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sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Atravessando o sofrimento.

Sofrimento é o intervalo possível e inevitável entre a aniquilação merecida e a redenção graciosa.

Tudo o que existe, existe em Deus (At 17.28), quando rompemos com Deus perdemos o local da existência.

Nós deveríamos ter deixado de existir. Deus, porém, não o permitiu, manteve-nos.

Para isso arcou com o custo que a justiça impunha: esvaziou-se no Deus Filho. E foi o primeiro movimento da história da redenção, antes da criação de qualquer criatura. (1Pe 1.18-20)

O esvaziamento é a morte de um Deus: não perde a sua natureza, mas abre mão de suas prerrogativas divinas. (Fil 2.5-8)

A cruz, na história humana, é a manifestação, possível, desse esvaziamento que, satisfazendo o princípio da justiça, permitiu que a Trindade atuasse por graça.

O cumprimento do principio de justiça não poderia ser relativizado, sob pena de perda de credibilidade por parte de Deus. (Ez 18.20)

Todo mau uso da liberdade impõe uma consequência. Para que a criação não desaparecesse o Deus Filho se esvaziou.

Quando, ao romper com Deus, não fomos aniquilados, nos tornamos malvados, porque ao dizer não a Deus, dissemos não a tudo o que Deus disse de nós: que seríamos sua imagem e semelhança. O mal que, antes, só podia ser pensado como tese, agora tinha manifestação histórica.

Se a maldade, porém, se tornasse o tom determinante de nossa história, nossa sobrevivência estaria ameaçada da mesma forma, há um limite para a expansão do mal (Gn 6.5-7; 15.16).

Deus, então, por graça, empresta as suas qualidades a nós, o que garante sobrevida com qualidade mínima, para que possamos sobreviver na nova história, enquanto Deus faz o que tem de ser feito para salvar a nossa história e a nós, nela. (At 14.17)

E nos tornamos paradoxos (Rm 7), carregamos o bem e o mal em nós. E o paradoxo é estado de sofrimento.

Os opostos deveriam se aniquilar, mas, a graça divina não o permite.

O esvaziamento do Deus Filho, num primeiro momento, pela deflagração da graça, permitiu o desaceleramento do caos, estabelecendo o paradoxo em toda a criação. E o paradoxo é estado de sofrimento.

Deus, aliás, criou um mundo pronto para o paradoxo, onde convivem o bem e o mal, o dia e a noite, a vida e a morte. Um mundo cuja estabilidade está, portanto, na ação graciosa da Trindade. (Hb 1.3)

Deus criou um mundo temporário para o intervalo do sofrimento, que é, por definição, temporário.

Um mundo temporário, porque o mundo definitivo só tem bem, vida, luz e bem-aventurança. (Ap 21.1; 22.1-5)

Deus, de várias formas falou pelos pais e pelos profetas e, finalmente, pelo Filho, ensinando-nos a conviver nesse e com esse intervalo, de modo a torná-lo menos insuportável. A chave é o amor como moto de tudo e para todos os atos.

A graça, com que Deus socorre a todas as criaturas, desacelera a volta para o caos, para onde tudo teria de ir imediatamente após a ruptura humana. O aniquilamento dá lugar ao sofrimento, resultado da ação restauradora dessa graça, que estabelece o paradoxo pela infusão de vida num ambiente que deveria ser só morte, se a morte pudesse ser, e que, também, torna possível passar por esse intervalo: o sofrimento.

O esvaziamento do Deus Filho, que, num primeiro momento, permitiu o desaceleramento do caos, tornou o caos uma impossibilidade.

Na ressurreição, o Filho do Homem teve comprovada a eficácia do esvaziamento do Deus Filho. A ressurreição é a comprovação da vitória sobre o aniquilamento e o caos. (1 Co 15.54,55)

Na ascensão o Filho de Deus retomou (o que nunca perdera na essência) sua condição de Deus Filho. (Jo 17.4,5)

Tudo estava consumado e o fim da história é a Vida!

É nessa certeza que atravessamos o intervalo, que é estado inevitável de sofrimento; inevitável, mas, administrável, e que pode ter a intensidade diminuída pelo amor. Portanto, amar é nosso desafio e missão. ©ariovaldoramos



segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Lances de Caná (4) - A Intercessão

E, faltando o vinho, a mãe de Jesus lhe disse: Não têm vinho. Disse-lhe Jesus: Mulher que tenho eu contigo? Ainda não é chegada a minha hora.Jo 2.3,4

Oração intercessória foi o que Maria fez.

Oração de quem se interessa e de quem acredita na possibilidade da mudança.

Maria se interessava pela sorte do casal e sabia que Jesus podia fazer algo, provavelmente já havia visto algo nessa direção.

A intercessão depende de dois componentes: do amor que se importa com o outro e da fé que acredita no Deus do impossível; não só que Ele o pode, mas que ele quer abençoar.

Vivemos num mundo individualista e por demais explicado. É preciso recuperar o amor que se importa com a angústia do outro, mesmo que seja uma angústia que pareça superficial, como o termino do estoque de vinho ruim de uma festa pobre. Por que a intensidade da dor, só a sabe quem a sente.

Maria viu a dor além das aparências, a dor do vexame, da impotência, da angústia de quem parece ser vencido pela história, que privilegia os que podem e deserda os destituídos do poder. E do outro lado, viu o libertador, aquele que pode trazer a eqüidade.

