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sábado, 27 de fevereiro de 2010

E o moribundo não se mexeu

Certo homem descia de Jerusalém para Jerico, quando foi assaltado, e surrado, e deixado para morrer, na beira da estrada.

Ele era sacerdote. Todos os sacerdotes e levitas o conheciam.

Jerico era o seu campo missionário, mas, naquele dia, ele foi impedido de chegar lá. E tudo indicava que jamais chegaria.

Casualmente, outro sacerdote descia de Jerusalém para Jerico. Tudo indicava que o sacerdote, em estado moribundo, estava salvo.

O outro sacerdote o reconheceu, mas evitou se envolver... O moribundo era tido como um bom sacerdote, mas, pensou o outro, essas coisas não deveriam acontecer a bons sacerdotes, logo, deve ter alguma coisa errada com ele. Mesmo assim, parou, mas, a distância... Se ele se mexer ou esboçar qualquer pedido de ajuda... Ajudo.

E o moribundo não se mexeu.

Nisso chega um levita, reconhece o sacerdote moribundo, todos o conheciam; conversa com o outro sacerdote, sobre o que poderia ter acontecido com tão bom sacerdote, ao que o outro sacerdote retruca, dizendo que, talvez ele não fosse tão bom sacerdote assim! Quem sabe o que teria acontecido? E sugeriu o que o levita o acompanhasse na observação... Se o moribundo se mexesse ou esboçasse qualquer pedido de ajuda... Ajudariam.

E o moribundo não se mexeu...

E eles se foram, comentando como as aparências enganam... As vezes a gente pensa que está diante de um grande sacerdote, e, sem o saber, está diante de uma vida cheia de complicações, que acaba por expor-se desnecessariamente, e aí, o inevitável acontece: é derrotado.

De fato, aquele sacerdote, deixado à própria sorte, era conhecido por sua fibra, já havia passado por poucas e boas, e resistido, não fazia sentido vê-lo em tal estado. A dupla de religiosos, também comentava isso. O que eles não sabiam é que o tal sacerdote, a exemplo do herói escocês, William Wallace, na versão cinematográfica Brave Heart, de Mel Gibson, fora atacado, e surrado, e deixado para morrer, por um amigo. William Wallace fora atacado, quando intentava contra o Rei da Inglaterra, Eduardo I, por Robert de Bruce, nobre que Wallace queria ver Rei, mas, que o traiu. O sacerdote, também, enquanto lutava contra o rei da maldade, um amigo o traiu.

O amor é mais forte do que a morte, mas, quando a morte coopta um amigo como seu agente, o amor frustado tira todo desejo de lutar pela vida.

E, por isso, o moribundo não se mexeu.

E veio um samaritano... Ele não sabia do sacerdote, apenas condoeu-se ao ver um homem à beira da morte, e correu para socorrê-lo. Chamou-o para atividades que não tinham a ver diretamente com a sua fé, mas que lhe permitiam vivê-la e anunciá-la. E ele desistiu do sacerdócio, embora, mantivesse sua fé e sua vida na comunidade. Mas ele não queria mais estar no mundo dos sacerdotes.

Entendeu que nessa nova ordem sacerdotal não havia espaço para a simples amizade.

Para essa nova ordem, ser amigo é arriscar-se muito.

Bem, essa verdade é milenar: ser amigo é arriscar-se!

Porém, na nova ordem, ninguém quer correr risco.

Todos estão prevenidos: é melhor evitar do que remediar.

A dupla religiosa que o havia deixado ao largo, comentou o fato com outros religiosos, eles, amigos, ainda que com alguma dor, resolveram, também, evitá-lo.

Parece que alguns sacerdotes estão repensando, mas, pode ser muito tarde, o nosso sacerdote está cada vez mais propenso a só andar com samaritanos.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

O perdão

A paixão de Cristo foi a demonstração, na história, limitada pelas dimensões da história, do que aconteceu, por necessidade, antes da história.

A paixão de Cristo demonstra, limitada pela história, o castigo que a Justiça impôs a Deus, a comunidade eterna, por decidir perdoar o transgressor.

Custou muito mais caro do que na história se pôde demonstrar.

A paixão de Cristo fala do custo do perdão.

Nenhuma das criaturas perdoadas tem o direito de não perdoar.

Todo perdão que é proferido está incluso na conta que Cristo pagou e que sua paixão demonstrou. Porque tudo o que necessita de perdão é suficiente para que a existência sofra solução de continuidade, porque fere a Justiça.

Justiça não é um "deus", é uma demanda ética da qual o Deus triúno, por força do seu caráter, não pode se furtar.

Sem a paixão de Cristo nenhum perdão poderia ser proferido.

Por causa do demonstrado pela paixão de Cristo nenhum perdão pode deixar de ser proferido.

Não é mais a justiça que norteia o relacionamento entre as criaturas que foram perdoadas.

