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terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Mais do que foi com Isaque


ATENÇÃO!!!! 
ESTA É UMA OBRA DE FICÇÃO LITERÁRIA.
NÃO É TEOLOGIA, É FICÇÃO LITERÁRIA!

Ariovaldo Ramos

Depois de 400 anos, Israel estava novamente alvoroçada pela presença de um profeta.

Na região do deserto da Judéia, apareceu João, o Batista.

Ele era filho do profeta Zacarias e de Isabel. Nasceu quando ambos já estavam em idade avançada. Ele era o resultado de um milagre. Deus atendera a oração de Zacarias.

João ficou órfão em tenra idade e foi criado pelos essênios, num de seus mosteiros no deserto.

Os essênios formavam um partido radical, em Israel, que, em protesto ao que julgaram ser a apostasia do povo de Deus, se retiraram para o deserto, para preservar a pureza da fé judaica; eles tinham o hábito de abrigar e de criar os órfãos.

No caso do menino João, tratava-se de, além de criá-lo, preservar-lhe a vida.

Ele deveria ter sido o sumo sacerdote, porque a mãe dele era descendente direta de Arão, irmão de Moisés, condição necessária para um filho de Levi ser sumo sacerdote.

Há cerca de 5 anos antes de Zacarias receber, do anjo Gabriel, a notícia do nascimento de seu filho, as regras para o sumo-sacerdócio foram mudadas em Israel.

Os romanos, ao perceberem que os judeus só se submetiam ao sumo-sacerdote, decidiram interferir na escolha do mesmo.

Fizeram um acordo com um líder judeu popular e populista chamado Anás. Ele foi o primeiro sumo-sacerdote dessa nova fase. Exerceu o sumo-sacerdócio por 15 anos, após o que, cada um de seus 5 filhos foi sumo-sacerdote, e depois, o exercício coube ao seu genro, de nome Caifás.

A vida do menino João corria perigo: sempre havia o risco de uma sublevação exigindo que o descendente de Arão assumisse o seu lugar de direito. Os essênios o adotaram, e, sorrateiramente, o levaram para um de seus inexpugnáveis mosteiros no deserto; onde o sumo-sacerdote, de direito, cresceu protegido e radical.

Aos 30 anos de idade, João reapareceu, ninguém seria capaz de reconhecê-lo, barba e cabelo que nunca foram cortados, e pele de camelo como roupa; mel silvestre e gafanhoto constituíam a sua única dieta.

Ele vociferava no deserto dizendo ser a voz de Deus, e que Deus, desde que fora expulso do Templo pelos romanos e seus lacaios, passara a morar no deserto.

João convocava todo o Israel a se arrepender e retornar à sua fé; afirmava que Deus ia  estabelecer o seu reinado, que toda rebelião seria debelada, e que ele apresentaria aquele de quem não era digno de desatar as correias da sandália, o Messias.

Haveria um novo rei em Israel, e o povo de Jacó, finalmente, cumpriria o seu destino.

O povo começou a vir para ser batizado no Jordão, pelo profeta iracundo e nazireu (gente que, por promessa, não corta cabelo, ou barba; é celibatário e não bebe bebida alcoólica).

A grande surpresa foi quando membros do sacerdócio, também, começaram a vir, primeiro, timidamente, depois vieram todos, e, finalmente, vieram Caifás e o seu sogro Anás, que, desde que fizera o acordo com os romanos, controlava, de fato, o culto no Templo.

Anás, mais do que se deixar batizar, contou a história de João. E, para surpresa geral, de repente, Israel estava diante de seu verdadeiro sumo-sacerdote.

Todo Israel estava em estado de comoção, desde o avivamento, no tempo do rei Josias, que não se via nada igual.

Todo Israel estava se convertendo à mensagem do profeta. Queriam reconduzí-lo ao serviço do Templo, Anás e Caifás foram os portadores da sugestão, mas ele se recusou, disse que estava ali para apresentar o Messias, e que Deus nunca mais voltaria para o Templo.

