Salmo 001
Ariovaldo Ramos
O Senhor, o Pai, construiu o caminho do justo.
O Senhor Espírito Santo é quem conduz o justo.
O Senhor Jesus Cristo é quem gera o justo.
O justo só ouve quem pratica a justiça.
O justo vê a iniqüidade como descaminho.
O justo só se assenta com quem honra o próximo.
O prazer do justo está na lei do Senhor.
O prazer do justo é amar a lei do Senhor.
O prazer do justo é viver a vontade do Senhor.
O justo vive na comunidade de Palavra viva.
O justo tem o espírito sempre alimentado.
O justo sempre transborda de fé e de esperança.
O justo vive sem ansiedade.
O justo, no tempo certo, faz o que tem de fazer.
O justo é feliz!
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terça-feira, 15 de janeiro de 2013
sábado, 12 de janeiro de 2013
O salto ontológico
"Mas o Espírito de Deus produz o amor, a alegria, a
paz, a paciência, a delicadeza, a bondade, a fidelidade, a humildade e o
domínio próprio. E contra essas coisas não existe lei. As pessoas que pertencem
a Cristo Jesus crucificaram a natureza humana delas, junto com todas a paixões
e desejos dessa natureza. Que o Espírito de Deus, que nos deu a vida, controle
também a nossa vida!" Gl 5.22-25
O novo nascimento pela recepção do Espírito Santo é um salto
ontológico para a humanidade. Muda a concepção de ser humano.
Antes da queda, ser humano era ser a espécie criada à
semelhança da Trindade, porém, diante de uma escolha. Pleno de consciência e de
possibilidades, mas, diante da inevitável escolha entre a vida e a morte. E, então, num ato de desobediência, pensando
estar escolhendo o saber que faz ser como Deus, escolheu a morte (Gn 3.6; 11).
Depois da queda, ser humano é ser a espécie sem a vida
divina, em estado de pecado, portanto espiritualmente morto. Essa morte se manifesta nos vários delitos e pecados que caracterizam o seu modo de viver. O homem caído, no entanto, é sustentado pela
graça mantenedora da Trindade, que lhe garante parcial acesso ao bem.
Depois da vitória do Cristo sobre a morte, pela ressurreição,
que permitiu ao Pai, no Pentecostes e a partir deste, liberar a pessoa do Espírito Santo para habitar nos que
creem no Cristo; ser humano é
ser a espécie em que Deus habita e manifesta a sua natureza pelo fruto do
Espírito, e que, por isso, pode dizer não à morte, em seu viver diário, enquanto aguarda a
ressurreição do corpo.
Os que pertencem ao Cristo Ressurreto mataram na cruz a
velha natureza humana, com suas paixões e desejos; escolhendo viver, apenas, a
partir da nova natureza humana, a natureza do último Adão (1 Co 15,45-49),
comunicada pelo Espírito Santo, que se uniu ao espírito humano (1 Co 6.17).
Os cristãos não consideram mais o pecado como "natural", consideram como natural o fruto do Espírito
Santo; portanto, todo sentimento e paixão, ou motivação, ou desejo, ou
pensamento, ou paradigma que não se coadune com o fruto do Espírito é
considerado disfuncional e descartado como falso, não importa a intensidade com
que se apresente.
Os cristãos sabem que a velha natureza está arraigada neles,
e se manifesta nos sentimentos, e nas paixões, e nos padrões de pensamento, e
nas motivações. Também sabem que as culturas que a velha humanidade formou,
assim como os sistemas políticos, econômicos, sociais e educacionais estão
contaminados pela velha natureza.
Os cristãos, portanto, sabem que essa luta é hercúlea, e oram
uns pelos outros, e se ajudam nessa batalha para viver a partir do salto
ontológico, que a todos oferecem, e que lhes foi dado pelo batismo com o
Espîrito Santo, que é ministrado por Jesus, no momento da conversão.
Os cristãos lutam para que, como
pessoas, manifestem o caráter de Jesus de Nazaré; como comunidade, imitando a Trindade, busquem amar ao irmão, a ponto de se sacrificar por ele, como Jesus o fez; como cidadãos construam uma nova sociedade, onde a justiça corra
como um rio perene (Am 5.24).
