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quarta-feira, 1 de setembro de 2010

A criação e os apascentadores - um conto

Nota ao leitor: Esse texto é um conto. É obra de ficção, não de teologia. Os termos deus, pai, filho e espírito estão em minúsculas por se tratarem de personagens do conto, não do sagrado, de que trata a teologia.



No princípio estava tudo: era a família: o pai, o filho e o espírito que os unia, que carregava, em si, a maternidade, e que é uma pessoa. A família estava em constante dança, feliz, alegre e completa em si mesmo.

O filho pediu ao pai a possibilidade de estender esse amor. Como um deus não pode se reproduzir, por que deus, a família , por definição, existe desde sempre e para sempre, isto significaria criar o que pudesse ser amado e amar. Portanto, à imagem da família. Uma família semelhante. O pai concordou em criar outra família, expressão da família eterna.

E a família, que até então era só e suficiente, passaria a ser a família original, ainda que totalmente outra.

Seres, para poderem amar, precisariam ser livres. Liberdade, entretanto, é algo que só um deus pode sustentar, por causa da responsabilidade que demanda, mas, se a família semelhante já surgisse habitada pelo espírito que habita o pai e o filho, não seria livre. Criaturas são, por definição, finitos, logo, só podem ser tudo o que podem ser, ou seja, apenas perfeitos para, não perfeitos em si. Porque só um deus é perfeito em si. Seres finitos, livres... A liberdade dessa outra família se voltaria contra a família original. A família semelhante romperia com a família original! Um impasse!

A família original perdoaria porque é amor e o amor só age assim. Mas, havia o princípio de justiça sustentado pela família original, que não poderia ser descartado e que nenhuma criatura pode satisfazer; o que inviabilizaria a criação. Se a família decidisse criar a família semelhante, teria de satisfazer a demanda do princípio da justiça.

A família semelhante, portanto, não poderia ser criada no mero espaço da família original, tinha de ser num espaço a ser criado primeiro, o espaço do sacrifício da família original. A rigor, por ser criação, já o demandaria, porque o que não pode se sustentar não pode existir, pois fere o princípio da justiça, cuja demanda tem sempre de ser satisfeita, sob a pena da insustentabilidade. E decidiram que assim seria, o filho se prontificou a representar a família original e, para que houvesse criação, no seio da família original se fez um ambiente, até então imponderável, o ambiente do esvaziamento.

O filho se esvaziaria para satisfação do princípio de justiça, num “qüid pro qüo”, (uma coisa pela outra) o que o levaria a entrar na criação para anunciar o custo da criatura, e, uma vez na criação, teria de manifestar da forma mais pungente possível o custo da criação, demonstração necessária por causa do agravante da ruptura e, portanto, da necessidade do resgate. O que deveria ter sido um sacrifício teria de ser sacrificado.

Tudo seria feito no filho em estado de sacrifício, e só o filho falaria pela família original.

E a família original experimentaria o que parecia impossível: por amor à criatura, amor que, no pedido filho, se estabeleceu na família original, porque já estava lá desde sempre, assumiria o sacifício.

E tudo se fez num ambiente ainda mais imponderável: o sofrimento!

A família semelhante se desfaria como família, perdendo-se na confusão entre identidade e individualidade. Perdendo o senso de comunidade se perderia no individualismo. A ruptura com a familia original a afundaria na escuridão e na maldade. E o que deveria ser- lhe servo, seria seu algoz.

De família semelhante passaria a ser o conjunto dos que perderam a noção da família.

Seria uma situação impossível de sustentar, se o sacrifício não fosse suficiente para permitir que a família original emprestasse bondade para os membros da família semelhante, garantindo a sua sobrevida.

A família original interferiria na história do conjunto dos em perda, sem determinismo, mas com determinações que garantiriam o resgate do mesmo. Como a família original não pode ser surpreendida, sempre saberia onde e quando. Assim, a família, que resolveu tudo desde o começo, pôde anunciar como seria o fim.

A família original criara: criaturas não vivem no eterno, só no tempo; e mesmo tempo que não tenha fim não é eternidade, pois eternidade é onde qualquer noção de tempo é ausente, por definição. No tempo, a família original contaria com membros do conjunto, que receberiam luz suficiente para apascentar os que, como eles, voltariam a reconhecer a família original, por serem tomados pela consciência de que eram membros da família semelhante e, como tal, deveriam viver.

Esses cooperadores da família, homens e mulheres, receberiam vários nomes: visionários, loucos, patriarcas, sacerdotes, juízes, ungidos, profetas, apóstolos, presbíteros, diáconos, pastores; mas, sempre seriam, tão somente, cooperadores da família original e apascentadores da humanidade. A missão deles: a retomada da família semelhante.

