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segunda-feira, 22 de março de 2010

Reencontro

Olá! Como vai? Perguntou o Samaritano.

Graças a Deus e a você, tudo bem! Respondeu o Sacerdote.

Você parece mesmo bem, quando eu o estava levando para a estalagem, pensei que você não resistiria, mas, olha aí... Bom vê-lo assim! Acrescentou o Samaritano.

Pois é… Eu também pensei que não sobreviveria, mesmo quando na estalagem, sob cuidados. Sou-lhe muito grato, fico sempre em débito, até porque você não me permitiu ressarcí-lo. Disse o sacerdote.

Deixa disso! Você faria o mesmo, apesar de nossas diferenças! E o Templo... Voltou para as suas atividades? Perguntou o Samaritano.

Não! Saí de tudo o que tem a ver com o Templo. Agora, apenas a Sinagoga. Voltei para a minha Sinagoga, e começo a conversar. Respondeu o Sacerdote.

Como assim, você vai construir outro Templo? Exclamou o Samaritano.

Não! Saí. O problema com o Templo não é forma, é conteúdo; e isso a gente resolve conversando com todas as Sinagogas e com todos os filhos de Israel. É uma paciente semeadura de idéias! Não quero reinventar a roda, quero que voltemos a saborear o vinho. Completou o Sacerdote.

Por um momento, pensei que você fosse reunir pessoas em torno de você e construir um novo Templo, um novo referencial. Acrescentou o Samaritano.

Em torno de mim, nada! Eu não sou o Messias. E, é preciso que se diga, os marcos que delimitam Israel estão certos, temos de retomar a vida no Espírito. Estou em minha sinagoga e conversando com todos os da casa de Jacó, e com todas as Sinagogas possíveis, para retomarmos a prática da fé, que é o amor a Deus e ao próximo. Ressaltou o Sacerdote.

Tomara que sua peregrinação de certo. Todos vamos ganhar! Emendou o Samaritano.

Tenho esperança! Todos os que temos clamado, como o profeta, para que o Eterno avive a sua obra, estamos conversando, e correndo as Sinagogas. É um trabalho coletivo. Disse o Sacerdote.

Bom! E o seu "amigo"? Perguntou o Sacerdote.

Ah! É um assunto para o justo juíz de toda a Terra.

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sábado, 13 de março de 2010

O Evangelista

O Evangelista subiu ao púlpito, saudou a todos os presentes, e, abrindo a Bíblia, leu a apresentação de Paulo aos romanos: Paulo, servo de Cristo.
Fechando a Bíblia, dirigiu-se à plateia, dizendo: Servo significa escravo. Paulo era escravo de Jesus, o Cristo.
E continuou: hoje eu vim para dizer-lhes que houve uma tragédia com a humanidade: no começo de nossa história nos deixamos seduzir por um ser em estado de rebelião, e, assim, passamos a fazer parte dessa rebelião.
Perdemos a comunhão com Deus e nos tornamos prisioneiros desse ser, na dimensão da escuridão, que passou a ser o nosso ambiente. Disse ele.
Graças, porém, ao que o Deus Filho fez, antes da fundação do mundo, no seio da Trindade, quando se esvaziou e tomou a forma de servo, o que foi demonstrado na encarnação e na cruz, e ratificado na ressurreição, a nossa rebelião não foi o fim nosso e de tudo, e o nosso aprisionamento não nos deixou sem saída.  Prosseguiu o Evangelista.
O ato do Filho permitiu o favor do Pai, de modo, que o Pai decidiu salvar a humanidade. Ele salva a humanidade dando seres humanos ao Filho. Eles se tornam propriedade do Cristo, se tornam seus escravos. Acrescentou o pregador.
O Filho salvará todos os seus escravos. Começa com o fato de que os escravos de Cristo são incluídos na sua morte, e na sua ressurreição. Recebem, portanto, a própria vida do Cristo, por meio do seu Espírito, que neles passa a habitar. E eles não só são transportados da escuridão para o Reino do Cristo, como começam a andar no caminho que fará com que, também, a escuridão saia deles, e começam a, cada vez mais, fazer a vontade do Pai, pela força do Santo Espírito que, neles, passa a habitar. Complementou o evangelista.
O ato do Cristo é suficiente para o Pai libertar da prisão a quem Ele quiser. Não é, porém, o Filho que escolhe quem será seu escravo, é o Pai que dá ao Filho os seres humanos que Ele quiser dar, e o Filho, não permitirá que a morte derrote qualquer um de seus escravos, ao contrário, aos que Ele não arrebatar, Ele ressuscitará. Acrescentou o palestrante.
Ser escravo de Jesus, o Cristo é ótimo: Ele chama os seus escravos de amigos, e o Pai dele, chama aos escravos do Cristo de filhos. E, de fato, eles se tornam filhos do Pai do Cristo. Assim como o Filho não escolhe quem será seu escravo, nenhum dos prisioneiros pode escolher ser escravo do Cristo. É decisão do Pai. Expôs o evangelista.
E concluiu o Evangelista: espero que nesta noite o Pai liberte da prisão alguns do que aqui estão. E eu gostaria de conhecê-los. As pessoas que o Pai liberta e torna escravo do Filho ganham consciência de que são prisioneiros do mal, e passam a ter vontade de ser escravos de Cristo. E perguntou: Enquanto eu estava falando a vocês, alguém, inexplicavelmente, começou a ter consciência de que é prisioneiro do mal e, simultaneamente, passou a muito desejar o ser escravo do Cristo? Levante a sua mão! Eu quero conhecê-lo, e quero agradecer ao Pai por sua libertação, e quero, desde já, começar a ensiná-lo como vive um escravo do Cristo.
Surpreendentemente, algumas mãos se levantaram, e o Evangelista fez o que dissera que faria.