Precisamos reaprender a crer naquele que pode realinhar a humanidade e as moléculas.

A intercessão, também, nos realinha, Maria esperava por algo que Jesus ainda não podia dar: reconhecimento. Se ele fizesse um milagre estonteante, ficaria comprovada a sua origem especial, mas Jesus tinha senso de missão e de reverência ao seu Pai. E Maria voltou para a intercessão pura e simples.

Quando a gente ora pelo outro, Deus cura a gente. Como mudou a sorte de Jó, enquanto este orava por seus amigos (Jó 42.10).©ariovaldoramos

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Lances de Caná (3) – O Direito à Alegria

E, tendo acabado o vinho, a mãe de Jesus lhe disse: Eles não têm vinho (…) (o mestre sala chamou o noivo) e lhe disse: Todo homem põe primeiro o vinho bom e, quando já têm bebido bem, então o inferior; mas tu guardaste até agora o bom vinho. Jo 2.3,10

Os noivos que estavam a celebrar o seu casamento eram pobres: o vinho acabou prematuramente, e era de qualidade inferior.

A gente sabe que o vinho acabou antes da hora, porque Maria intercedeu por eles, o que não faria sentido se a festa tivesse se estendido pelo tempo, tido como razoável, pela cultura deles.

O pedido foi para que houvesse mais vinho, para que a festa não fosse interrompida.

O pressuposto por detrás do pedido era o direito dos noivos à celebração de sua alegria.

Quando, porém, a celebração da alegria depende de ter ou não acesso aos bens de consumo, quem não tem renda para isso ainda tem o direito?

É direito ou é liberdade para, desde que se tenha possibilidade de?

Se é liberdade para, desde que se tenha possibilidade de, então, não ter a renda necessária impede o acesso aos meios possibilitadores, e sobra o desejo, permitido, mas, não realizável.

Todos podem ter motivos de alegria, mas, só quem tem acesso aos bens de consumo celebra a sua alegria com a qualidade, que entenda, minimamente, digna!

Se é direito, os meios têm de ser providenciados, porque direito é universal.

O que é de se lamentar: um pobre conseguir morar na casa com que sonhou, porque virou bandido, ou um pobre só conseguir morar numa casa digna se virar bandido?

Jesus entendeu que estava diante da exigibilidade do direito (isto é, se é direito, tem de ser garantido), por isso fez um milagre antes da hora, para sustentar o direito dos noivos de celebrar, de forma digna, a sua alegria.

Viver não é preciso, mas é preciso alegria para que, na imprecisão da vida, fique claro que é vida.

Alegria que não pode ser celebrada, por falta de acesso aos bens mínimos necessários para, é alegria condenada à resignação, o que acaba por colocar em cheque a definição de vida.

Jesus entendeu que não devia ser assim, e fez muito e ótimo vinho.

Esse ato de Jesus dá aos seus alunos uma nova dimensão do papel da comunidade para com os seus membros, e do estado para com a nação, assim como aprofunda a compreensão do que seja “bem comum”.

Todos os que criam estavam unidos e tinham tudo em comum. E vendiam suas propriedades e bens e os repartiam por todos, segundo a necessidade de cada um. E, perseverando unânimes todos os dias no templo, e partindo o pão em casa, comiam com alegria e singeleza de coração, At 2.44-46 ©ariovaldoramos

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Lances de Caná (2) – Imagem no Casamento

Três dias depois, houve um casamento em Caná da Galiléia, e estava ali a mãe de Jesus; e foi também convidado Jesus com seus discípulos para o casamento. Jo 2.1,2
O primeiro movimento da Trindade, após criar a humanidade, foi celebrar um casamento.
Vale lembrar que a humanidade passa a existir após a formação da mulher, antes havia um espécime humano, não a humanidade.
Só após a celebração do primeiro casamento estava criado o homem à imagem e semelhança de Deus, a Trindade, porque estava instituída a família.
Porque Deus é uma família, criou à sua imagem, criou outra família.
A humanidade é imagem e semelhança de Deus porque, “mutatis mutandis”, guardadas, portanto, as proporções, somos as únicas criaturas de Deus capazes de expressar a unidade vivida pela Trindade.1
Pessoalmente, cada humano, é imagem e semelhança de Deus porque nasceu da família, na família e para a família.
Quando rompemos com Deus, morremos espiritualmente, e essa unidade, essa família, se perdeu.
Cristo veio recuperar o que foi perdido: a vida eterna e a unidade humana; logo, ter, como primeiro movimento, o salvar a alegria numa celebração de casamento é, por demais, emblemático para o ministério do Cristo. Porque o Filho do homem veio buscar e salvar o que se havia perdido.Lc 19.10
E é por demais significativo para os alunos do Cristo, pois, define nossa visão de humanidade, e de missão, e de relacionamento humano: a humanidade passa a ser a nossa família, que queremos ver restaurada, a igreja passa a ser a família humana, a humanidade, em estado de unidade; e as palavras irmão e irmã ganham uma amplitude universal; e o relacionamento humano passa a ser de interdependência e de solidariedade, onde cada um é responsável por amar e sustentar o outro.
Para que todos sejam um; assim como tu, ó Pai, és em mim, e eu em ti, que também eles sejam um em nós; para que o mundo creia que tu me enviaste. Jo 17.21 ©ariovaldoramos



1Ramos, Ariovaldo, Igreja e Eu Com Isso, Editora Sepal. 01/2000, pgs 41-52