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quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Mudança de endereço


Ariovaldo Ramos

"voz do que clama no deserto: preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas;" (Mc 1.3)

quem está no deserto, e que precisa de voz, de porta-voz? Deus!

Deus mudou de endereço, saiu do templo!

e Lucas, no capítulo 3.1,2, explica o porquê: o templo tinha sido corrompido, haviam dois sumo-sacerdotes: Anás e Caifás - o que é uma contradição de termos.

por definição, só pode haver 1 sumo-sacerdote.

informa Flávio Josefo (escritor e historiador judeu que viveu entre 37 e 103 d.C, no livro: "A História dos Hebreus"), que Anás, esperto e populista, foi, segundo interesse do império, tornado sumo-sacerdote por Quirino, governador romano da Síria, em 6 d.c, sendo demovido em 15 d.c por Valério Crato,antecessor de Pilatos, porém, manteve-se como eminência parda controlando os seus sucessores,

ele colaborou com os tiranos, e consequiu ser sucedido por cada um de seus cinco filhos, e por seu genro Caifás, que, como ele, exerceram o sumo sacerdócio a serviço da tirania.

mas Deus não participa de conchavos e de venalidades, mesmo que jurem estar fazendo em nome dele e pela sua causa. 

e Deus saiu do templo e foi para o deserto.

ecoa aqui a fala do Senhor Jesus: "nem todo o que me diz: Senhor Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus." (Mt 7.21)

a comunidade da fé, que é uma comunidade de sacerdotes, que só tem a Jesus, como sumo-sacerdote, tem de denunciar a todos os que, dizendo agir em nome do Senhor, fazem conchavos e praticam a venalidade, atraiçoando a causa da cruz.

eles estão vazios, como vazio ficou o templo quando Deus mudou de endereço, e tudo que eles fazem não tem sentido algum, como sem sentido ficaram todos os rituais do templo, porque Deus não estava mais lá para apreciá-los ou recebê-los.

a comunidade da fé tem de enfrentar aos impostores, porque eles não têm o amparo da Trindade.

o Cristo não poderia andar pelos caminhos que o Israel, de então, tinha para apresentá-lo ao mundo.

era o caminho do conchavo com os romanos, com os donos do poder; o caminho da politicagem, e, mesmo os libertários, estavam em busca de interesses particulares.
   
esses não eram caminhos direitos:

os zelotes (partido da luta armada contra os invasores) escolheram a violência contra os invasores; o caminho de Jesus é o da não violência (Mt 5.39).

os fariseus (partido ortodoxo) escolheram a complacência com os dominadores; o caminho de Jesus é o da denúncia (Jo 18.22,23).

os saduceus (partido heterodoxo dos sacerdotes) escolheram a cumplicidade com os opressores; o caminho de Jesus é o do confronto (Lc 18.31,32).

os publicanos (colaboracionistas de Roma) escolheram o serviço aos tiranos; o caminho de Jesus é o do serviço aos oprimidos (Mt 11.2-5), como reação e denúncia aos pretensos senhores do poder (Mt 20.25).

e os essênios (partido fundamentalista) escolheram o caminho de fuga, esconderam-se nas cavernas; o caminho de Jesus é o de iluminar o mundo pela vida, mensagem e pelas boas obras, e de resistir à perseguição por causa da justiça (Mt 5.10-16).

aqueles não eram caminhos direitos, porque não eram caminhos de Deus.

o salvador não poderia apresentar-se por meio de nenhum daqueles  caminhos, se quisesse salvar o mundo (Jo 3.17)

o messias tem uma mensagem de reconciliação para todos, mas só anda pelo caminho de Deus; o caminho da Trindade é o de "evangelizar os pobres, proclamar a libertação aos cativos e restauração de vista aos cegos, de por em liberdade os oprimidos, e apregoar o ano aceitável do Senhor" (Lc 4.18).



terça-feira, 15 de janeiro de 2013

O Caminho do Justo

Salmo 001

Ariovaldo Ramos

O Senhor, o Pai, construiu o caminho do justo. 
O Senhor Espírito Santo é quem conduz o justo.
O Senhor Jesus Cristo é quem gera o justo.

O justo só ouve quem pratica a justiça.
O justo vê a iniqüidade como descaminho.
O justo só se assenta com quem honra o próximo.

O prazer do justo está na lei do Senhor.
O prazer do justo é amar a lei do Senhor.
O prazer do justo é viver a vontade do Senhor.

O justo vive na comunidade de Palavra viva.
O justo tem o espírito sempre alimentado.
O justo sempre transborda de fé e de esperança.