Esses amigos da família e servos da humanidade viveriam de várias maneiras: como chefes de clã, como nômades, como andarilhos, como ermitões, como fugitivos, com protocolo, sem nenhuma noção de indumentária, no deserto, nas aldeias, de cadeia em cadeia, de cidade em cidade, numa comunidade ou tendo o mundo como paróquia, mas sempre segundo o coração da família original.

Desses membros do serviço da família original, muitos seriam o que se chama de bem-sucedidos, outros morreriam ainda jovens, outros carregariam para sempre as marcas da tortura, alguns seriam serrados ao meio, uns passariam pela cruz como o seu mestre, outros veriam o fim da sua fé, alguns morreriam na esperança, uns viveriam em família, outros a perderiam para poder viver o que tinham de viver, mas todos perseguiriam a mesma visão, e seriam mais do que qualquer sistema pode sustentar, mais do que qualquer mundo consiga dignificar. Eles só queriam ser recebidos na glória!

Então... Quando tudo não precisava de nada, a família falou: Façamos o homem à nossa imagem-semelhança, e tudo se fez de modo que a soberania da família fosse mantida e a liberdade humana não fosse aviltada. Selá!
(c) Ariovaldo Ramos



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segunda-feira, 30 de agosto de 2010

À Brasileira

Vou contar-lhes a história de um homem doente:
Não era qualquer ente, embora fosse comum.
Ele morava na Galiléia, em Cafarnaum.
Ele tinha 4 amigos, parteiros como só!
Parteiros dão a luz, não nos deixam desistir!
Põem a gente no caminho, insistem pra gente ir!
Há amigos coveiros também, esses não digo que se tenha...
Transformam sonhos em lenha, pra evitar-nos o vexame!
Não sabem que todo vivente tem de passar por exame!
Que de queda em levantamento,
É que surge o monumento; e o sujeito faz o nome!

O moço não andava, e nem tinha esperança!
Mas tinha 4 amigos... Desde o tempo de criança!
Que nunca desistiram do amigo enfermiço!
Mantiveram o tento atento, pois tinham compromisso:
Esperavam um movimento do Deus que a tudo conduz!
E Ele se moveu, desde Nazaré, com o nome de Jesus!
E lá vão eles a carregar, num catre cadeia,
O paralítico que os tinha, amigos à mancheia!
Mas a casa estava lotada, e os corações empedernidos;
Estavam todos acomodados, não ligaram pros amigos!
Que gritaram e clamaram frente à necessidade!
Mas quem fura o bloqueio da insensibilidade?

Vamos ao telhado, cada um use o seu dom!
Façamos um buraco onde esteja o pregador!
É provável que tanto mover faça calar o seu som...
Mas se Ele veio de Deus, então veio por amor!
E não terá outra reação, senão acolher a nossa dor.
E foi assim que se fez, e foi assim que deu certo!
Jesus olhou pra cima, Jesus mirou o teto.
Viu, no catre, um doente, e, nos amigos, fé fervente.
Jesus deu um sorriso, não ligou para o repente!
Estava ali pra isso mesmo...
Para que tudo o que falava, virasse vida em gente!

Imagine a surpresa daquela população!
Que não ouviu aos amigos, na sua consternaçäo!
Observando a Jesus parando a sua atividade,
Para atender o suplico de amigos de verdade!
E Jesus surpreendeu: não falou palavra de cura!
E com aparente secura, falou palavra de perdão!
E reagiram os fariseus: vejam que ousadia!
E entreolharam-se os amigos: como é que ele sabia?
Ora, só há cura porque houve perdão!
Porque o sangue é conhecido antes do mundo a fundação!
E foi o Cristo, que propôs essa questão.

E o perdão, que cura... Levanta e aninha.
E, como disse o poeta, vão os 5, a pular amarelinha!
E enquanto pulam cada casa, veem o fim da linha:
Vivem o protótipo da Igreja, isso é preciso que se veja!
É o sonho de Jesus... Um mundo de amigos!
O fim dos desvarios antigos: fim do ódio e da peleja!

É o que nos faz cantar aqui, no confim de todo lugar,
Com frevo no coração, no suingue do baião;
Com um samba bom pra se curar!
Soando nossos tambores, erguemos a humanidade de dores,
Para que Deus, do alto, veja... A fé de sua igreja!
A clamar para o homem, liberdade!
E Deus, que ama de verdade,
Assim como, um dia disse luz, dirá, com certeza:
Meus filhos... Assim seja!

terça-feira, 27 de julho de 2010

Gente Feliz

Feliz é quem não segue os conselhos dos perversos: essa gente que sonega o direito; persegue o inocente; e, para quem, os fins justificam os meios.

Feliz é quem não relativiza o amar a Deus, acima de tudo, e o amar ao próximo, como a gente gosta de ser amado, como guia para toda a ação.

