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terça-feira, 12 de março de 2013

Salmo 005


Por Ariovaldo Ramos

Davi resiste a Saul.
1 Dá ouvidos às minhas palavras, ó Senhor; atende aos meus gemidos.
Davi sabe o quanto precisa de ajuda.
2 Atende à voz do meu clamor, rei meu e Deus meu, pois é a ti que oro.
Davi sabe que é de Deus que é súdito.
3 Pela manhã ouves a minha voz, ó Senhor; pela manhã te apresento a minha oração, e vigio.
Davi sabe quem o ouve, e que tipo de vida deve viver.
4 Porque tu não és um Deus que tenha prazer na iniquidade, nem contigo habitará o mal.
Davi sabe do caráter Deus.
5 Os arrogantes não subsistirão diante dos teus olhos; detestas a todos os que praticam a maldade.
Davi sabe que Deus não pactua com os maldosos independente do “status” destes.
6 Destruís aqueles que proferem a mentira; ao sanguinário e ao fraudulento o Senhor abomina.
Davi sabe do juízo divino.
7 Mas eu, pela grandeza da tua benignidade, entrarei em tua casa; e em teu temor me inclinarei para o teu santo templo.
Davi honra a Deus por seu caráter.
8 Guia-me, Senhor, na tua justiça, por causa dos meus inimigos; aplana diante de mim o teu caminho.
Davi pede direção na batalha contra a maldade.
9 Porque não há fidelidade na boca deles; as suas entranhas são verdadeiras maldades, a sua garganta é um sepulcro aberto; lisonjeiam com a sua língua.
Davi sabe das artimanhas sedutoras dos maus.
10 Declara-os culpados, ó Deus; que caiam por seus próprios conselhos; lança-os fora por causa da multidão de suas transgressões, pois se revoltaram contra ti.
Davi entrega os maus ao juízo divino.
11 Mas alegrem-se todos os que confiam em ti; exultem eternamente, porquanto tu os defendes; sim, gloriem-se em ti os que amam o teu nome.
Davi sabe que a misericórdia de Deus é a fonte da alegria dos crentes.
12 Pois tu, Senhor, abençoas o justo; tu o circundas do teu favor como de um escudo.

Davi sabe que os justos não precisam ter medo, não importa o que aconteça.

***


Saul persegue Davi porque ao desobedecer Deus perdeu o direito ao trono de Israel.

Deus escolheu Davi, e como Saul não pode lutar contra Deus, luta contra o seu escolhido.

Davi poderia capitular e se submeter à Saul, considerando Saul problema de Deus.

Davi decide obedecer ao chamado de Deus.

Obedecer a Deus é enfrentar Saul. Obedecer a Deus é enfrentar aos desobedientes na sua injustiça.

Davi sabe que Deus toma partido da justiça, e que, portanto, se identifica com os injustiçados.

Davi ora com a espada na mão, e pede que o Senhor o guie nessa luta contra o mal.

Davi considera os inimigos de Deus como seus inimigos. Ele não os ataca, ele os resiste.

Tomar partido de Deus na história é enfrentar a injustiça em todas as suas manifestações.

Deus espera que os seus protegidos, ou seja, aqueles que não precisam temer a morte, façam isso.

Julgar seres humanos é problema de Deus, lutar pela justiça, na história, é problema dos filhos de Deus.


segunda-feira, 11 de março de 2013

A Denuncia como Estilo de Vida


Por Ariovaldo Ramos

As vestes de João eram feitas de pêlos de camelo; ele trazia um cinto de couro g e se alimentava de gafanhotos h e mel silvestre.” Mc 1.6

João vestia-se como o profeta Elias, cujo retorno ministerial representava, uma vez que João era cumprimento da profecia de que Elias viria antes, para converter o coração dos pais aos filhos (Lc1.17).

para além de vestir-se para representar o ministério de Elias, a roupa do Batista era, em si, uma denúncia à usurpação da função sacerdotal.

João, por ser da descendência de Arão, deveria ter sido o sumo-sacerdote, se o tivesse sido só teria podido vestir as roupas apropriadas à sua posição, mas, como as suas roupas estavam, indevidamente, sendo usadas por outro, e ele não poderia vestir roupas comuns, as vestes sacerdotais foram substituídas por roupas feitas de pêlos de camelo.

por ser o sumo-sacerdote, João só poderia comer das comidas apropriadas aos sacerdotes, mas a sua refeição sacerdotal estava sendo usurpada por outro, mas, apesar disso, ele não podia comer das comidas comuns, daí, gafanhotos e mel silvestre.

o profeta veio do deserto, onde, provavelmente, vivera protegido pelas comunidades do deserto, até por ser quem era: a voz daquele que estava no deserto; e João, por aquele que estava no deserto, clamou contra toda a usurpação da glória e da casa de Deus.