O justo vive sem ansiedade.
O justo, no tempo certo, faz o que tem de fazer.
O justo é feliz!

sábado, 12 de janeiro de 2013

O salto ontológico


 Ariovaldo Ramos

"Mas o Espírito de Deus produz o amor, a alegria, a paz, a paciência, a delicadeza, a bondade, a fidelidade, a humildade e o domínio próprio. E contra essas coisas não existe lei. As pessoas que pertencem a Cristo Jesus crucificaram a natureza humana delas, junto com todas a paixões e desejos dessa natureza. Que o Espírito de Deus, que nos deu a vida, controle também a nossa vida!" Gl 5.22-25

O novo nascimento pela recepção do Espírito Santo é um salto ontológico para a humanidade. Muda a concepção de ser humano.

Antes da queda, ser humano era ser a espécie criada à semelhança da Trindade, porém, diante de uma escolha. Pleno de consciência e de possibilidades, mas, diante da inevitável escolha entre a vida e a morte.  E, então, num ato de desobediência, pensando estar escolhendo o saber que faz ser como Deus, escolheu a morte (Gn 3.6; 11).

Depois da queda, ser humano é ser a espécie sem a vida divina, em estado de pecado, portanto espiritualmente morto.  Essa morte se manifesta nos vários delitos e pecados que caracterizam o seu modo de viver. O homem caído, no entanto, é sustentado pela graça mantenedora da Trindade, que lhe garante parcial acesso ao bem.

Depois da vitória do Cristo sobre a morte, pela ressurreição, que permitiu ao Pai, no Pentecostes e a partir deste, liberar a pessoa do Espírito Santo para habitar nos que creem no Cristo; ser humano é ser a espécie em que Deus habita e manifesta a sua natureza pelo fruto do Espírito, e que, por isso, pode dizer não à morte, em seu viver diário, enquanto aguarda a ressurreição do corpo.

Os que pertencem ao Cristo Ressurreto mataram na cruz a velha natureza humana, com suas paixões e desejos; escolhendo viver, apenas, a partir da nova natureza humana, a natureza do último Adão (1 Co 15,45-49), comunicada pelo Espírito Santo, que se uniu ao espírito humano (1 Co 6.17).

Os cristãos não consideram mais o pecado como "natural",  consideram como natural o fruto do Espírito Santo; portanto, todo sentimento e paixão, ou motivação, ou desejo, ou pensamento, ou paradigma que não se coadune com o fruto do Espírito é considerado disfuncional e descartado como falso, não importa a intensidade com que se apresente.

Os cristãos sabem que a velha natureza está arraigada neles, e se manifesta nos sentimentos, e nas paixões, e nos padrões de pensamento, e nas motivações. Também sabem que as culturas que a velha humanidade formou, assim como os sistemas políticos, econômicos, sociais e educacionais estão contaminados pela velha natureza.

Os cristãos, portanto, sabem que essa luta é hercúlea, e oram uns pelos outros, e se ajudam nessa batalha para viver a partir do salto ontológico, que a todos oferecem, e que lhes foi dado pelo batismo com o Espîrito Santo, que é ministrado por Jesus, no momento da conversão. 

Os cristãos lutam para que, como pessoas, manifestem o caráter de Jesus de Nazaré; como comunidade,  imitando a Trindade, busquem amar ao irmão, a ponto de se sacrificar por ele, como Jesus o fez; como cidadãos construam uma nova sociedade, onde a justiça corra como um rio perene (Am 5.24).
Os cristãos consideram como natural o amar, acima de tudo, ao Pai, representante da Trindade, que é o único Deus, dedicando-lhe toda a motivação, todo o sentimento, e todo o serviço, com toda a disciplina - porque é ao Pai que se dirigem (Mt 6.9), quando falam com a Trindade - assim como o amar ao próximo como o ser humano gosta de ser amado em todas as circunstâncias.

Os cristãos consideram como natural o ter a alegria de existir, comunicada pelo Pai; o estar em paz com o Pai, consigo e com o próximo; o agir a partir da paciência própria de quem confia na Trindade, como interventora na história para o cumprimento de seu propósito redentor (Rm 8.28).

Os cristãos consideram como normal o ser gentil e bondoso para com todos; o ser fiel ao Pai pelo cumprimento de sua vontade, expressa nas Sagradas Escrituras (Mt 7.21);  o ser humilde, reconhecendo-se como dependentes da graça divina, o que os coloca em pé de igualdade com as demais criaturas,  racionais ou não, animadas ou não; o que os torna responsáveis pela preservação da dignidade de todos os seres criados.