Nem é mais a justiça que norteia o relacionamento entre Deus e as criaturas que perdoou.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

José! E agora?

Drummond escreveu o poema: E agora José: Onde ele denuncia um José sem saída!

Quando olho para a TV, as notícias que tem, e as que não se deixa ter.

Quando vejo as imagens que, nessa história, se produz, e quando me recuso a vê-las.

Quando vejo os políticos e os líderes que não sabem nada de
Canaã, mas amam estar à frente.

Quando vejo que eles apelam a nós, mas não é por nós que lá estão, embora jurem que sim.

Quando vejo os cristãos tentando salvar o cristianismo de seus líderes e de seus institutos.

Quando vejo a maldade em cristãos.

Quando vejo o lucro subjugando os ideais, seja pela compra ou pela distorção.

Quando vejo o que o "progresso" fez ao Planeta.

Quando vejo os ateus se organizando para preparar o mundo para o valor do nada!

Quando os vejo chamar a isso de evolução.

Quando vejo religiosos sonhando com mulheres de burca e com mãos cortadas.

Quando os vejo chamarem a isso de misericórdia.

Quando ouço o grito dos soterrados, o lamento dos encharcados, o gemido dos famintos.

Quando vejo que o mundo não para, tudo continua igual, como se nada houvesse que exigisse arrependimento.

Quando vejo que, por mais que haja socorro, de fato, a justiça passa ao largo.

Quando vejo que o socorro não conserta.

Quando vejo a sociedade civil sendo subvertida, que, não importa quantas eleições haja, o mundo tem dono.

Me dá um nó na garganta, uma vontade de declamar Drummond e de me deixar ser esborrachado pela pedra no meio do caminho.

Então, olho pra cima... Pressinto a volta de alguém... É mais que profecia.

E volto para a estrada, porque é preciso continuar.

E, a cada imagem dantesca que essa nossa história joga na minha cara, eu olho para cima...

E prossigo... José.

domingo, 24 de janeiro de 2010

Parece, mas não é!

Há textos estranhos nas escrituras sagradas.

Que pairam sobre nós, qual espada de Dâmocles, como um desafio e uma advertência.

Conclamam-nos à sabedoria e à admissão de nossa incompetência como juízes.

Os textos abaixo, por exemplo, poderiam ser classificados de: parece, mas não é!

1Co 3.15 “Se a obra de alguém se queimar, sofrerá ele prejuízo; mas o tal será salvo, todavia, como que pelo fogo.”

Aqui o foco é o ministério, não a pessoa.

Paulo fala de um ministro que parece ser joio, mas não é.

Fala de ministros que edificam, ainda que sobre o fundamento certo, com madeira, palha e feno, elementos que o fogo da história facilmente destrói.

Madeira, palha e feno são os elementos fornecidos pela sabedoria humana, vs. 19 e 20. É ensino que gera divisão, perda da consciência de corpo e da natureza da fé.

O ensino vira corrente filosófica e o dogma ideologia.

Ou leva a Igreja da fé para as obras, da graça para o mérito, da devoção para a mágica, de Deus para o ser humano, transformando este em semideus.

O ministro é um falso mestre, mas será salvo.

O ensino dele será condenado, mas ele não.

Gente que será salva, mas não vive como discípulo.

A gente deve reprovar os seus ensinos, mas não deve fazer considerações sobre a sua salvação.



Hb 6.4-8 “Porque é impossível que os que, uma vez, foram iluminados, e provaram o dom celestial, e se fizeram participantes do Espírito Santo, e provaram a boa palavra de Deus, e os poderes do mundo vindouro, e depois caíram, sejam outra vez renovados para arrependimento; visto que, quanto a eles, estão crucificando de novo o Filho de Deus, e o expondo ao vitupério. Pois a terra que embebe a chuva, que cai muitas vezes sobre ela, e produz erva proveitosa para aqueles por quem é lavrada, recebe a bênção da parte de Deus; mas se produz espinhos e abrolhos, é rejeitada, e perto está da maldição; o seu fim é ser queimada.”

Nesse texto, o foco é a pessoa e não o ministério.

O escritor fala de uma pessoa que parecia ser discípulo, mas não era.

Tudo parecia bem com ela, mas um dia ela caiu.

Cair não é um problema insolúvel, porém, essa pessoa não encontrou o caminho do arrependimento.

E isso aparece nos frutos que ela passou a produzir.

Tal como uma terra, que apesar de ser regada e lavrada muitas vezes, apenas consegue produzir espinhos e abrolhos.  O seu fim é a rejeição!

Portanto, a questão aqui, não é a queda, em si, mas no que a pessoa, que caiu, se tornou.

Seus frutos indicam que o caminho do arrependimento não foi abraçado. Ela tornou-se agente do mal.

A gente não tem autoridade para emitir qualquer juízo, mas não custa nada discernir e ficar esperto!