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sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Lances de Caná (3) – O Direito à Alegria

E, tendo acabado o vinho, a mãe de Jesus lhe disse: Eles não têm vinho (…) (o mestre sala chamou o noivo) e lhe disse: Todo homem põe primeiro o vinho bom e, quando já têm bebido bem, então o inferior; mas tu guardaste até agora o bom vinho. Jo 2.3,10

Os noivos que estavam a celebrar o seu casamento eram pobres: o vinho acabou prematuramente, e era de qualidade inferior.

A gente sabe que o vinho acabou antes da hora, porque Maria intercedeu por eles, o que não faria sentido se a festa tivesse se estendido pelo tempo, tido como razoável, pela cultura deles.

O pedido foi para que houvesse mais vinho, para que a festa não fosse interrompida.

O pressuposto por detrás do pedido era o direito dos noivos à celebração de sua alegria.

Quando, porém, a celebração da alegria depende de ter ou não acesso aos bens de consumo, quem não tem renda para isso ainda tem o direito?

É direito ou é liberdade para, desde que se tenha possibilidade de?

Se é liberdade para, desde que se tenha possibilidade de, então, não ter a renda necessária impede o acesso aos meios possibilitadores, e sobra o desejo, permitido, mas, não realizável.

Todos podem ter motivos de alegria, mas, só quem tem acesso aos bens de consumo celebra a sua alegria com a qualidade, que entenda, minimamente, digna!

Se é direito, os meios têm de ser providenciados, porque direito é universal.

O que é de se lamentar: um pobre conseguir morar na casa com que sonhou, porque virou bandido, ou um pobre só conseguir morar numa casa digna se virar bandido?

Jesus entendeu que estava diante da exigibilidade do direito (isto é, se é direito, tem de ser garantido), por isso fez um milagre antes da hora, para sustentar o direito dos noivos de celebrar, de forma digna, a sua alegria.

Viver não é preciso, mas é preciso alegria para que, na imprecisão da vida, fique claro que é vida.

Alegria que não pode ser celebrada, por falta de acesso aos bens mínimos necessários para, é alegria condenada à resignação, o que acaba por colocar em cheque a definição de vida.

Jesus entendeu que não devia ser assim, e fez muito e ótimo vinho.

Esse ato de Jesus dá aos seus alunos uma nova dimensão do papel da comunidade para com os seus membros, e do estado para com a nação, assim como aprofunda a compreensão do que seja “bem comum”.

Todos os que criam estavam unidos e tinham tudo em comum. E vendiam suas propriedades e bens e os repartiam por todos, segundo a necessidade de cada um. E, perseverando unânimes todos os dias no templo, e partindo o pão em casa, comiam com alegria e singeleza de coração, At 2.44-46 ©ariovaldoramos

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Lances de Caná (2) – Imagem no Casamento

Três dias depois, houve um casamento em Caná da Galiléia, e estava ali a mãe de Jesus; e foi também convidado Jesus com seus discípulos para o casamento. Jo 2.1,2
O primeiro movimento da Trindade, após criar a humanidade, foi celebrar um casamento.
Vale lembrar que a humanidade passa a existir após a formação da mulher, antes havia um espécime humano, não a humanidade.
Só após a celebração do primeiro casamento estava criado o homem à imagem e semelhança de Deus, a Trindade, porque estava instituída a família.
Porque Deus é uma família, criou à sua imagem, criou outra família.
A humanidade é imagem e semelhança de Deus porque, “mutatis mutandis”, guardadas, portanto, as proporções, somos as únicas criaturas de Deus capazes de expressar a unidade vivida pela Trindade.1
Pessoalmente, cada humano, é imagem e semelhança de Deus porque nasceu da família, na família e para a família.
Quando rompemos com Deus, morremos espiritualmente, e essa unidade, essa família, se perdeu.
Cristo veio recuperar o que foi perdido: a vida eterna e a unidade humana; logo, ter, como primeiro movimento, o salvar a alegria numa celebração de casamento é, por demais, emblemático para o ministério do Cristo. Porque o Filho do homem veio buscar e salvar o que se havia perdido.Lc 19.10
E é por demais significativo para os alunos do Cristo, pois, define nossa visão de humanidade, e de missão, e de relacionamento humano: a humanidade passa a ser a nossa família, que queremos ver restaurada, a igreja passa a ser a família humana, a humanidade, em estado de unidade; e as palavras irmão e irmã ganham uma amplitude universal; e o relacionamento humano passa a ser de interdependência e de solidariedade, onde cada um é responsável por amar e sustentar o outro.
Para que todos sejam um; assim como tu, ó Pai, és em mim, e eu em ti, que também eles sejam um em nós; para que o mundo creia que tu me enviaste. Jo 17.21 ©ariovaldoramos