domingo, 7 de março de 2010

O Sábio

Diário de Bordo

Pv 14

O sábio edifica a casa; caminha com retidão e em silêncio; sabe que não há benefício sem custo; é prudente, porque a prudência é o nascedouro da sabedoria; aprende com a vida, principalmente a sua; é benevolente com o pecador; desconfia de si; tem uma alegria cônscia da tristeza; vigia o seu coração; confere pela pesquisa a informação que recebe; diz a verdade; desvia-se do mal e da iracúnia;  busca o conhecimento; é compassivo e pratica o bem; é apegado ao trabalho; respeita a Deus; é longânimo, pois entende o que acontece com o outro, e busca ter sentimentos sadios; sabe que só é possível governar a partir das bases populares, e opta pelo pobre, porque só com justiça se faz uma nação.

Aforismos:

A inveja apodrece os ossos.

A impaciência é loucura.

As palavras do tolo o condenam.

A sujeira a ser limpa no estábulo deve equivaler à força disposta na aragem da terra,

Só os que levam a vida a sério alcançam sabedoria.

É o fim e não a aparência que deve determinar que caminho assumir.

Só o tolo acha que há efetividade na raiva.

A fala que não se traduz em ação, empobrece em todos os sentidos.

O só respeitar
o Senhor já prolonga e dá qualidade à vida.

Optar pelos pobres é honrar a Deus.

O rico tem muitos amigos, mas não pode confiar em nenhum deles.

Não dá para esconder a tolice.

Uma das virtudes do justo é morrer bem.

O governante que se afasta das bases, se condena à ruína... É só uma questão de tempo.

sábado, 27 de fevereiro de 2010

E o moribundo não se mexeu

Certo homem descia de Jerusalém para Jerico, quando foi assaltado, e surrado, e deixado para morrer, na beira da estrada.

Ele era sacerdote. Todos os sacerdotes e levitas o conheciam.

Jerico era o seu campo missionário, mas, naquele dia, ele foi impedido de chegar lá. E tudo indicava que jamais chegaria.

Casualmente, outro sacerdote descia de Jerusalém para Jerico. Tudo indicava que o sacerdote, em estado moribundo, estava salvo.

O outro sacerdote o reconheceu, mas evitou se envolver... O moribundo era tido como um bom sacerdote, mas, pensou o outro, essas coisas não deveriam acontecer a bons sacerdotes, logo, deve ter alguma coisa errada com ele. Mesmo assim, parou, mas, a distância... Se ele se mexer ou esboçar qualquer pedido de ajuda... Ajudo.

E o moribundo não se mexeu.

Nisso chega um levita, reconhece o sacerdote moribundo, todos o conheciam; conversa com o outro sacerdote, sobre o que poderia ter acontecido com tão bom sacerdote, ao que o outro sacerdote retruca, dizendo que, talvez ele não fosse tão bom sacerdote assim! Quem sabe o que teria acontecido? E sugeriu o que o levita o acompanhasse na observação... Se o moribundo se mexesse ou esboçasse qualquer pedido de ajuda... Ajudariam.

E o moribundo não se mexeu...

E eles se foram, comentando como as aparências enganam... As vezes a gente pensa que está diante de um grande sacerdote, e, sem o saber, está diante de uma vida cheia de complicações, que acaba por expor-se desnecessariamente, e aí, o inevitável acontece: é derrotado.

De fato, aquele sacerdote, deixado à própria sorte, era conhecido por sua fibra, já havia passado por poucas e boas, e resistido, não fazia sentido vê-lo em tal estado. A dupla de religiosos, também comentava isso. O que eles não sabiam é que o tal sacerdote, a exemplo do herói escocês, William Wallace, na versão cinematográfica Brave Heart, de Mel Gibson, fora atacado, e surrado, e deixado para morrer, por um amigo. William Wallace fora atacado, quando intentava contra o Rei da Inglaterra, Eduardo I, por Robert de Bruce, nobre que Wallace queria ver Rei, mas, que o traiu. O sacerdote, também, enquanto lutava contra o rei da maldade, um amigo o traiu.

O amor é mais forte do que a morte, mas, quando a morte coopta um amigo como seu agente, o amor frustado tira todo desejo de lutar pela vida.

E, por isso, o moribundo não se mexeu.

E veio um samaritano... Ele não sabia do sacerdote, apenas condoeu-se ao ver um homem à beira da morte, e correu para socorrê-lo. Chamou-o para atividades que não tinham a ver diretamente com a sua fé, mas que lhe permitiam vivê-la e anunciá-la. E ele desistiu do sacerdócio, embora, mantivesse sua fé e sua vida na comunidade. Mas ele não queria mais estar no mundo dos sacerdotes.

Entendeu que nessa nova ordem sacerdotal não havia espaço para a simples amizade.

Para essa nova ordem, ser amigo é arriscar-se muito.

Bem, essa verdade é milenar: ser amigo é arriscar-se!

Porém, na nova ordem, ninguém quer correr risco.

Todos estão prevenidos: é melhor evitar do que remediar.

A dupla religiosa que o havia deixado ao largo, comentou o fato com outros religiosos, eles, amigos, ainda que com alguma dor, resolveram, também, evitá-lo.

Parece que alguns sacerdotes estão repensando, mas, pode ser muito tarde, o nosso sacerdote está cada vez mais propenso a só andar com samaritanos.