Os romanos estavam em alerta geral, principalmente, depois que Pilatos, levado pela esposa, também se deixou batizar. Roma não sabia o que fazer, tendo Pilatos como prosélito, havia um clima de coexistência pacífica, mas o imperador, ao seu comando, não tinha mais um adorador. Ainda que Pilatos continuasse a protestar fidelidade ao império.

A grande surpresa foi a chegada de Herodes às margens do Jordão, justo ele que, há pouco, tinha aumentado os impostos sobre a pesca, inviabilizando a artesanal indústria, havia, também, batizado o lago de Genesaré de Tiberíades, tudo para agradar Tibério Cesar, na tentativa de ser proclamado o único rei de Israel. Pois ele estava ali, pedindo batismo e prometendo rever todas as suas decisões. E, mais, abriu mão do caso que mantinha com a própria cunhada. A salvação havia chegado à casa dos Hasmodeus.

Por via das dúvidas, os romanos cercaram Israel, mas, apesar da esperança rediviva, estranhamente, o clima não estava para guerra.

Chegara o grande dia, Jesus, da aldeia de Nazaré, desceu da Galiléia e dirigiu-se ao Jordão. Quando João o viu correu para abraçá-lo, em meio a multidão incontável, que, incessantemente, entoava salmos ao Eterno. Parecia que todo o Israel estava acampado às margens do velho rio, que vira Josué caminhar a pés enxutos sobre o seu leito, enquanto suas águas eram detidas pelo poder do Deus.

Jesus era filho de José, o carpinteiro, homem, em extremo, honrado, o último descendente do filho escolhido de Jessé, e, por isso, era o herdeiro natural ao trono de Davi. Era primo de João, porque sua mãe, Maria, era prima da mãe do profeta.  Ele, entretanto, era mais que isso, era nascido do poder do Altíssimo, sua mãe, até dar a Luz a ele, não havia conhecido homem algum. Ela, sob amparo do Espírito Santo, fora envolvida pela sombra do Onipotente, e engravidada do Messias.

Ele era mais do que um milagre... mas, isso ainda era um segredo de família!

João não queria batizá-lo! Ele insistiu, dizendo que essa era a vontade de Deus, e que ele se deixava batizar em nome da humanidade sonhada pelo Criador.

Quando João aspergiu a água sobre ele, os céus se abriram, e todo Israel viu, os que estavam e os que não estavam à beira do rio, porque todo o Israel havia se convertido ao Senhor. E quando os céus se abriram, ouviu-se a voz do Pai: "Este é o meu filho amado, que me dá alegria". E o Espírito Santo, em forma de pomba, pousou sobre ele.  E todo o Israel ouviu, e todo o Israel entendeu.

E João, com autoridade reconhecida, proclamou: "Este é o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo."

Houve um grande silêncio e, instintivamente, em todos os cantos de Israel, os pastores empunharam, cada um, o seu Shofar, e, em uníssono, como se tivessem ensaiado, fizeram-no soar uma mesma e inédita melodia...

E Israel explodiu em hosanas e aleluias, o Messias havia chegado, chegara a libertação de Jacó!

Repentinamente, entretanto, todo o Israel se pôs de joelhos, em profunda reverência, eles compreenderam: Jesus, de Nazaré, o Messias, era Deus! Deus, inexplicavelmente, havia aberto mão de suas prerrogativas divinas, e, ele mesmo viera, em carne e osso, libertar Israel! Todos, miraculosamente, o souberam, mas ninguém conseguia decifrar o significado e o desdobramento de tal ato.

E, depois do momento profundo e silencioso de oração, como numa orquestra, o povo de Israel se ergueu numa nova onda de louvor, rivalizando com os anjos que assistem diante do Altíssimo!

João, o Batista, solenemente, passou a palavra para o Messias e retirou-se para o deserto.

Jesus, durante três anos, andou por todo Israel ensinando o verdadeiro sentido das palavras de Moisés e dos profetas. Todos o seguiam! Não havia mais partidos em Israel.