Feliz é quem sabe que toda a vida é sagrada, e a preserva.

Feliz é quem vive e anda com os justificados: promovendo o direito e preservando toda a vida.

Feliz é o que está plantado na comunidade dos declarados justos: onde esse amor é o modo de viver, e a vida, então, flui como um rio, que o faz crescer como uma árvore sempre verdejante.

Feliz é o que dá tempo ao tempo, e, no tempo certo, faz o que tem de fazer.

Feliz é o que sabe que o prazer não é um lugar, mas uma construção.

Feliz é o que medita em como ser gente como gente deve ser: que medita em como viver a partir do amar a Deus acima de tudo, e do amar ao próximo como a gente gosta de ser amado.

Feliz é quem anda nesse caminho onde a maldade não tem lugar: porque esse é o caminho de Deus!

domingo, 18 de julho de 2010

Uma ovelha fala da vida no rebanho

O nosso dono é o meu pastor, ele não terceirizou o nosso apascentamento, ele mesmo cuida de tudo e eu não preciso de mais nada.

O movimento de nosso pastor é me levar a descansar. Ele nos coloca num pasto estourando de verde, e eu como daquela abundância! Mas, miraculosamente, contrário ao que me seria natural, ao invés de comer, vorazmente, até consumir a própria raiz da relva toda, eu como a me saciar e deito-me em completo descanso. Nosso pastor me faz compreender que não preciso me desesperar, sempre haverá alimento para nós.

Aí, ele nos leva para tomar água, e como eu sou estabanada, e qualquer movimento me leva a perder o equilíbrio, ele me leva a um lugar especial: não é água parada, então, não corro o risco de contrair nenhuma enfermidade; e, também, não são águas corredeiras, então, não corro o risco de ser arrastada pela correnteza; são águas tranqüilas, e, nesse estado de descanso, me dessedento tranquilamente, sabendo que não serei atacada enquanto me inclino para beber, porque o nosso pastor cuida de mim.

Eu vou com o nosso pastor por qualquer caminho. Eu me deixo conduzir! Não saio do estado de descanso, porque o nosso pastor escolhe sempre o melhor caminho... É uma questão de honra para ele!

Mesmo quando eu não consigo ver um palmo a frente do nariz, quando o caminho está coberto por uma sombra que parece cobrir qualquer luz, e percebo que a própria morte me espreita, e que é um caminho estreito, escorregadio, perigoso, que basta resvalar uma das patas para precipitar-me desfiladeiro abaixo... Eu não tenho medo! O nosso pastor está comigo e me protege: ele tem como, eficazmente, me puxar, se eu ameaçar cair; e eu sei que ele, pronta e precisamente, tocará na pata que estiver a ponto de escorregar e terei como endireitar o meu passo. Isso me consola em meio a essa escuridão, e permaneço em estado de descanso.

E quando lobos, leões, ladrões e mercenários se aproximam... Prontos para o ataque! O nosso pastor, ao invés de sair afugentando-os, prepara um banquete para mim, e continuo a desfrutar do descanso, da paz e de alegria, como de um copo a transbordar! Fica claro, para mim, que os meus inimigos não têm como me alcançar. O nosso pastor é uma barreira intransponível!

Eu quero ficar para sempre nesse rebanho! Aqui eu desfruto da bondade e da misericórdia do nosso dono e pastor. E o nosso pastor me garante que ficarei sempre aqui, com ele, desfrutando desse descanso promovido por sua bondade e misericórdia. Ele nunca vai embora... Ele mora conosco... Melhor! Ele mora em nós e nós nele! Nós somos a casa dele, e ele a casa da gente!

P.S. Talvez você me pergunte: Como é isso? Você fala de ser pastoreado por um pastor único e incomparável, e fala na primeira pessoa do singular, quando sabemos que um pastor apascenta rebanho e não, individualmente, a cada ovelha. Eu respondo: certa vez uma ovelha doutro rebanho qualquer, a observar como o nosso rebanho se movia em bloco, aproximou-se e me questionou sobre como a gente o conseguia. Eu lhe disse que era por causa de nosso pastor, nós o ouvíamos e o obedecíamos. Ela retrucou: Mas eu não consigo ver o seu pastor! E eu expliquei: é que o nosso pastor mora em nós! Nós estamos em rebanho, e o sabemos, mas, como ele mora em nós, embora ele fale a todas, cada uma de nós o ouve como se ele estivesse falando a cada uma de nós, de modo exclusivo. E sabe de uma coisa? Ele o está! De jeito inclusivo ele está falando de forma exclusiva a cada uma de nós. O nosso pastor é assim: nos mantém em unidade enquanto sustenta, em cada uma de nós, a particular identidade!