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segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

A Igreja que Enfrentou a Pobreza


Ariovaldo Ramos

A primeira igreja nasceu em meio à pobreza, e a enfrentou, deixando lições preciosas. Começaram reagindo à mesma, não sendo tolerante para com a realidade em que os pobres estavam imersos. Responderam com solidariedade, onde os irmãos, como podiam, desfaziam-se voluntariamente de posses para ajudar os demais, segundo a necessidade dos mesmos. Depreende-se um padrão mínimo que, rebaixado, acionava o socorro. E o padrão de socorro não era determinado pelas posses dos doadores, sim pela necessidade dos beneficiários, o que indica que a ação era tomada a partir do conceito do direito, o irmão necessitado tinha o direito de ser atendido em sua carência, cabia a comunidade a satisfação do mesmo.

Claro que, como Paulo procura deixar claro em sua segunda carta aos tessalonicenses: “Quem não quiser trabalhar também não coma” - 2Tes 3.10; isto é, todas as alternativas possíveis deveriam ser tentadas, porém, sem detrimento ao direito do irmão. Inclusive, porque o irmão que se recusava a trabalhar, recusava-se a participar da lógica comunitária, onde todos para todos trabalham. Essa postura era tanto entre irmãos, quanto entre comunidades, como no caso em que todas as comunidades se uniram para socorrer a comunidade em Jerusalém.

Num outro momento, percebe-se o desenvolvimento de um programa para o sustento da viúvas, uma espécie de programa previdenciário da Igreja, assumindo a responsabilidade por aquelas que não tinham mais acesso ao trabalho remunerante. Programa levado tão a sério, que uma categoria nova de oficiais foi acrescentada à Igreja. Estes, os diáconos, assumiram o ministério de seguridade social da comunidade. 

E é preciso que se diga que essa foi uma decisão revolucionária, porque eles foram movidos pelo reconhecimento do direito das mulheres, numa época em que ninguém emprestaria valor a essa causa.

Desse enfrentamento da pobreza surgiram conceitos de intensa pedagogia: “Aquele que furtava, não furte mais, antes trabalhe para ter com que acudir ao necessitado” Ef 4.28, Aqui, a vitória sobre o pecado do furto é passar a contribuir com o necessitado. De lesa-patrimônio a sustentáculo dos despossuídos de patrimônio, e não a construtor de seu próprio patrimônio. Dá até para pensar que, para o apóstolo, o ato da acumulação se assemelha de alguma maneira ao furto. 

Há, também, nessa colocação, a sugestão de uma ética do trabalho: a solidariedade - trabalha-se, também, por responsabilidade para com outro; o que amplia a dimensão da frase paulina: “A ninguém fiqueis devendo coisa alguma...” Há um assumido débito para com o necessitado. 

“Porque não é para que os outros tenham alívio, e vós, sobrecarga; mas para que haja igualdade, suprindo a vossa abundancia, no presente, a falta daqueles, de modo que a abundancia daqueles venha a suprir a vossa falta, e, assim, haja igualdade, como está escrito: O que muito colheu não teve demais; e o que pouco, não teve falta.” 2Co 8.13-15 Como estas palavras foram ditas no contexto da coleta para a Igreja em Jerusalém, surge a possibilidade da leitura dum apontamento na direção duma universalização do trabalho solidário, algo semelhante ao conceito de revolução permanente, capaz de gerar um conceito de acordo internacional pela erradicação da pobreza, pela busca da igualdade entre as nações, pela partilha, onde os superavitários se responsabilizam pelos deficitários; o que ocorre numa perspectiva de acesso universal ao trabalho e num consenso de que todos trabalham por todos, pois a humanidade é o foco. Em sendo assim, a fé cristã tem uma proposta de revolução quanto ao propósito da economia e quanto ao parâmetro para a geopolítica internacional.

“E vós, irmãos, não vos canseis de fazer o bem” 2Tes 3.13. Este estímulo, dito no contexto da tentativa de alguns de se aproveitarem da bondade da comunidade, desafia a toda a Igreja a estabelecer esses valores como inegociáveis, a despeito de quaisquer tentativas de abuso. “Bem”, portanto, pode ser entendido como esse conjunto de valores que configura uma ética do trabalho para o combate à pobreza.

“Como está escrito na lei de Moisés: ‘Não atarás a boca ao boi que debulha o trigo’.” 1Cor 9.9. “O lavrador que trabalha deve ser o primeiro a participar dos frutos” 2Tim 2.6. Onde a ética dos apóstolos coloca o trabalhador? Como o primeiro e privilegiado beneficiário de seu trabalho; a exemplo do boi, que não pode ser impedido de ser o primeiro a desfrutar de sua produção. Até porque, como o trabalho é para a solidariedade voluntária, o trabalhador para poder exercer essa partilha, tem de ter o que partilhar, tem de ser senhor de seu trabalho. Aqui, mais do que um princípio ético, há um postulado econômico: O trabalhador tem de ser o primeiro a desfrutar do resultado de seu trabalho. O desenvolvimento deste primado há de redefinir a administração dos meios de produção e do lucro. A primeira Igreja na sua intolerância para com o estado de pobreza, propôs abordagens desafiadoras, pertinentes e que mantêm atualidade. 