Ele visitava a todos, dos mais pobres aos mais ricos, tratando-os de igual modo, aproximando-os, porque os ricos, voluntariamente, dividiam os seus bens com os pobres, governadores e magistrados eram movidos por um senso, nunca experimentado, de direito e de equidade nunca vistos; e, de forma natural, uma cooperativa se instalava, todos a trabalhar por todos, e Israel ia experimentando os sinais da chegada do reinado de Deus, ia se cumprindo a palavra do profeta Amós, a justiça começava a correr como um rio que nunca seca.

Jesus, neste triênio, curou a incontáveis pessoas de toda a sorte de enfermidade, expôs e desalojou os demônios, libertando seres humanos de toda a sorte de opressão, assim como ressuscitou a muitos.

Os romanos observavam sem compreender, porém, um temor parecia tomar conta deles, mantendo-os distantes, e muitos dos membros da força invasora, assim como muitos, de várias nações vizinhas, passaram a ser seguidores de Jesus.

No final dos três anos de peregrinação Jesus foi para Jerusalém, a cidade toda o recebeu efusivamente, e ele mandou que trouxessem do deserto a João, seu primo.

Enquanto João se deslocava de sua gruta, a pedido de Jesus, consciente do motivo pelo qual seu retiro era encerrado, em Roma, Cesar tomava uma decisão.

Durante todos esses anos, Cesar havia sido informado sobre o que estava acontecendo em Israel. Sempre seguindo o conselho de deixar a situação seguir seu curso, porque, apesar da grande euforia que tomava conta da nação, não havia perigo de guerra, ao contrário, havia muita paz nos relacionamentos, até mesmo com a força romana, além do que, muitos romanos, também professavam a fé no Messias de Israel.

Cesar, entretanto, não conseguia mais conviver com o conhecimento de outro ser humano, sendo adorado e recebendo os mesmos títulos, reservados só a ele. E, mais, por conversão, sem a coerção da força bélica. Havia um ser humano que, mais que ser tratado pelos mesmos títulos, era, de fato, adorado.

Cesar decretou que isso era uma subversão, e determinou a crucifixão de Jesus de Nazaré, por se declarar Rei dos Judeus.

A notícia caiu, como uma bomba, no colo de Pôncio Pilatos, governador da Judéia, ele, que, também, se convertera, e fora batizado, e que, ao lado de outros romanos, aprendia aos pés do Messias, que todos, sem saber explicar direito, estavam convencidos de que fazia parte de Deus. Como ele o faria? Como cumprir tal desatino? Ainda mais agora, que Israel, finalmente, conhecera a paz!

Não havia, porém, como se recusar a cumprir a ordem do Cesar, a não ser se rebelando contra  Roma, o que, sob qualquer ponto de vista, seria um suicídio. Não havia saída! Decidiu pedir audiência ao Messias e comunicar-lhe a loucura proveniente do narcisismo e idílio do imperador.

Ao chegar ao vale da Judéia, onde, parecia estar toda a nação, dada a quantidade de pessoas reunidas para ouvir Jesus, percebeu o acréscimo de alegria, ao estado já efusivo do povo: João Batista estava de volta!

João voltara a pedido do Ungido, e, ao chegar, depois da saudação cheia de vida de seu primo, ouviu deste, que havia chegada a hora do anúncio. Imediato a essa fala, o Nazareno vê, ainda distante, o governador, e acena-lhe para que se aproxime. Pilatos, visivelmente transtornado, aproxima-se, e, antes que pronunciasse palavra, ouve, de Jesus, que tinha de ser assim.

Ele sabia!  Sim, e soubera desde sempre, explicou o Mestre ao governador, e passou a palavra para João, o Batista.

E João passou a dizer: irmãos e irmãs, como o Altíssimo nos revelou através de Moisés, a humanidade pecou, desobedeceu, rompeu com Deus.

Quando isso aconteceu, foi dada a promessa de que uma criança nos salvaria.

Depois de muito tempo em silêncio, tempos após a divisão da humanidade em Babel, Deus se manifestou ao Patriarca Abraão, e o chamou para formar um novo povo, o povo que traria a criança para a nossa história.

Nosso papel era trazer a criança para a história, para o bem de toda a humanidade.

O que, só agora sabemos, é que a criança vem de Deus, pelo poder do Altíssimo, e é uma criança sem pecado.