Os cristãos consideram como normal o estar sempre conscientes da Trindade,  pois, a existência do Deus implica em que há um jeito certo de viver; o estar sempre consciente de si, de suas possibilidades, limitações, direitos e responsabilidades; o estar sempre consciente do outro, de seu valor e direito.

Os cristãos, para tanto, sem cessar, pedem, buscam e batem, em oração, à porta do Pai, para que o Espírito Santo os controle, a partir do triunfo do Cordeiro Santo, por meio de sua ressurreição, em garantir o perdão dos pecados, dos quais sempre se arrependem, confessando-os, de modo que, fortalecidos no espírito (Ef 3.16; 6.10; Cl 1.11), possam viver sem dar lugar à carne: nome dado à velha natureza humana.

Os cristãos creem na Trindade: no Filho que, por amor ao Pai, venceu por eles; no Espírito Santo que, por tal vitória, em obediência ao Pai, neles habita, e no Pai de toda a graça que, por meio do Filho, lhes comunicou e comunica superabundante graça e, por meio do Espírito Santo, lhes comunicou e comunica a sua própria vida.

De modo que, diariamente, os cristãos se levantam para viver nesse novo padrão, por meio da obediência à Palavra revelada, sabendo que o Senhor Jesus, por meio da ação do Espírito Santo, mantém andando sobre as águas da existência, contaminadas pela manifestação de maldade, todos os que, pela fé, carregados por sua Palavra, sem se deixar levar por sentimentos ou circunstâncias, rejeitando a velha natureza humana, saem do barco da "carne" em direção a Jesus, o padrão do novo ser humano.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Comunhão e Espiritualidade




Ariovaldo Ramos

Pois onde se acham dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles. (Mt 18.20)

A igreja de Jesus é baseada num tipo de relacionamento: pessoas reunidas em seu nome. E quando isso acontece, Jesus, ali, se faz presente, de forma especial.

Em que circunstâncias as pessoas estão reunidas em seu nome? 

Porque todas as vezes que comerdes deste pão e beberdes do cálice estareis anunciando a morte do Senhor, até que ele venha. (1Co 11.26)

Nós estamos reunidos, em nome do Senhor, na ceia (que é sempre santa, mesmo que se a considere como memorial), em torno da mesa da comunhão, onde agradecemos pelo perdão que recebemos, e pela habitação do Espírito Santo, e onde somos nutridos para continuar perdoando e servindo. Reiteramos, ali, a nossa devoção ao Cristo, a nossa fraternidade e unidade, e anunciamos o triunfo do Senhor sobre a morte e o egoismo.

Quer dizer que, quando não estamos celebrando a ceia do Senhor não estamos reunidos em nome do Senhor?

Trata-se da celebração em si, que deve periodicamente acontecer, a igreja em Jerusalém, por exemplo, o fazia diariamente (At 2.42); mas, trata-se, também, de manter, sempre, entre nós, o espírito da ceia pela unidade da Igreja, sob a centralidade do sacrifício do Cordeiro. Então, não importa o que estejamos fazendo juntos, temos de estar no espírito da ceia; fazemos tudo como membros da Igreja do Cristo, a partir de nossa consciência de que somos e nos reunimos como comunidade da fé, a partir e em torno do sacrifício e da ressurreição do Ungido, Jesus de Nazaré.

Nosso viver e nossas boas obras e palavras, que disseminam o caráter, a justiça, e a libertação de Cristo, são feitas a partir da vida de comunidade da fé, que é a cidade edificada sobre o monte, de onde partem os luzeiros, pessoalmente e em grupos, para iluminar o mundo (Mt 5.13-16)

Nos reunimos  e agimos como comunidade, e a partir da vida comunitária, e, sempre, com a consciência de que temos de nos nutrir, mutuamente, na fé, por meio da palavra de Cristo (Cl 3.16).

O registro da fé e de seus valores não fica na memória, mas, no espírito, portanto, quando o espírito deixa de ser alimentado esses valores perdem a força.

O nosso espírito é alimentado na vida comunitária, onde, a partir da ceia (em dia ou não de ceia do Senhor), se ouça da Palavra de Deus, que é Jesus, a partir da exposição da Bíblia, que é a Palavra inspirada pelo Espírito Santo para revelar Jesus (Jo 5.39; Lc 24.27) e se pratique a mutualidade (CL 3.12-17).

 A fé vem pelo ouvir, na vida de Igreja, de Jesus, a partir das Escrituras Sagradas. Um espírito forte não é só resultado do quanto se sabe, mas do quanto se comunga.