Os cristãos consideram como
natural o amar, acima de tudo, ao Pai, representante da Trindade, que é o único Deus, dedicando-lhe toda a motivação, todo o sentimento, e todo o serviço, com
toda a disciplina - porque é ao Pai que se dirigem (Mt 6.9), quando falam com a
Trindade - assim como o amar ao próximo como o ser humano gosta de ser amado em
todas as circunstâncias.
Os cristãos consideram como natural o ter a alegria de
existir, comunicada pelo Pai; o estar em paz com o Pai, consigo e com o
próximo; o agir a partir da paciência própria de quem confia na Trindade, como
interventora na história para o cumprimento de seu propósito redentor (Rm 8.28).
Os cristãos consideram como normal o ser gentil e bondoso
para com todos; o ser fiel ao Pai pelo cumprimento de sua vontade, expressa nas
Sagradas Escrituras (Mt 7.21); o ser
humilde, reconhecendo-se como dependentes da graça divina, o que os coloca em
pé de igualdade com as demais criaturas,
racionais ou não, animadas ou não; o que os torna responsáveis pela
preservação da dignidade de todos os seres criados.
Os cristãos consideram como normal o estar sempre
conscientes da Trindade, pois, a
existência do Deus implica em que há um jeito certo de viver; o estar sempre
consciente de si, de suas possibilidades, limitações, direitos e responsabilidades;
o estar sempre consciente do outro, de seu valor e direito.
Os cristãos, para tanto, sem cessar, pedem, buscam e batem,
em oração, à porta do Pai, para que o Espírito Santo os controle, a partir do
triunfo do Cordeiro Santo, por meio de sua ressurreição, em garantir o perdão
dos pecados, dos quais sempre se arrependem, confessando-os, de modo que,
fortalecidos no espírito (Ef 3.16; 6.10; Cl 1.11), possam viver sem dar lugar à
carne: nome dado à velha natureza humana.
Os cristãos creem na Trindade: no Filho que, por amor ao
Pai, venceu por eles; no Espírito Santo que, por tal vitória, em obediência ao
Pai, neles habita, e no Pai de toda a graça que, por meio do Filho, lhes
comunicou e comunica superabundante graça e, por meio do Espírito Santo, lhes
comunicou e comunica a sua própria vida.
De modo que, diariamente, os cristãos se levantam para viver
nesse novo padrão, por meio da obediência à Palavra revelada, sabendo que o
Senhor Jesus, por meio da ação do Espírito Santo, mantém andando sobre as águas
da existência, contaminadas pela manifestação de maldade, todos os que, pela fé, carregados
por sua Palavra, sem se deixar levar por sentimentos ou circunstâncias, rejeitando
a velha natureza humana, saem do barco da "carne" em direção a Jesus,
o padrão do novo ser humano.
quarta-feira, 9 de janeiro de 2013
Comunhão e Espiritualidade
Ariovaldo Ramos
Pois onde se acham dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles. (Mt 18.20)
A igreja de Jesus é baseada num tipo de relacionamento: pessoas reunidas em seu nome. E quando isso acontece, Jesus, ali, se faz presente, de forma especial.
Em que circunstâncias as pessoas estão reunidas em seu nome?
Porque todas as vezes que comerdes deste pão e beberdes do cálice estareis anunciando a morte do Senhor, até que ele venha. (1Co 11.26)
Nós estamos reunidos, em nome do Senhor, na ceia (que é sempre santa, mesmo que se a considere como memorial), em torno da mesa da comunhão, onde agradecemos pelo perdão que recebemos, e pela habitação do Espírito Santo, e onde somos nutridos para continuar perdoando e servindo. Reiteramos, ali, a nossa devoção ao Cristo, a nossa fraternidade e unidade, e anunciamos o triunfo do Senhor sobre a morte e o egoismo.
Quer dizer que, quando não estamos celebrando a ceia do Senhor não estamos reunidos em nome do Senhor?