Essa criança veio para manifestar o sacrifício de Deus, um sacrifício feito desde antes da fundação do mundo, mas que precisa ser manifestado a nós.

Porque esse sacrifício não foi feito para morrer, mas para vencer a morte por todos nós, para que, finalmente, haja paz entre Deus e nós, pela satisfação da demanda feita pelo princípio de justiça com que Deus mantém no Universo.

Para vencer a morte é preciso morrer para ressuscitar. Só alguém sem nenhum pecado poderia conseguir isso.

Todos os animais que oferecemos em sacrifício fala dessa manifestação do sacrifício de Deus por nós.

E aqui, diante de nós, temos aquele que veio para manifestar o sacrifício de Deus para que Ele pudesse criar, manter e resgatar toda a sua criação.

Como Moisés nos ensinou, só se pode falar de Deus no plural, é porque em Deus há mais de uma pessoa, e este que aqui está, entre nós, é uma das pessoas de Deus.

Foi essa pessoa de Deus que abriu mão de sua glória como sacrifício para que tudo pudesse ser criado, e mantido, e resgatado.

Essa pessoa está entre nós, para manifestar esse sacrifício feito antes de tudo, mas, também, para consumar o propósito desse sacrifício, que é o de vencer o nosso maior inimigo: a morte.

Essa pessoa voltará da morte, com um corpo que não morrerá jamais, trazendo para nós a vitória e uma nova realidade que será para sempre. Mas, para isso, essa pessoa terá de ser morta!

E, diante de um povo atônito, com um senso inexplicável de estar diante do mais sagrado dos momentos, disse João: Essa pessoa, que é Deus de Deus, e que precisa morrer para vencer a morte, é Jesus de Nazaré, o Ungido.

Nesse momento, Jesus ficou de pé. Todo o povo começou a chorar! E começaram a gritar, nós ofereceremos todos os nossos rebanhos em holocausto por Ele!

João ergueu o seu cajado e estendeu a sua mão, e houve silêncio como nunca. E disse o Batista: Ele não pode ser substituído! Ele é o nosso substituto! Por Ele nós vamos nascer de novo!

E complementou: nós vamos deixar as forças romanas o levarem à cruz, como Abraão levou Isaque ao monte Moriá, e, dessa vez, a mão do Patriarca não será detida, o cutelo irá até o fim! Pelas suas pisaduras nós seremos sarados!

Nesse momento, em meio ao pranto incontido, porém, profundamente respeitoso e reverente, um verdadeiro milagre operado no coração do povo pelo Espírito Santo, Jesus tomou a palavra e disse: Ninguém toma a minha vida, eu a dou para a retomar! Três dias depois de minha morte, eu ressuscitarei!

O povo cria, mas, diante de tanta dor não reagia, como, no íntimo, sabia, cada um e todo o povo que deveria.

E a legião romana entrou no meio da multidão. Houve, em alguns, um esboço de reação, mas, eles não conseguiam mais... as palavras do Nazareno haviam tirado a espada de suas mãos.

Tão logo a legião aprisionou o Cristo, outro espírito assumiu o controle dos soldados, e eles passaram a tratar o homem de Nazaré como uma crueldade muito pior do que a usual.

Não houve julgamento, a ordem de Cesar era clara. Foram diretamente para o Gólgota. Alí, diante de seu povo, depois de muito sofrimento, antes de entrar na Páscoa, o Messias de Israel morreu!

Sob prantos nunca vistos, o seu corpo ensangüentado foi levado ao túmulo que lhe cedera José de Arimatea. Por ordem do Imperador, uma pedra de cerca de duas toneladas foi deslocada para tapar o túmulo. Cesar o ordenara. Assim como exigiu que as legiões não permitissem nenhum movimento ou aproximação por parte do povo às cercanias do túmulo. Um amplo perímetro foi delimitado.

Foram três dias lùgubres, profundamente tristes; o povo de Israel queria crer, mas não tinha forças, só fazia chorar: haviam entregue o seu Messias!

Na aurora do terceiro dia, todo Israel estava de pé, e ouviu-se um estrondo! Veio do túmulo! Israel acorreu ao lugar! E todos: os de Pilatos e de Herodes, e os Sacerdotes, e o povo simples com quem mais Jesus se identificara... todos viram Jesus de pé sobre a pedra, em carne e osso!

