçado, porque o suor parecia não combinar com aquele momento de contemplação.

Todos os respeitavam muito, sabiam de sua fé,  ele era sempre pacificador, não se ouvia dele nenhum gracejo desrespeitoso, embora ele fosse só alegria,  não se perdia em murmurações, embora tivesse um aguçado senso de justiça. Mas, tinha aquele momento.

Um dia, a curiosidade venceu! Os colegas, tão logo ele subiu no caminhão, o interpelaram:  - Escuta, a gente não vê a hora de dar a hora, pra gente subir no caminhão... você, não! Tá certo que não toma tanto tempo assim! Mas o que você fica pensando, olhando para a valeta, com o queixo apoiado no cabo da enxada?

Calmo, e com o sorriso, que o caracterizava, ele respondeu: - Eu não fico pensando, pura e simplesmente, eu fico falando com Jesus.

E o que você fica falando com o Jesus? Insistiram os colegas.

Eu falo assim para ele: - Senhor Jesus, o Senhor está vendo essa valeta? Pode ter igual, mas, melhor não tem não. Porque eu fiz esse trabalho para o Senhor, como um presente. É porque eu sei que se o Senhor não tivesse abandonado a sua glória, a vida seria impossível, a  minha, a de todos, e de tudo. Então, é minha homenagem ao Senhor, e minha forma de agradecer ao Pai, por ter enviado o Senhor. Amanhã, quando os meninos vierem passar os canos e virem que essa valeta está perfeita, e disserem isso, toma isso como um elogio para o Senhor. Porque eu sei de quem sou, a quem tudo devo, e a quem sirvo.

Tendo dito isto, ele voltou-se para os colegas e, estes, de cabeça inclinada, continuaram em silêncio. Eles sabiam da qualidade de tudo o que ele fazia, e já desconfiavam que só uma inspiração superior explicava tanto empenho.