Trata-se da celebração em si, que deve periodicamente acontecer, a igreja em Jerusalém, por exemplo, o fazia diariamente (At 2.42); mas, trata-se, também, de manter, sempre, entre nós, o espírito da ceia pela unidade da Igreja, sob a centralidade do sacrifício do Cordeiro. Então, não importa o que estejamos fazendo juntos, temos de estar no espírito da ceia; fazemos tudo como membros da Igreja do Cristo, a partir de nossa consciência de que somos e nos reunimos como comunidade da fé, a partir e em torno do sacrifício e da ressurreição do Ungido, Jesus de Nazaré.
Nosso viver e nossas boas obras e palavras, que disseminam o caráter, a justiça, e a libertação de Cristo, são feitas a partir da vida de comunidade da fé, que é a cidade edificada sobre o monte, de onde partem os luzeiros, pessoalmente e em grupos, para iluminar o mundo (Mt 5.13-16)
Nos reunimos e agimos como comunidade, e a partir da vida comunitária, e, sempre, com a consciência de que temos de nos nutrir, mutuamente, na fé, por meio da palavra de Cristo (Cl 3.16).
O registro da fé e de seus valores não fica na memória, mas, no espírito, portanto, quando o espírito deixa de ser alimentado esses valores perdem a força.
O nosso espírito é alimentado na vida comunitária, onde, a partir da ceia (em dia ou não de ceia do Senhor), se ouça da Palavra de Deus, que é Jesus, a partir da exposição da Bíblia, que é a Palavra inspirada pelo Espírito Santo para revelar Jesus (Jo 5.39; Lc 24.27) e se pratique a mutualidade (CL 3.12-17).
A fé vem pelo ouvir, na vida de Igreja, de Jesus, a partir das Escrituras Sagradas. Um espírito forte não é só resultado do quanto se sabe, mas do quanto se comunga.
terça-feira, 6 de março de 2012
O Amor de Deus não é Incondicional
É um equívoco dizer que o amor de Deus é incondicional, para que seja assim o amor de Deus deveria cumprir duas condições que, a meu ver, estão implícitas no termo incondicionalidade: a não necessidade de pré-requisito e a não expectativa de reciprocidade. Vejamos:
A- "Nós o amamos a ele porque ele nos amou primeiro." I Jo 4.19 (RC)
Deus não ama incondicionalmente: Deus ama para ser amado. Deus espera que seu amor por nós desperte amor por Ele. Se Deus amasse incondicionalmente a salvação teria de ser universal.
Incondicionalidade significa não exigir nenhum pré-requisito e não esperar nenhum tipo de resposta. Não é o caso: Deus espera ser amado. Logo, antes de ser incondicional, o amor de Deus atua para criar em nós condições de amá-lo. Não é incondicional porque dos dois fatores que demarcam a incondicionalidade: a ausência de pré-requisito e o não aguardo de resposta - o amor de Deus contempla apenas o primeiro. O amor de Deus não exige pré-requisito: "Mas Deus mostrou-nos até que ponto nos ama, pois, quando ainda éramos pecadores, Cristo morreu por nós." (Rm 5.8 - SBP) O amor de Deus, entretanto, exige uma resposta: "Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna." (Jo 3.16 – RA) – Deus ama ao mundo, mas só salva àquele que responde ao seu amor.
B- "O amor de Cristo absorve-nos completamente, pois sabemos que se ele morreu por todos, então todos morreram. E ele morreu por todos, para que os que vivem já não vivam para si mesmos, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou." 2Co 2.14,15 (SBP)
O amor sacrificial de Cristo é suficiente para salvar a todos, mas, é eficaz aos que, conscientes desse amor, não vivam mais para si mesmos, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou. O amor de Cristo espera gerar conversão, para que haja salvação.
C- "Nós sabemos que tudo contribui para o bem daqueles que amam a Deus, dos que são chamados segundo o seu plano." Rm 8.28 (SBP)
Deus é soberano, mas se responsabiliza pela história daqueles que o amam; o caminho dos ímpios, porém, perecerá (Sl 1.6). Deus garante que interferirá na história para que esta seja benéfica para os que o amam, contudo, deixará que os ímpios sigam livremente o seu curso, o que terminará em perdição. E, ímpios são os que não respondem ao amor de Deus.