A alegria, os gritos de glória, os aplausos, os louvores eram indescritíveis! E os anjos desceram para ver a celebração. E o canto do povo e dos anjos se uniram! Uma nova era se anunciava para a humanidade.

Ninguém, nem Cesar ousou se mexer em relação ao inexplicável! Havia temor por toda a parte!

João, o Batista, o último e maior ser humano da antiga dispensação, desapareceu; muitos haviam que diziam que ele havia tido o mesmo destino de Enoque e de Elias.

Jesus andou com eles durante 40 dias. Nesse período eles entenderam a mudança de dispensação, era uma nova dinâmica que se instalava entre Deus e os homens. Não havia mais lugar para a velha religião, tudo aquilo era sombra do que acabava de chegar.

Depois dos 40 dias, Jesus avisou que iria embora, à vista de todos, mas que eles não temessem, que ficassem em oração, porque, dentro em pouco a profecia de Joel se cumpriria, e a humanidade daria um salto ontológico, passaria, a começar por eles, a ser habitação do Espírito Santo.

Todo o Israel foi avisado de que isto ocorreria, e que, quando ocorresse, todo o Israel, agora incluindo, sem prévia exigência ritualística, a todos os gentios que haviam se convertido, receberia poder para ser testemunha de Jesus, e que deveriam ir a todas as nações batizando e chamando a todos para serem alunos de Jesus, para fazerem tudo o que ele ordenou.

Diante de uma multidão incontável Jesus subiu ao céu, com a promessa de que voltaria visivelmente, e todo o mundo o veria.

Começou uma reunião de oração em Israel, todos oravam, e, dez dias depois, no Pentecostes, o Espírito Santo se derramou sobre todos e todas, línguas de fogo foram vistas sobre todos, e, em todas as línguas possíveis começaram a falar das grandezas de Deus!

Ato contínuo, como se tivessem combinado, todos em Israel, com apenas o essencial, puseram o pé na estrada, em direção ao mundo todo. Era, de novo, uma multidão em Êxodo, agora, pela libertação de toda a humanidade!

Não haveria mais Estado de Israel, todos tinham sido tornados em Missionários, assumindo a sua nova missão, levar a Criança, que trouxeram para a história, para todas as nações debaixo do Sol.

O Reino de Deus começava a ser espalhar pela Terra, por palavras e boas obras corretoras de rumo, e demarcadoras de justiça, preparando a todos para um Novo Céu e uma Nova Terra! Para um mundo sem paradoxos, onde a Justiça habita!

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domingo, 3 de fevereiro de 2013

O Nome


Ariovaldo Ramos

Portanto , vós orareis assim: Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome; venha o teu reino; faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu; o pão nosso de cada dia dá-nos hoje; e perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós temos perdoado aos nossos devedores; e não nos deixes cair em tentação; mas livra-nos do mal pois teu é o reino, o poder e a glória para sempre. Amém!

O nome, por definição, individualiza por identificar e tornar um ser exclusivo e único, entre os seus pares.

O nome, por identificar e tornar exclusivo, também circunscreve e limita, deixando claro que se está diante de um ser que tem extensão mensurável, o que, se, de um lado, lhe garante espaço, de outro lado, o delimita, impedindo-o de tomar mais do que o espaço que lhe cabe.

E esse é o ponto: só quem tem par, quem tem semelhante, quem tem de dividir espaço com outro, e quem, portanto, necessita de delimitação, para ter garantido o seu espaço, é quem precisa, para poder ser distinto, de um nome.

Quando Moisés perguntou, aO DEUS, qual o nome pelo qual ele era conhecido, revelando o seu nível de ignorância, quanto a QUEM o seu povo invocava, o DEUS lhe disse: EU SOU O QUE SOU! (Ex 3.13-15)

SER O QUE É, não é um nome, porque, ao invés de limitar, expande e toma todo o espaço.

O DEUS tem um nome que não particulariza e que não define, por que O DEUS não tem par, a TRINDADE é única e não cabe em um nome. O DEUS não pode ser contido.

