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segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Lances de Caná (4) - A Intercessão

E, faltando o vinho, a mãe de Jesus lhe disse: Não têm vinho. Disse-lhe Jesus: Mulher que tenho eu contigo? Ainda não é chegada a minha hora.Jo 2.3,4

Oração intercessória foi o que Maria fez.

Oração de quem se interessa e de quem acredita na possibilidade da mudança.

Maria se interessava pela sorte do casal e sabia que Jesus podia fazer algo, provavelmente já havia visto algo nessa direção.

A intercessão depende de dois componentes: do amor que se importa com o outro e da fé que acredita no Deus do impossível; não só que Ele o pode, mas que ele quer abençoar.

Vivemos num mundo individualista e por demais explicado. É preciso recuperar o amor que se importa com a angústia do outro, mesmo que seja uma angústia que pareça superficial, como o termino do estoque de vinho ruim de uma festa pobre. Por que a intensidade da dor, só a sabe quem a sente.

Maria viu a dor além das aparências, a dor do vexame, da impotência, da angústia de quem parece ser vencido pela história, que privilegia os que podem e deserda os destituídos do poder. E do outro lado, viu o libertador, aquele que pode trazer a eqüidade.

Precisamos reaprender a crer naquele que pode realinhar a humanidade e as moléculas.

A intercessão, também, nos realinha, Maria esperava por algo que Jesus ainda não podia dar: reconhecimento. Se ele fizesse um milagre estonteante, ficaria comprovada a sua origem especial, mas Jesus tinha senso de missão e de reverência ao seu Pai. E Maria voltou para a intercessão pura e simples.

Quando a gente ora pelo outro, Deus cura a gente. Como mudou a sorte de Jó, enquanto este orava por seus amigos (Jó 42.10).©ariovaldoramos

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Lances de Caná (3) – O Direito à Alegria

E, tendo acabado o vinho, a mãe de Jesus lhe disse: Eles não têm vinho (…) (o mestre sala chamou o noivo) e lhe disse: Todo homem põe primeiro o vinho bom e, quando já têm bebido bem, então o inferior; mas tu guardaste até agora o bom vinho. Jo 2.3,10

Os noivos que estavam a celebrar o seu casamento eram pobres: o vinho acabou prematuramente, e era de qualidade inferior.

A gente sabe que o vinho acabou antes da hora, porque Maria intercedeu por eles, o que não faria sentido se a festa tivesse se estendido pelo tempo, tido como razoável, pela cultura deles.

O pedido foi para que houvesse mais vinho, para que a festa não fosse interrompida.

O pressuposto por detrás do pedido era o direito dos noivos à celebração de sua alegria.

Quando, porém, a celebração da alegria depende de ter ou não acesso aos bens de consumo, quem não tem renda para isso ainda tem o direito?

É direito ou é liberdade para, desde que se tenha possibilidade de?

Se é liberdade para, desde que se tenha possibilidade de, então, não ter a renda necessária impede o acesso aos meios possibilitadores, e sobra o desejo, permitido, mas, não realizável.

Todos podem ter motivos de alegria, mas, só quem tem acesso aos bens de consumo celebra a sua alegria com a qualidade, que entenda, minimamente, digna!

Se é direito, os meios têm de ser providenciados, porque direito é universal.

O que é de se lamentar: um pobre conseguir morar na casa com que sonhou, porque virou bandido, ou um pobre só conseguir morar numa casa digna se virar bandido?

Jesus entendeu que estava diante da exigibilidade do direito (isto é, se é direito, tem de ser garantido), por isso fez um milagre antes da hora, para sustentar o direito dos noivos de celebrar, de forma digna, a sua alegria.

Viver não é preciso, mas é preciso alegria para que, na imprecisão da vida, fique claro que é vida.

Alegria que não pode ser celebrada, por falta de acesso aos bens mínimos necessários para, é alegria condenada à resignação, o que acaba por colocar em cheque a definição de vida.

Jesus entendeu que não devia ser assim, e fez muito e ótimo vinho.

Esse ato de Jesus dá aos seus alunos uma nova dimensão do papel da comunidade para com os seus membros, e do estado para com a nação, assim como aprofunda a compreensão do que seja “bem comum”.