D- "Foi antes da festa da Páscoa. Jesus sabia que tinha chegado a sua hora de deixar este mundo para ir para o Pai. E ele, que amou sempre os seus que estavam no mundo, quis dar-lhes provas desse amor até ao fim. (...) Levantou-se então da mesa, tirou a capa e pegou numa toalha que pôs à cintura. Depois deitou água numa bacia e começou a lavar os pés aos discípulos e a enxugá-los com a toalha. (...) Se eu, que sou Senhor e Mestre, vos lavei os pés, também de agora em diante devem lavar os pés uns aos outros." Jo 13. 1, 4, 5, 14 (SBP)
Mesmo o ato mais amoroso e aparentemente incondicional de Cristo tinha um propósito: provocar conversão em seus discípulos, de modo que o imitassem. Não era, portanto, uma demonstração da incondicionalidade de seu amor, mas um ato pedagógico visando um fim específico. Deus ama primeiro, porém não incondicionalmente, ele espera uma resposta.
E- "E diz também: Se o teu inimigo tem fome, dá-lhe de comer e se tem sede dá-lhe de beber. Ao fazeres isso, farás com que a cara lhe arda de vergonha." Rm 12.20 (SBP)
Mesmo o amor com que Deus manda que amemos não é incondicional, espera uma resposta. Ainda que a gente não deva parar de amar por motivo nenhum: "E não nos cansemos de fazer o bem, porque a seu tempo ceifaremos, se não houvermos desfalecido." Gl 6.9 (RA) – a gente, também, não pode perder a esperança de alcançar a resposta desejada.
F- "Ouve, Israel, o SENHOR, nosso Deus, é o único SENHOR. Amarás, pois, o SENHOR, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de toda a tua força." Dt 6.4,5
Deus espera ser amado, porque esta é a única maneira adequada de relacionar-se com Deus na beleza de sua exclusividade, de sua santidade: amá-lo acima de todas as coisas – o que significa sempre escolher a Deus, não importa quão tentadora seja a possibilidade oferecida; quem ama a Deus acima de todas as coisas só escolhe o que Deus escolheria, porque sempre escolhe a Deus.
G- "Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado por meu Pai, e eu também o amarei e me manifestarei a ele. Quem não me ama não guarda as minhas palavras; e a palavra que estais ouvindo não é minha, mas do Pai, que me enviou." Jo 14.21,24 (RA) "Aquele que diz: Eu o conheço e não guarda os seus mandamentos é mentiroso, e nele não está a verdade. Aquele, entretanto, que guarda a sua palavra, nele, verdadeiramente, tem sido aperfeiçoado o amor de Deus. Nisto sabemos que estamos nele: aquele que diz que permanece nele, esse deve também andar assim como ele andou." 1Jo 2.4-6 (RA)
Quem ama a Deus? Aquele que o obedece. O que acontece com aquele que obedece a Deus? O amor de Deus é nele aperfeiçoado, isto é, nele o amor que saiu de Deus consegue cumprir a missão para a qual saiu. Deus ama para ser obedecido! Quem não obedece a Deus como resposta ao seu amor, não só não o ama como nem o conhece de fato; logo, não pode nele permanecer, até porque nem está nele.
H- "Nem todos aqueles que me dizem: ‘Senhor, Senhor!’ entrarão no reino dos céus, mas apenas os que fazem a vontade de meu Pai que está nos céus." Mt 7.21 (RA)
Os que não obedecem a Deus não serão salvos, não porque a salvação seja pelas obras, mas porque a graça de Deus, que em nós foi derramada, nos torna filhos da obediência, prontos para as boas obras e para andar de modo digno do chamado que recebemos; porque, pela graça, somos fortalecidos com poder no homem interior, podendo, assim, ser imitadores de Deus, como filhos amados, como nos ensina o apóstolo Paulo, na carta aos efésios.