O DEUS, então, esclarece a Moisés, de que, para sempre, será conhecido como o que se relaciona com os homens, a começar pelos patriarcas: Abraão, Isaque e Jacó.

Meditação: O "nome não nome" dA TRINDADE, o único DEUS, declara que O DEUS é todo abrangente, infinito, incontível, incomparável e inigualável. A TRINDADE não pode ser invocada como se fosse um deus entre outros.

Oração: Ó Senhor, tu que és O SER que É, em quem está e é sustentado todo o Universo, aceite, por graça, a adoração que este humilde e circunscrito ser, que em ti existe e de ti subsiste, oferece a TI, dirigindo-me ao PAI, por meio do sacrifício do FILHO, sob o ESPÍRITO SANTO, amém!

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sábado, 2 de fevereiro de 2013

A Missão Esquecida

Ariovaldo Ramos

A gente sabe que tem de pregar o evangelho a toda a criatura. Essa é a missão requerida. 

A gente não pode obrigar ninguém a se converter, mas deve falar para todo mundo; quem crer será salvo (Mc 16.15,16). 

Deus não vai nos cobrar o número de gente que se converteu, mas, possivelmente, nos cobrará o quanto pregamos. 

Essa missão a gente conhece, e, de um jeito ou de outro, nós a temos feito. A gente sabe como fazê-la e como constatar se a temos feito o não.

Porém, há uma missão que também deve ser feita e que, também, tem uma maneira de medir se a estamos ou não fazendo.

Nós temos nos de esquecido de fazer essa missão, pelo menos, com a intensidade pedida.

Essa missão, como a outra, foi ordenada por Jesus Cristo.

Vamos começar pelo jeito de saber se a missão está sendo cumprida.

Na primeira missão, o jeito de saber era e é geográfico. Jesus disse: Pelo poder do Espírito Santo, vocês vão me anunciar em Jerusalém, em toda a Judéia e Samaria, e até os confins da terra (At 1.8).

E disse mais: essas boas notícias, de que Deus está vindo para assumir o governo sobre tudo e sobre todos, será anunciada em todo o mundo e, então, virá o fim (Mt 24.14).

Como se pode ver, essa missão é medida geograficamente, a gente sabe se a cumpriu ou não, na medida em que vê quantos povos e quais territórios foram cobertos, e quantos faltam. Então, é uma questão de contar.

Na missão esquecida é uma questão de ouvir.

Ouvir o que? Ora, o que... Glórias e aleluias.

Jesus disse que era para a gente levar todo mundo a glorificar o Pai Celestial: está lá, na última parte de Mateus 5.16.

Como se pode ver, Jesus quer todo mundo dando glórias ao Pai.

E como fazer para que as pessoas venham a dar "os glórias"?

Jesus dá a receita: para que eles falem, eles têm de ver. E o que temos de mostrar-lhes são as nossas boas obras.

Jesus disse que nossas boas obras são os frutos da luz que em nós há.

Sabe, o senhor disse que nós somos a “luz” do mundo; e que são as nossas boas obras que demonstrariam isto.

Pelas boas obras iluminamos o mundo; pelas boas obras demonstramos o jeito como gente deve viver.

A missão esquecida é, também, caminho para a missão requerida.

Quando a gente os ajuda a resolver o problema da fome, a resolver o problema da nudez.

Quando a gente ajuda as pessoas a terem reconhecidos os seus direitos.

Quando a gente os visita e os ajuda a resolver o problema da saúde pública.

Quando a gente se importa com eles e os ajuda a resolver o problema do sistema carcerário.

Quando a gente os ajuda a ler e escrever.

Quando a gente tira as crianças da rua e de todo o tipo de exploração.

Quando a gente luta por moradias dignas, transporte eficiente e barato, e trabalho dignamente remunerado para todos.

Quando a gente luta por bom e gratuito ensino público para todos.

Quando a gente luta por uma economia solidária e por uma cidade humanizada, onde haja espaço para todos.

Quando a gente luta por uma distribuição de terra que mantenha o trabalhador rural no campo, a gente começa a despertar, nas pessoas, gratidão. E elas saberão que é a Deus que essa gratidão deve ser dirigida.