João nos ensina o caminho do avivamento: começa com a denúncia que exige o arrependimento. João, antes de denunciar com a palavra, denunciava com o seu estilo de vida.

eis o caminho: andemos nele.



g g 1.6 João vestia-se como o profeta Elias (2Rs 1.8; cf. Zc 13.4). Provavelmente, usasse uma capa de pêlos de camelo e se cobrisse, da cintura para baixo até os joelhos, com uma veste de couro que substituía a túnica.
h h 1.6 Gafanhotos: Considerados comestíveis em diversos países orientais (cf.
 Lv 11.22).

domingo, 10 de março de 2013

O Bem


Por Ariovaldo Ramos

Portanto , vós orareis assim: Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome; venha o teu reino; faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu; o pão nosso de cada dia dá-nos hoje; e perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós temos perdoado aos nossos devedores; e não nos deixes cair em tentação; mas livra-nos do mal pois teu é o reino, o poder e a glória para sempre. Amém!

Quando rogamos por sermos livres do mal, denunciamos um conhecimento: o mal é presente, dominante e ameaçador. E reconhecemos que somos responsáveis pelo bem, uma vez que podemos pedir ajuda para vencer a maldade.

O mal, porém, é como a escuridão: assim como a escuridão só é possível pela falta da luz, e, só assim, se torna dominante, a presença do mal só é possível pela ausência do bem.

Quando rompemos com o DEUS do Universo, tornamo-nos a antítese de tudo o que ele decidira que seríamos: ao invés de nos mantermos como refletores da vida do DEUS, demos ao mal, que só existia como teoria, presença histórica.

O mal se tornou o conteúdo de nossa natureza, de modo que, não tivesse, o DEUS, nos emprestado algo da sua bondade, o mal seria o único conteúdo a dar o tom de nossa vida, e por ele seríamos plenamente dominados e minados, sem possibilidade de reação, porque um dos efeitos domínio do mal é a perda da lucidez.

Portanto, pedir que sejamos livres do mal é, a partir da lucidez que a bondade, emprestada por Deus, concede, pedir por vitória sobre a nossa natureza e sobre o adversário de nossas almas.

Meditação: O mal se tornou uma realidade em nossa história, graças à nossa rebelião. Mas, o DEUS o contrapôs em nós pelo empréstimo de sua bondade.

Oração: Senhor reconheço o mal em mim, mas, também, reconheço a tua bondade impedindo que minha maldade dê o tom de minha existência. Agradeço e louvo-te por não teres nos abandonado aos efeitos de nossa rebelião.



quinta-feira, 7 de março de 2013

Cumpriu-se a Profecia


Por Ariovaldo Ramos

“Com respeito a seu Filho, o qual, segundo a carne, veio da descendência de Davi...” Rm 1.3

Ao lado do nascimento virginal (Is 7.14), ser da descendência de Davi era das principais profecias acerca do Messias (Is 11.1,10).

E Jesus o foi, porque foi adotado por José, que era descendente direto de Davi, por dois ramos da família davídica: de Salomão (Mt 1.6) e de Natã (Lc3.31).

E como José adotou a Jesus como seu primogênito, Jesus passou a ser filho de Davi, e a profecia se cumpriu (Mt 1.25; Jo 6.42).

Maria foi escolhida para ser a mãe do Salvador por estar desposada com José, e não o contrário (Lc 1.27).

José era um homem justo, com quem, através das aparições angelicais em seus sonhos, Deus, por sua graça, falou o tempo todo (Mt 1.20; 2.13, 19; 3.15).

José foi o homem a quem Deus, por sua graça, confiou o seu Filho. E José, por graça divina, protegeu a Maria e a Jesus, não só estando sempre pronto a servi-los, como cobrindo-lhes de dignidade (Mt 1.19,20,24,25; 2.13,22; Lc 2.16).

Jesus foi reconhecido a partir de sua filiação a José: Mt 6.3; Lc 3.23; Jo 1.45; 6.42.

Graças a José, homem com que Deus, por sua graça, pode contar, Jesus era filho de Davi, e cumpriu-se a profecia!

Deus cumpre profecias. Deus, por sua graça, cumpre profecias através de seres humanos. Deus continua, por sua graça, contando conosco para cumprir profecias.