Então, quem peca não é salvo? Para os que caem em pecado há uma palavra de obediência que, em sendo cumprida, demonstra que eles, ainda amam ao Senhor, embora, por um momento, o tenham desonrado: "Mas se confessarmos os nossos pecados, Deus que é fiel e justo perdoará os nossos pecados e nos purificará de todo o mal." I Jo 1.9 (SBP). Há uma ordem clara para todo o que, se dizendo filho de Deus, cai em pecado: arrepender-se. A ordem é não pecar, contudo, disse João: "Filhinhos meus, estas coisas vos escrevo para que não pequeis. Se, todavia, alguém pecar, temos Advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo." I Jo 2.1 (RA). É preciso, entretanto, ter sempre em mente a palavra do apóstolo: "Todo aquele que permanece nele não vive pecando; todo aquele que vive pecando não o viu, nem o conheceu. Todo aquele que é nascido de Deus não vive na prática do pecado; pois o que permanece nele é a divina semente; ora, esse não pode viver pecando, porque é nascido de Deus." I Jo 3.4,8 (RA)
O amor de Deus não é incondicional, Deus ama para ser obedecido.
Tudo, na Bíblia, parece dizer que Deus não deixa de amar porque não houve resposta ao seu amor, entretanto, também não deixa de esperar que essa resposta venha. E se ela não vier, apesar de todo o amor que dispensa às suas criaturas, executará o juízo.©ariovaldoramos
A- "Nós o amamos a ele porque ele nos amou primeiro." I Jo 4.19 (RC)
Deus não ama incondicionalmente: Deus ama para ser amado. Deus espera que seu amor por nós desperte amor por Ele. Se Deus amasse incondicionalmente a salvação teria de ser universal.
Incondicionalidade significa não exigir nenhum pré-requisito e não esperar nenhum tipo de resposta. Não é o caso: Deus espera ser amado. Logo, antes de ser incondicional, o amor de Deus atua para criar em nós condições de amá-lo. Não é incondicional porque dos dois fatores que demarcam a incondicionalidade: a ausência de pré-requisito e o não aguardo de resposta - o amor de Deus contempla apenas o primeiro. O amor de Deus não exige pré-requisito: "Mas Deus mostrou-nos até que ponto nos ama, pois, quando ainda éramos pecadores, Cristo morreu por nós." (Rm 5.8 - SBP) O amor de Deus, entretanto, exige uma resposta: "Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna." (Jo 3.16 – RA) – Deus ama ao mundo, mas só salva àquele que responde ao seu amor.
B- "O amor de Cristo absorve-nos completamente, pois sabemos que se ele morreu por todos, então todos morreram. E ele morreu por todos, para que os que vivem já não vivam para si mesmos, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou." 2Co 2.14,15 (SBP)
O amor sacrificial de Cristo é suficiente para salvar a todos, mas, é eficaz aos que, conscientes desse amor, não vivam mais para si mesmos, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou. O amor de Cristo espera gerar conversão, para que haja salvação.
C- "Nós sabemos que tudo contribui para o bem daqueles que amam a Deus, dos que são chamados segundo o seu plano." Rm 8.28 (SBP)
Deus é soberano, mas se responsabiliza pela história daqueles que o amam; o caminho dos ímpios, porém, perecerá (Sl 1.6). Deus garante que interferirá na história para que esta seja benéfica para os que o amam, contudo, deixará que os ímpios sigam livremente o seu curso, o que terminará em perdição. E, ímpios são os que não respondem ao amor de Deus.
D- "Foi antes da festa da Páscoa. Jesus sabia que tinha chegado a sua hora de deixar este mundo para ir para o Pai. E ele, que amou sempre os seus que estavam no mundo, quis dar-lhes provas desse amor até ao fim. (...) Levantou-se então da mesa, tirou a capa e pegou numa toalha que pôs à cintura. Depois deitou água numa bacia e começou a lavar os pés aos discípulos e a enxugá-los com a toalha. (...) Se eu, que sou Senhor e Mestre, vos lavei os pés, também de agora em diante devem lavar os pés uns aos outros." Jo 13. 1, 4, 5, 14 (SBP)
Mesmo o ato mais amoroso e aparentemente incondicional de Cristo tinha um propósito: provocar conversão em seus discípulos, de modo que o imitassem. Não era, portanto, uma demonstração da incondicionalidade de seu amor, mas um ato pedagógico visando um fim específico. Deus ama primeiro, porém não incondicionalmente, ele espera uma resposta.