1Ramos, Ariovaldo, Igreja e Eu Com Isso, Editora Sepal. 01/2000, pgs 41-52

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Lances de Caná (01) – Um convite que pôde ser atendido

Três dias depois, houve um casamento em Caná da Galiléia, e estava ali a mãe de Jesus; e foi também convidado Jesus com seus discípulos para o casamento. Jo 2.1,2
Jesus estava no casamento em Caná, região da Galiléia, a 8 km a noroeste de Nazaré, porque foi convidado para o evento, e pôde atender ao convite.
Ter convidado a Jesus, para o seu casamento, fez toda a diferença para os noivos, porque a presença de Jesus elimina o limite representado pelo que é impossível para humanidade.
Porque ele estava lá pôde realizar o que, em qualquer outra circunstância, seria impossível, quando os noivos, dele, precisaram.
Jesus pôde fazer o milagre por que decidiu agir em favor dos noivos, segundo a necessidade deles.
Jesus decidiu agir em favor dos noivos, embora ainda não fosse a hora de manifestar o seu ministério (verso 4), porque salvar casamentos de momentos ruins está na ordem do dia da Trindade, porque casamento é uma invenção da Trindade. (Gn 2.24)
Meditação: 1- Deveríamos convidar a Jesus para todos os eventos de nossa existência.
2- Jesus, em sua estada entre nós, demonstrou estar solícito para atender a convites, porém, Jesus só vai a eventos onde pode ir. E, o que determina se ele pode ou não estar no evento, é se, seja lá o que for que a gente vá fazer, estiver na pauta da Trindade.
3- Jesus poder ou não estar em cada evento de nossa vida, depende de nós: do que intentamos que o evento seja, ou da forma como o intentamos realizar.
Portanto, quer comais quer bebais, ou façais, qualquer outra coisa, fazei tudo para glória de Deus.1Co 10.31 ©ariovaldoramos

sábado, 1 de janeiro de 2011

Feliz Ano da Graça!

Indo para Nazaré, onde fora criado, entrou, num sábado, na sinagoga, segundo o seu costume, e levantou-se para ler. Então, lhe deram o livro do profeta Isaías, e, abrindo o livro, achou o lugar onde estava escrito: O Espírito do Senhor está sobre mim, pelo que me ungiu para evangelizar os pobres; enviou-me para proclamar libertação aos cativos e restauração da vista aos cegos, para pôr em liberdade os oprimidos, e apregoar o ano aceitável do Senhor. Lc 4. 16-19

Este texto, que Jesus leu em Nazaré, na sinagoga, faz parte de um texto maior, registrado em Is 61.1-3.

Ao interromper a sua leitura, na parte em que o fez, Jesus omitiu: 1- o anúncio do dia da vingança do Senhor; 2- o consolo e a exaltação dos de Siao.

Ele omitiu o anúncio do dia da vingança, porque esse dia se cumpriria na sua crucifixão: "Mas ele foi traspassado pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniqüidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados" Is 53.5 - Restaria, portanto, anunciar o ano aceitável do Senhor.

Ele omitiu o consolo e a exaltação dos de Sião, porque ele abriu, para toda a humanidade, a possibilidade ao consolo e à exaltação, antes, propriedade dos de Sião.

Então, ficou assim: a todos os pobres, boas novas de justiça e de justificação; a todos os cativos, liberdade; a todos os cegos e cegados, visão; a todos os oprimidos, libertação; à todos os seres humanos, a possibilidade de ser aceito pelo Senhor!

Até que tudo se cumpra, ano após ano será para isso, logo, 2011, ano da graça de Nosso Senhor Jesus Cristo! Ano de salvação para toda a humanidade! Ano em missão! Feliz 2011! ©ariovaldoramos



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