Na medida em que vamos fazendo as boas obras, falamos do amor da Trindade, o qual nos empurra para fazer o que estamos fazendo.

E nós ouviremos “os glórias” que demonstrarão que nossa missão está sendo cumprida.

Além disso, as nossas boas obras provocarão neles a pergunta: Como eles podem ser assim? E, quem sabe, uma pergunta melhor ainda: como nós podemos, também, ser assim”?

É isso!

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sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

excelente deve ser o caminho!


ariovaldo ramos



I Coríntios Capítulo : 13
1 Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o címbalo que retine.
2 E ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria.
3 E ainda que distribuísse todos os meus bens para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse amor, nada disso me aproveitaria.
4 O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não se vangloria, não se ensoberbece,
5 não se porta inconvenientemente, não busca os seus próprios interesses, não se irrita, não suspeita mal;
6 não se regozija com a injustiça, mas se regozija com a verdade;
7 tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.
8 O amor jamais acaba; mas havendo profecias, serão aniquiladas; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, desaparecerá;
9 porque, em parte conhecemos, e em parte profetizamos;
10 mas, quando vier o que é perfeito, então o que é em parte será aniquilado.
11 Quando eu era menino, pensava como menino; mas, logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino.
12 Porque agora vemos como por espelho, em enigma, mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei plenamente, como também sou plenamente conhecido.
13 Agora, pois, permanecem a fé, a esperança, o amor, estes três; mas o maior destes é o amor.




a gente deve buscar os melhores dons, mas o melhor mesmo é buscar o caminho mais excelente:

ainda que qualquer um de nós tivesse o possibilidade de dizer qualquer coisa em qualquer língua, inclusive a dos anjos, se não o falasse por amor a quem ouve, seria apenas uma pessoa a fazer barulho.

ainda que alguém tivesse a capacidade de saber tudo de tudo, ou tivesse fé para realizar tudo o que fosse preciso, se não o fosse por amor ao Criador e à criatura, isso não geraria nada!

e se tivesse o dom de contribuir, e sacrificasse a tudo, até a si mesmo, e não o fizesse por amor ao Criador e à criatura, isso não daria significado nenhum à sua vida!

da perspectiva divina, não adianta nada alguém poder tanto e não conseguir ser paciente e bondoso para com as pessoas!

não adianta ter tanto dom, se não for para que as pessoas sejam emancipadas, ao invés de ficarem sempre dependentes da gente!

os dons devem ser usados para comunicar o amor que vem de Deus, não para o orgulho e a vaidade da gente!

quando a gente usa os dons para demonstrar o amor que vem do criador:

- a gente é educado e respeitoso, e não quer recompensa pessoal;

- a gente não quer tratamento especial e nem fica chateado com as pessoas ou descontando o que acha que sofreu.

- a gente não se alegra, nāo se acomoda ao erro, os dons são para levar as pessoas e a sociedade para uma vida digna.

- a gente não desiste diante das dificuldades, a gente mantém a fé e a paciência, principalmente, diante da imaturidade humana.

não importa quanto tempo demore, quando a gente é movido pelo amor a Deus e ao próximo, a gente não esmorece.

ainda que seja do mistério que vem de Deus,  e mesmo que a gente o comunique de forma extraordinária, a gente sabe que o que fala é finito.

tudo o que se pode saber é finito, e o que se pode profetizar também o é.

porque a gente está aguardando o que é completo. 

hoje, é como quando a gente era menino, só dava para falar como menino, aí a gente cresce e passa a falar com outras categorias.

não dá para ficar exigindo perfeição, hoje tudo é em parte.

hoje, tudo é assim, marcado pela nossa queda, mas o absolutamente pleno de acerto, de verdade e de beleza, virá!

e a gente vai saber de tudo que for para saber, como, hoje, Deus sabe tudo de nós.

hoje, a gente deve cultivar a fé, e se sustentar na esperança, e amar.

e dessas três, o que a gente deve procurar fazer mais, é amar!

fazer tudo por amor a todos é o mais excelente jeito de viver!