E- "E diz também: Se o teu inimigo tem fome, dá-lhe de comer e se tem sede dá-lhe de beber. Ao fazeres isso, farás com que a cara lhe arda de vergonha." Rm 12.20 (SBP)
Mesmo o amor com que Deus manda que amemos não é incondicional, espera uma resposta. Ainda que a gente não deva parar de amar por motivo nenhum: "E não nos cansemos de fazer o bem, porque a seu tempo ceifaremos, se não houvermos desfalecido." Gl 6.9 (RA) – a gente, também, não pode perder a esperança de alcançar a resposta desejada.
F- "Ouve, Israel, o SENHOR, nosso Deus, é o único SENHOR. Amarás, pois, o SENHOR, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de toda a tua força." Dt 6.4,5
Deus espera ser amado, porque esta é a única maneira adequada de relacionar-se com Deus na beleza de sua exclusividade, de sua santidade: amá-lo acima de todas as coisas – o que significa sempre escolher a Deus, não importa quão tentadora seja a possibilidade oferecida; quem ama a Deus acima de todas as coisas só escolhe o que Deus escolheria, porque sempre escolhe a Deus.
G- "Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado por meu Pai, e eu também o amarei e me manifestarei a ele. Quem não me ama não guarda as minhas palavras; e a palavra que estais ouvindo não é minha, mas do Pai, que me enviou." Jo 14.21,24 (RA) "Aquele que diz: Eu o conheço e não guarda os seus mandamentos é mentiroso, e nele não está a verdade. Aquele, entretanto, que guarda a sua palavra, nele, verdadeiramente, tem sido aperfeiçoado o amor de Deus. Nisto sabemos que estamos nele: aquele que diz que permanece nele, esse deve também andar assim como ele andou." 1Jo 2.4-6 (RA)
Quem ama a Deus? Aquele que o obedece. O que acontece com aquele que obedece a Deus? O amor de Deus é nele aperfeiçoado, isto é, nele o amor que saiu de Deus consegue cumprir a missão para a qual saiu. Deus ama para ser obedecido! Quem não obedece a Deus como resposta ao seu amor, não só não o ama como nem o conhece de fato; logo, não pode nele permanecer, até porque nem está nele.
H- "Nem todos aqueles que me dizem: ‘Senhor, Senhor!’ entrarão no reino dos céus, mas apenas os que fazem a vontade de meu Pai que está nos céus." Mt 7.21 (RA)
Os que não obedecem a Deus não serão salvos, não porque a salvação seja pelas obras, mas porque a graça de Deus, que em nós foi derramada, nos torna filhos da obediência, prontos para as boas obras e para andar de modo digno do chamado que recebemos; porque, pela graça, somos fortalecidos com poder no homem interior, podendo, assim, ser imitadores de Deus, como filhos amados, como nos ensina o apóstolo Paulo, na carta aos efésios.
Então, quem peca não é salvo? Para os que caem em pecado há uma palavra de obediência que, em sendo cumprida, demonstra que eles, ainda amam ao Senhor, embora, por um momento, o tenham desonrado: "Mas se confessarmos os nossos pecados, Deus que é fiel e justo perdoará os nossos pecados e nos purificará de todo o mal." I Jo 1.9 (SBP). Há uma ordem clara para todo o que, se dizendo filho de Deus, cai em pecado: arrepender-se. A ordem é não pecar, contudo, disse João: "Filhinhos meus, estas coisas vos escrevo para que não pequeis. Se, todavia, alguém pecar, temos Advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo." I Jo 2.1 (RA). É preciso, entretanto, ter sempre em mente a palavra do apóstolo: "Todo aquele que permanece nele não vive pecando; todo aquele que vive pecando não o viu, nem o conheceu. Todo aquele que é nascido de Deus não vive na prática do pecado; pois o que permanece nele é a divina semente; ora, esse não pode viver pecando, porque é nascido de Deus." I Jo 3.4,8 (RA)
O amor de Deus não é incondicional, Deus ama para ser obedecido.
Tudo, na Bíblia, parece dizer que Deus não deixa de amar porque não houve resposta ao seu amor, entretanto, também não deixa de esperar que essa resposta venha. E se ela não vier, apesar de todo o amor que dispensa às suas criaturas, executará o juízo.©ariovaldoramos
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