Todos os que criam estavam unidos e tinham tudo em comum. E vendiam suas propriedades e bens e os repartiam por todos, segundo a necessidade de cada um. E, perseverando unânimes todos os dias no templo, e partindo o pão em casa, comiam com alegria e singeleza de coração, At 2.44-46 ©ariovaldoramos

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Lances de Caná (2) – Imagem no Casamento

Três dias depois, houve um casamento em Caná da Galiléia, e estava ali a mãe de Jesus; e foi também convidado Jesus com seus discípulos para o casamento. Jo 2.1,2
O primeiro movimento da Trindade, após criar a humanidade, foi celebrar um casamento.
Vale lembrar que a humanidade passa a existir após a formação da mulher, antes havia um espécime humano, não a humanidade.
Só após a celebração do primeiro casamento estava criado o homem à imagem e semelhança de Deus, a Trindade, porque estava instituída a família.
Porque Deus é uma família, criou à sua imagem, criou outra família.
A humanidade é imagem e semelhança de Deus porque, “mutatis mutandis”, guardadas, portanto, as proporções, somos as únicas criaturas de Deus capazes de expressar a unidade vivida pela Trindade.1
Pessoalmente, cada humano, é imagem e semelhança de Deus porque nasceu da família, na família e para a família.
Quando rompemos com Deus, morremos espiritualmente, e essa unidade, essa família, se perdeu.
Cristo veio recuperar o que foi perdido: a vida eterna e a unidade humana; logo, ter, como primeiro movimento, o salvar a alegria numa celebração de casamento é, por demais, emblemático para o ministério do Cristo. Porque o Filho do homem veio buscar e salvar o que se havia perdido.Lc 19.10
E é por demais significativo para os alunos do Cristo, pois, define nossa visão de humanidade, e de missão, e de relacionamento humano: a humanidade passa a ser a nossa família, que queremos ver restaurada, a igreja passa a ser a família humana, a humanidade, em estado de unidade; e as palavras irmão e irmã ganham uma amplitude universal; e o relacionamento humano passa a ser de interdependência e de solidariedade, onde cada um é responsável por amar e sustentar o outro.
Para que todos sejam um; assim como tu, ó Pai, és em mim, e eu em ti, que também eles sejam um em nós; para que o mundo creia que tu me enviaste. Jo 17.21 ©ariovaldoramos



1Ramos, Ariovaldo, Igreja e Eu Com Isso, Editora Sepal. 01/2000, pgs 41-52

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Lances de Caná (01) – Um convite que pôde ser atendido

Três dias depois, houve um casamento em Caná da Galiléia, e estava ali a mãe de Jesus; e foi também convidado Jesus com seus discípulos para o casamento. Jo 2.1,2
Jesus estava no casamento em Caná, região da Galiléia, a 8 km a noroeste de Nazaré, porque foi convidado para o evento, e pôde atender ao convite.
Ter convidado a Jesus, para o seu casamento, fez toda a diferença para os noivos, porque a presença de Jesus elimina o limite representado pelo que é impossível para humanidade.
Porque ele estava lá pôde realizar o que, em qualquer outra circunstância, seria impossível, quando os noivos, dele, precisaram.
Jesus pôde fazer o milagre por que decidiu agir em favor dos noivos, segundo a necessidade deles.
Jesus decidiu agir em favor dos noivos, embora ainda não fosse a hora de manifestar o seu ministério (verso 4), porque salvar casamentos de momentos ruins está na ordem do dia da Trindade, porque casamento é uma invenção da Trindade. (Gn 2.24)
Meditação: 1- Deveríamos convidar a Jesus para todos os eventos de nossa existência.
2- Jesus, em sua estada entre nós, demonstrou estar solícito para atender a convites, porém, Jesus só vai a eventos onde pode ir. E, o que determina se ele pode ou não estar no evento, é se, seja lá o que for que a gente vá fazer, estiver na pauta da Trindade.
3- Jesus poder ou não estar em cada evento de nossa vida, depende de nós: do que intentamos que o evento seja, ou da forma como o intentamos realizar.
Portanto, quer comais quer bebais, ou façais, qualquer outra coisa, fazei tudo para glória de Deus.1Co 10.31 ©ariovaldoramos