domingo, 27 de janeiro de 2013

PAI

Ariovaldo Ramos

Portanto, vós orareis assim: Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome; venha o teu reino; faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu; o pão nosso de cada dia dá-nos hoje; e perdoa-nos as nossas dívidas , assim como nós temos perdoado aos nossos devedores; e não nos deixes cair em tentação; mas livra-nos do mal, pois teu é o reino, o poder e a glória para sempre. Amém! Mt 6.9-13

Para falar com a TRINDADE, que é o ETERNO, nos dirigimos à pessoa do PAI, em nome do FILHO, sob a intercessão do ESPIRITO SANTO.

Como o ETERNO nos predestinou para ele, para que, por meio do Cristo, fossemos adotados como seus filhos, (Ef 1.5) conclui-se que o ETERNO sempre desejou um relacionamento paternal com os seres humanos.

Entre nós e a paternidade do ETERNO havia a transgressão, que o sacrifício no templo solucionava temporariamente. Quem de fato deveria morrer era o pecador. Mas, com a morte do pecador quem o PAI abraçaria? A menos que fosse possível a alguém morrer como pecador, porém, continuar a existir como ser humano.

Ao ensinar aos seus alunos a invocar o PAI, JESUS anunciava que haveria de solucionar a questão que impedia o ETERNO de nos adotar, JESUS, pela eficácia de seu sacrifício, iria matar o pecador e preservar, pela ressurreição, o ser humano, por isso, nos ensina a orar, ou seja a entrar no lugar santíssimo, sem nenhuma mediação humana.

Meditação: Orar é entrar na presença do ETERNO, no lugar santíssimo, graças a
JESUS, o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo.

Oração: PAI, te sou grato pela paternidade que estendeste a mim, e por saber que desde tempo imemoriais me quiseste como filho. Em nome de JESUS, amém!

sábado, 26 de janeiro de 2013

Mudança de Nome

Ariovaldo Ramos

"Paulo, escravo de Jesus Cristo" (Rm 1.1a)

01

Saulo mudou o seu nome!

O que não era incomum na cultura judaica.

Parece que não foi por ordem do Senhor, porque o Espírito Santo, em Antioquia, o chamou de Saulo (At 13.2).

A Igreja em Antioquia, a sua Igreja local, também o conhecia como Saulo (At 13.1).

Parece, portanto, que Saulo o fez por vontade própria.

Há quem diga que ele, para melhor identificar-se com aqueles que eram o seu foco missionário, escolheu usar o seu nome gentio.

Pode ser...

02

O nome Saulo significa "o Desejado".

O nome Paulo significa "o Pequeno ou o Menor".

É uma mudança de nome bastante significativa!

Vai além do foco missiológico.

Fala de um novo enfoque pessoal.

Até porque ele se apresenta como escravo de Jesus Cristo!

Pequeno ou Menor é significado mais adequado para alguém que se descreve como escravo.

**

"chamado para ser apóstolo, separado para o evangelho de Deus" (Rm 1.1b)

01

Esse escravo foi designado como representante do seu Senhor!

Apóstolo ou missionário significa representante ou embaixador de alguém.

Ele foi designado, pelo seu Senhor, como seu representante, como seu embaixador para levar as boas notícias do Deus e Pai de seu Senhor, a todas as nações.

O Senhor ao designá-lo para tão nobre missão, o tratou como "o desejado".

Interessante: Jesus o chamou de "o desejado" (At 9.4); a Igreja o chamava de "o desejado" (At 13.1); o Espírito Santo o chamava de "o desejado" (At 13.2).

No entanto, ele passou a apresentar-se à sociedade, de maneira geral, e à Igreja como "o pequeno".

02

Esse moço ganhou a consciência do preço pago pelo Senhor por sua salvação, e se reconheceu como escravo do Cristo, e o seu Senhor o designou como seu Embaixador.

Esse Embaixador passou a se apresentar como "o pequeno", mas, continuou a ser "o desejado" para o seu Senhor e Deus.

Esse homem decidiu ser "o pequeno servo de Jesus" entre os homens, porque era "o desejado" de seu Deus.

Esse cristão passou a se apresentar como "o pequeno servo" entre todas as pessoas, porque não precisava mais da glória que vem dos homens - que, a rigor, não significa nada mesmo!

Quem é "o desejado" para o Senhor Jesus Cristo, já tem toda a glória de que precisa!

**

P.S- Todos os salvos por Cristo Jesus, o Senhor, são igualmente desejados pelo Pai Nosso - já têm toda a glória de que precisam - por isso, como missionários, estão prontos para fazer todo o serviço que devem ao Senhor, e aos seres humanos.

Missão Urbana


Então...

Ariovaldo Ramos

Eu vi você...
E você me viu também.
Eu percebo você,
E sei que você me percebe.
Nós sabemos um o que o outro quer!
Então...

Vê se para de buzinar!

E Caim edificou uma cidade...